Fim da exigência de simulador para CNH e suspensão de aulas para cinquentinha valem a partir desta segunda


Novas regras para tirar carteira de habilitação e mudança no processo para tirar ACC foram determinadas em junho passado pelo governo federal. Especialistas criticaram. Processo para tirar CNH vai ser mais curto a partir de setembro.
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O número de aulas para tirar a CNH (Carteira Nacional de Habilitação) vai ser reduzido a partir desta segunda-feira (16). A mudança determinada pelo governo federal em junho passado também altera o processo para obter a ACC (Autorização para Conduzir Ciclomotor), documento exigido para guiar cinquentinhas, como são conhecidos os ciclomotores com motor de até 50 cm³.
É #FAKE que resolução determina fim de aulas teóricas de direção e amplia para 20 anos prazo da CNH
Entenda as mudanças em detalhes:
CNH (categoria B, carros)
acaba a exigência de uso do simulador nas autoescolas para quem quiser tirar a CNH na categoria B. Fazer aulas no aparelho passa a ser facultativo;
com isso, cai o número de horas/aulas obrigatórias. Ele passará de 25 para 20 horas. É a mesma carga-horária de antes de o simulador ter sido adotado, em
ACC (cinquentinha)
durante 1 ano, quem quiser guiar cinquentinhas poderá fazer as provas teórica e prática sem ter feito aulas. Somente se for reprovado, terá de passar por aulas práticas;
a partir de setembro de 2020, voltam a ser exigidas as aulas, mas o número vai cair de 20 para 5 horas, sendo que uma delas dever ser noturna.
no exame prático, o candidato poderá usar seu próprio ciclomotor — desde que o veículo tenha, no máximo, 5 anos de uso.
Rio Grande do Sul mantém simulador
Por decisão liminar, em agosto, o Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), manteve a obrigatoriedade de realizar aulas em simulador para obter a CNH no Rio Grande do Sul.
A ordem foi dada após uma ação movida pelo Sindicato dos Centros de Formação de Condutores do estado (SindiCFC-RS). Essa solicitação tinha sido negada em primeira instância.
Governo diz que custo vai cair
Na época em que as alterações para habilitação foram anunciadas, o governo disse que elas tinham como objetivo desburocratizar esses processos e reduzir custos.
“O simulador não tem eficácia comprovada, ninguém conseguiu comprovar que é importante para o condutor. Nos países ao redor do mundo não é obrigatório, mesmo em países com excelentes níveis de segurança no trânsito”, disse o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Freitas, em junho.
O secretário-executivo do ministério, Marcelo Sampaio, disse que esperava que autoescolas que saíram do mercado pudessem voltar com o fim do simulador, o que, segundo ele, também deve contribuir para baixar os custos para tirar habilitação.
Críticas de especialistas
As mudanças foram criticadas por especialistas em trânsito. “Quando reduzimos a carga para baratear custos, aumentamos o risco de acidentes no futuro, e, como consequência, aumentar custos na área da saúde, por exemplo”, afirmou Renato Campestrini, gerente técnico do Observatório Nacional de Segurança Viária.
Para Mauricio Januzzi, advogado especialista em direito do trânsito, “o governo está tirando algumas áreas essenciais para formação do condutor, em detrimento de um custo mais baixo”.
“Talvez, em nome da ‘desburocratização’, tenhamos um cenário triste com o aumento de acidentes e mortes no trânsito”, disse Flavia Vegh Bissoli, vice-presidente da comissão de trânsito da OAB-SP.
Para o presidente do Sindicato das Autoescolas do Estado de São Paulo, Magnelson Carlos de Souza, desburocratizar o processo é positivo, mas os condutores deveriam continuar fazendo aulas em simuladores.
“O simulador tem algumas vantagens. Ele é mais rápido e mais barato. Se somar as duas coisas, não tenho dúvidas de que ele [o aluno] vai optar pelo simulador. Mas o mercado é quem vai moldar”, afirmou.
No início deste mês, o Instituto Latinoamericano de Segurança Viária (Ilasv), com sede no Rio Grande do Sul, pediu à Justiça que anulasse a resolução.
Mudanças no Código de Trânsito
Também em junho passado, o governo federal também propôs outras mudanças no Código de Trânsito, mas que precisam ser aprovadas pelo Congresso, entre elas o aumento da pontuação máxima para suspensão da CNH por infrações e o fim da multa para quem transportar crianças sem cadeirinha. Não há previsão de quando elas serão analisadas.

A Era do Plástico: o uso do material pode marcar o início do Antropoceno?

