Após prorrogação, novo prazo de inscrição no Enem 2020 termina nesta quarta-feira


As datas da prova ainda estão indefinidas e deverão ser escolhidas em uma enquete com os participantes a partir de junho. Enem 2020 será adiado por causa da pandemia no coronavírus
André Melo Andrade/Myphoto Press/Estadão Conteúdo
Após ter sido prorrogado na semana passada, o novo prazo de inscrição para as provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2020 termina às 23h59 desta quarta-feira (27). As datas da prova ainda estão indefinidas e deverão ser escolhidas em uma enquete com os participantes a partir de junho.
Para se inscrever, o candidato deve acessar a página do participante no link https://enem.inep.gov.br/participante/#
É preciso ficar atento para o pagamento da taxa de inscrição, que não foi estendido: o boleto de R$ 85 deve ser pago até esta quinta-feira (28) em agências bancárias, casas lotéricas, correios ou pela Internet. Sem isso, a inscrição não será validada. Estudantes que tiveram a isenção da taxa também devem se inscrever no Enem.
Confira o passo a passo para a inscrição no Enem
Nesta quarta também se encerram os prazos para:
Solicitar atendimento especializado do Enem impresso
Alterar dados cadastrais, município de provas, e opção de língua estrangeira
Problemas na inscrição
Na semana passada, candidatos relataram problemas durante o processo de inscrição. Entre eles, estavam tela travada em uma das etapas; a foto não era carregada; o boleto bancário não era gerado; ou, mesmo mais de uma semana após pagarem a taxa, a participação ainda não havia sido confirmada.
O desempenho no Enem é critério para concorrer a uma vaga nas universidades públicas pelo Sistema de Seleção Unificado (Sisu). Além deste sistema, algumas instituições – inclusive universidades de Portugal – usam a nota em uma das etapas seletivas do vestibular.
Prazo estendido
Ministério da Educação prorroga prazo para inscrições no Enem
O prazo de inscrição, que pelo cronograma inicial deveria ter sido encerrado na sexta-feira (22), foi estendido para esta quarta após apelo do Conselho Nacional dos Secretários Estaduais de Educação (Consed) devido ao impacto da pandemia do coronavírus.
Com aulas suspensas em todos os estados, o Consed afirma que a maior parte das redes estaduais alcançaram um número inferior de inscrições no Enem, se comparado ao número de estudantes concluintes do ensino médio da rede pública. Isso porque, segundo a entidade, parte dos estudantes que deveriam se inscrever no Enem pertencem a famílias em situação de vulnerabilidade social, sem acesso regular à internet.
“Tal situação, até o ano passado, era parcialmente contornada pela disponibilização dos computadores das escolas para apoio às inscrições”, afirma o conselho. “Agora, mesmo quando a escola se mantém aberta para apoiar a inscrição, esta medida tem tido impacto reduzido, se considerarmos que muitos desses estudantes residem em locais de difícil acesso”.
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Data da prova será escolhida em enquete
Na última quarta-feira (20), Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), responsável pela prova, e o Ministério da Educação (MEC) informaram que a data do exame, marcada inicialmente para novembro, será estendida “de 30 a 60 dias em relação ao que foi previsto nos editais”.
A nova data será escolhida pelos candidatos em uma enquete na Página do Participante.
A decisão ocorreu depois de o governo enfrentar questionamentos judicias cobrando o adiamento da prova por causa dos efeitos da pandemia da Covid-19, que levaram escolas a suspender as aulas presenciais. O debate sobre o adiamento da prova chegou ao Congresso: na terça-feira (19), o Senado aprovou projeto que adia Enem, e o texto seguiu para avaliação da Câmara dos Deputados.
Cronograma do Enem
Prazo de inscrição: 27 de maio
Pagamento da taxa: 28 de maio
Provas: datas indefinidas
VÍDEO
Enem 2020 será adiado e nova data será entre 30 e 60 dias depois do previsto
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MPF pede explicações a Weintraub por críticas às expressões ‘povos indígenas’ e ‘povo cigano’


Ministro da Educação afirmou, em reunião ministerial, que odiava o uso dos termos. Subprocurador quer que Weintraub explique o escopo das declarações sobre privilégios desses grupos. Abraham Weintraub em 2019
LUIS FORTES/MEC via BBC
O Ministério Público Federal (MPF) pediu explicações ao ministro da Educação, Abraham Weintraub, pelas declarações dadas na reunião ministerial de 22 de abril com referências a povos indígenas e ciganos.
Na ocasião, o ministro disse que odeia os termos “povos indígenas” e “povo cigano”, porque entende só haver “um povo nesse país”. Segundo Weintraub, seria preciso acabar “esse negócio de povos e privilégios”.
“Odeio o termo ‘povos indígenas’, odeio esse termo. Odeio. O ‘povo cigano’. Só tem um povo nesse país. Quer, quer. Não quer, sai de ré. É povo brasileiro, só tem um povo. Pode ser preto, pode ser branco, pode ser japonês, pode ser descendente de índio, mas tem que ser brasileiro, pô! Acabar com esse negócio de povos e privilégios”, disse o ministro.
Weintraub também chamou os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) de “vagabundos”, disse que queria prendê-los e classificou Brasília como “uma porcaria”, “um cancro de corrupção, de privilégio”.
As declarações de Weintraub vieram a público porque o vídeo da reunião ministerial de 22 de abril foi divulgado um mês depois, em 22 de maio, por decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Celso de Mello.
A gravação foi anexada ao inquérito que apura se o presidente Jair Bolsonaro tentou interferir na cúpula da Polícia Federal. A suposta interferência foi apontada pelo ex-ministro Sergio Moro, e o vídeo, indicado como prova da declaração.
‘Colocava todos na cadeia, começando pelo STF’, diz Weintraub
Os esclarecimentos sobre a fala de Weintraub foram requeridos pela Câmara de Populações Indígenas e Comunidades Tradicionais do MPF . Segundo o ofício enviado nesta segunda-feira (25), a Constituição de 1988, inaugurou um novo ciclo de relação entre os indígenas, as comunidades tradicionais e o Estado brasileiro.
O MPF ressalta que o Estado brasileiro deve garantir e proteger a diversidade cultural dos indígenas, afro-brasileiros e de outros grupos formadores da sociedade brasileira, como previsto nos artigos 215 e 216 da Constituição.
Para o MPF, o respeito e o efetivo cumprimento da Constituição são deveres de todos os agentes públicos, de todas as esferas da federação, o que se coloca de maneira ainda mais severa e estrita em relação aos ministros de Estado, pela sua estatura institucional.
“Não se trata de uma opção ideológica do agente público, mas de um dever jurídico funcional”, afirma o coordenador da câmara do MPF e subprocurador-geral da República Antônio Bigonha.
Bigonha requereu que “em atenção aos deveres dos agentes públicos de honestidade, imparcialidade, legalidade e lealdade às instituições”, seja explicitado o contexto da manifestação sobre “povos indígenas” e “povos ciganos”, e o efetivo respeito aos seus direitos assegurados pela Constituição, em contraste com os “privilégios” mencionados por Weintraub na reunião ministerial.
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