Músicas para descobrir em casa – ‘Queria ser…’ (Fábio Jr., 1979) com Fábio Jr.


Capa de ‘Fábio Jr.’, álbum de 1979 que apresentou a gravação original da canção ‘Queria ser…’
Paulo Rubens
♪ MÚSICAS PARA DESCOBRIR EM CASA – Queria ser… (Fábio Jr., 1979) com Fábio Jr.
♪ Antes de aderir ao pop industrializado da gravadora CBS a partir de 1984, o ator, cantor e compositor Fábio Jr. gravou três álbuns na Som Livre com emoções reais perceptíveis tanto no canto quanto no repertório essencialmente autoral.
Apresentada em 1979, entre as nove músicas do segundo álbum assinado pelo artista paulistano como Fábio Jr., a canção Queria ser… é um dos melhores e mais comoventes títulos dessa safra inspirada por emoções verdadeiras.
Nascido em novembro de 1953, Fábio Corrêa Ayrosa Galvão tinha vinte e poucos anos quando escreveu essa canção impregnada de angústias e anseios juvenis, impressos nos versos da letra confessional.
Esses sentimentos foram devidamente valorizados no dois minutos e 53 segundos da gravação original do álbum Fábio Jr. – disco produzido por Guto Graça Mello com arranjos divididos entre os maestros Lincoln Olivetti (1954 – 2015) e Eduardo Lages.
Orquestrada com cordas nesse primeiro registro fonográfico, feito entre janeiro e fevereiro de 1979, a canção Queria ser… foi faixa arranjada por Lincoln Olivetti, que tocou piano Yamaha na gravação, também formatada com os toques da guitarra de Robson Jorge (1954 – 1992), do baixo de Paulo César Barros e da bateria de Marco Antonio, o já falecido Picolé.
Queria ser… é inspirada canção cujo jorro melódico e poético evoca o primeiro grande sucesso autoral composto em português por Fábio Jr., Pai (1978), música apresentada pelo ator e cantor no ano anterior, em episódio da série Ciranda cirandinha (TV Globo, 1978).
Amplificada ao ser escolhida como tema da abertura da novela Pai herói (TV Globo), exibida em 1979, a canção Pai ajudou a impulsionar as vendas do álbum Fábio Jr. e foi sucedida nas paradas por 20 e poucos anos, música apresentada nesse álbum e incluída na trilha sonora da novela Água viva (TV Globo, 1980).
As explosões de Pai e 20 e poucos anos nas trilhas sonoras de novelas ofuscaram Queria ser…, música também vocacionada para o sucesso massivo. Nem o relançamento do registro original da canção em 1981 – como lado B do single duplo editado pela gravadora RGE com a então inédita gravação de Eu me rendo (Sérgio Sá, 1981) no lado A – deu à música a merecida projeção popular.
Decorridos 14 anos do lançamento da canção, o próprio Fábio Jr. regravou Queria ser – então já sem as reticências incluídas no título original – no álbum Desejos (1993). Só que a emoção do cantor já estava diluída na época, enquadrada na moldura pop da indústria.
Para quem quiser (re)descobrir Queria ser…, a gravação original é imbatível e exemplifica o talento de Fábio Jr. como cantor e compositor.
♪ Ficha técnica da Música para descobrir em casa 13 :
Título: Queria ser…
Compositor: Fábio Jr.
Intérprete original: Fábio Jr.
Álbum da gravação original: Fábio Jr.
Ano da gravação original: 1979
Regravações que merecem menções: A do próprio Fábio Jr. no álbum Desejos (1993).
♪ Eis a letra da música Queria ser… :
“Queria ser…
Uma folha de papel em branco
Onde as pessoas pudessem escrever o quanto
Elas são felizes ou não
Queria ser…
Só dez minutos de chuva
Pra poder apagar esse fogo que é tua
Tua solidão
Queria ser…
Qualquer coisa mais firme
Que não movesse ao som das palavras
Que não morresse ao som da melodia
Da melodia de uma canção
Queria ser…
Qualquer coisa mais livre
Sobrevoar essa doce prisão
Que é o valor da emoção de ser gente
E ter meus pés aqui no chão
Aqui no chão
Queria ter…
Mais um pouco de espaço
Pra que esses sonhos que eu sonho aqui em baixo
Pudessem tocar o céu
Queria ter cinco anos de idade
Pra que esse pano de realidade
Caísse aos meus pés
Queria ser só um pouco mais denso
Pra segurar na cabeça o que eu penso
Pra libertar esse medo de rua
E bem mais cedo ser tudo o que sou
Queria ser…
Qualquer coisa mais livre
Sobrevoar essa doce prisão
Que é o valor da emoção de ser gente
Gente por condição
Gente…”