Será que podemos dizer que estamos vivendo a era do plástico?

Será que podemos dizer que estamos vivendo a era do plástico?
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Imagine como seria uma aula de história em uma escola no ano 3000.

Que rastros teríamos deixado os estudantes que habitam a Terra?

Assim como conhecemos hoje as ferramentas primitivas da Idade da Pedra ou as armas mais sofisticadas da Idade do Ferro, que vestígios veriam de nossa era?

No ritmo que estamos seguindo, tudo indica que o plástico será um dos maiores vestígios que deixaremos para o mundo.

Um novo estudo revela que a grande quantidade de plástico que usamos está sendo marcada no registro fóssil do planeta.

Milhões de toneladas de plástico chegam ao oceano todos os anos

Milhões de toneladas de plástico chegam ao oceano todos os anos
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Portanto, alguns cientistas afirmam que estamos na Era do Plástico.

“Estamos usando tanto plástico que é por isso que seremos lembrados”, disse à BBC Jennifer Brandon, bióloga microplástica da Universidade da Califórnia (EUA) e autora da pesquisa.

Um fóssil eterno

Para chegar a essa conclusão, Brandon e sua equipe analisaram sedimentos do fundo do mar perto da costa da Califórnia, que datam de 200 anos atrás.

Ao analisar seus compostos, eles notaram que a partir de 1940 a quantidade de plásticos microscópicos dobrava a cada 15 anos.

"Estamos usando tanto plástico que é por isso que seremos lembrados", disse bióloga microplástica da Universidade da Califórnia

“Estamos usando tanto plástico que é por isso que seremos lembrados”, disse bióloga microplástica da Universidade da Califórnia
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Em 2010, quando as amostras foram coletadas, as pessoas estavam depositando plástico no mar a uma taxa 10 vezes maior do que antes da Segunda Guerra Mundial.

“É como se estivéssemos fazendo chover plástico no oceano”, diz Brandon.

A bióloga diz que sua descoberta reforça a ideia de que o acúmulo de plástico pode ser usado como um indicador do início do Antropoceno, uma era geológica proposta pela comunidade científica que se caracteriza pelas mudanças que os seres humanos causaram no planeta.

O estudo de Brandon sugere que “nosso amor pelo plástico” é um dos marcos que indicam o início do Antropoceno.

“O plástico é um marcador biológico perfeito porque nunca se degrada”, diz Brandon. “Dura quase para sempre.”

Uma pegada prejudicial

O plástico é popular há apenas 75 anos, mas a marca que ele deixa é duradoura.

Pesquisas estimam que de 5 a 12 milhões de toneladas métricas de resíduos plásticos chegam ao mar a cada ano

Pesquisas estimam que de 5 a 12 milhões de toneladas métricas de resíduos plásticos chegam ao mar a cada ano
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As amostras analisadas por Brandon e sua equipe revelam que a maior parte do plástico contido no fundo do mar veio de fibras de roupas, mas também foram encontrados fragmentos de materiais de sacolas e outros tipos de partículas.

Pesquisas anteriores estimaram que de 5 a 12 milhões de toneladas métricas de resíduos plásticos chegam ao mar a cada ano.

Outros estudos mostraram que os organismos marinhos que ingerem plástico sofrem danos que se espalham por toda a cadeia alimentar. Muitos morrem depois de ingerir o produto.

Um relatório sobre o futuro dos mares, divulgado recentemente pelo governo do Reino Unido, alertou que a quantidade de plástico no mar pode triplicar em uma década, a menos que o lixo seja contido.

Cinco nações asiáticas – China, Indonésia, Filipinas, Vietnã e Tailândia – respondem por até 60% do lixo plástico que acaba nos oceanos, de acordo com um relatório de 2015 da Ocean Conservancy e do McKinsey Center for Business and Environment.

Com esse tipo de resíduo despejado na água em uma escala que chega a milhões de toneladas por ano, desde plânctons minúsculos até baleias enormes acabam ingerindo esse material acidentalmente ao se alimentar ou ao confundi-lo com o próprio alimento. A explicação de pesquisadores é que o plástico não só parece, mas também tem cheiro de comida.

Uma questão existencial

Brandon diz que os seres humanos “se tornaram dependentes do plástico”, mas adverte que ela não defende sua eliminação completa de nossas vidas.

Para ela, a chave é mudar alguns hábitos e usar apenas o estritamente necessário.

“É uma questão existencial”, diz ela.

“Nossas decisões diárias estão sendo registradas no oceano. Queremos ser lembrados por essa quantidade de plástico?”