Thaynara OG se emociona ao falar sobre período em UTI após lipo: ‘Poderia ter partido por uma besteira’


Influenciadora e empresária fez relato após morte de Liliane Amorim, no Ceará. A jovem de 26 anos foi hospitalizada em estado gravíssimo de saúde após sofrer complicações de uma cirurgia de lipoaspiração. Thaynara OG se emociona ao fazer relato sobre período em UTI após lipospiração
Thaynara OG usou as redes sociais para fazer um desabafo e relatar sua experiência após fazer uma lipoaspiração em março de 2020. A influenciadora e empresária passou uma semana internada após o procedimento. “Eu poderia ter partido por uma besteira”, contou Thaynara, bastante emocionada, durante um vídeo de quase dez minutos.
Thaynara decidiu por fazer o relato após a morte da influenciadora Liliane Amorim. A jovem de 26 anos estava internada em um hospital particular desde 15 de janeiro, seis dias após sofrer complicações de uma lipoaspiração.
“Isso mexeu muito comigo, me deixou muito mal e tornou ainda maior a necessidade de vir aqui e compartilhar com vocês. Eu sempre tive vontade de falar, conversar sobre, mas não tinha a coragem, tinha um pouco de receio e vergonha”, afirmou Thaynara.
“Sei que eu, apesar de atender a muitos padrões de beleza também sinto uma pressão estética muito grande sobre mim. Tenho dificuldade de aceitar algumas coisas, tenho minhas inseguranças, minhas insatisfações com o corpo. E ano passado, março de 2020, decidi fazer uma lipoaspiração.”
“A gente sabe que um procedimento como uma lipo é extremamente invasivo, muita gente deve procurar um profissional que a gente conhece o trabalho, que passe segurança pra gente, que a gente confie. Só que eu não fui por esse caminho. Acho que de tanto ver no Instagram, decidi fazer aquela técnica famosa, que várias influenciadoras, blogueiras, estavam fazendo. Na época, por eu conhecer uma pessoa que tinha feito e tinha dado tudo ok para ela, falei que daria tudo ok para mim também. Então em vez de fazer com alguém que eu conheço, mas não faz essa técnica, vou fazer com alguém que eu não conheço, mas vai me entregar essa técnica aí.”
Thaynara conta que, na época, ofereceram uma permuta para o procedimento, mas ela negou a parceria. “Não aceitei. Decidi fazer pagando, porque sei que a internet amplia essa pressão estética nas pessoas, tanto é que eu estava ali, e percebi o efeito que poderia causar nas pessoas que me seguem. Sabe quanto você vê muita gente fazendo a mesma coisa e você começa a achar: ‘nossa, por que não faço em mim? Nossa, acho que eu preciso disso também, olha esse antes e depois, é muito fácil, como arrancar um dente’?.”
“Então preferi fazer pagando, que eu não me sentiria confortável divulgando algo tão invasivo e também queria me colocar numa posição de cliente que pode exigir, pode e reclamar. Me senti mais segura dessa forma.”
“Na época fiz questão de pagar o melhor hospital que essa pessoa atendia pra eu me sentir segura com essa decisão de estar ali com o profissional que não era o que eu conhecia, mas que tinha a técnica que me seduziu, que eu queria ficar igual.”
Período na UTI
“Em março do ano passa fiz a cirurgia, nesse dia subi para o quarto. Quem passou pra conversar comigo foi o anestesista da equipe, não foi o cirurgião”, contou Thaynara, que ficou sem o retorno do cirurgião sobre o procedimento.
“No primeiro dia, a equipe do hospital fazia umas perguntas que eu não sabia responder porque eu não tinha os detalhes do cirurgião. No dia seguinte ele apareceu e ele viu que no dreno estava saindo muito sangue vermelho vivo e ele falou: ‘não vou te dar alta hoje, mas estou feliz que estou te vendo corada, você esta bem’. Sendo que eu não estava bem. Tanto é que quando ele falou isso, todo mundo ficou olhando assim, as enfermeiras que estavam presentes, meus pais que estavam comigo, todo mundo ficou sem entender nada. Aí ele foi embora.”
Thaynara conta que a mãe foi atrás de outro médico do hospital ao perceber que a filha não estava bem. “‘Minha filha não está bem, ela está pálida, está desfalecida’. E de fato eu estava com uma cor tão branca, que eu tinha perdido esse delineado da boca. Eu estava muito amarela. E o sangue do dreno, as enfermeiras tiravam e quando a gente via já estava cheio de novo. Aquilo não estava normal.”
“Minha mãe inquieta foi lá falar com algum outro médico do hospital, levou até o quarto e ali eles viram: gente, ela tem que ir pra UTI agora. Aí já bateu aquele medo: o que está acontecendo?”
“Corre pra UTI, fiz os exames pra saber o motivo desse sangramento interno, corre pra fazer transfusão de sangue. Recebi duas bolsas. E tudo isso muito rápido, muito urgente, a gente sem entender nada. Esses dias na UTI eu me senti muito mal. Eram dias que eu não saia da cama nem pra fazer xixi, nem pra fazer as necessidades, fazia tudo na cama. Não podia andar, não conseguia dormir de tanta dor”, contou Thaynara, sem segurar o choro.
Emocionada, ela conta que se sentia muito mal ao ver os familiares naquele momento. “Eu me coloquei [naquela situação] e coloquei minha família também, porque meu pai passou mal. Tanto é que o dia que subi para o quarto, que levei alta da UTI, ele desceu pra emergência, minha irmã começou a ter os gatilhos de ansiedade, minha mãe passou mal também. Foi uma situação que eu não quero nunca mais voltar para aquilo.”
“Sei que intercorrências acontecem, mas o que mais me deixou extremamente mal foi no dia que eu mais senti dor e não consegui dormir mesmo com muito remédio, eu não conseguia entrar em contato com meu cirurgião. Sabe quando a pessoa maca muitas cirurgias atrás da outra? Não acho isso correto. Eu não conseguia, a equipe do hospital também não conseguia. Fiquei muito mal, me sentindo culpada. E me vendo ali presa na cama: ‘meu Deus, por que eu fiz isso comigo?’. E meus pais preocupados.”
“Eu falava: gente, eu boazinha, uma mulher adulta, informada, me coloquei nessa situação, família aqui toda vulnerável e tensa por minha culpa. E se minha mãe não estivesse comigo? Se não tivesse tido a iniciativa de puxar alguém? E se eu não tivesse ido a tempo para a UTI? Eu poderia ter partido por uma besteira.”
“Isso mexeu muito com minha cabeça, foram meses horríveis. A recuperação, que já era difícil, foi mais lenta que o normal, já que minha barriga ficou bem pontuda para o lado esquerdo. As pessoas fazem dez drenagens, eu fiz mais de 50. Minha recuperação coincidiu com o período de isolamento social, então tudo isso foi mexendo com minha cabeça. Fui me sentindo mal, culpada, arrependida, foi horrível.”
Thaynara contou que teve crises de ansiedade nesse período e que acordava todos os dias chorando. “Mexeu muito com minha cabeça e só fui melhorar mentalmente em agosto.”
“Depois de todo o processo de recuperação, se viu a necessidade de fazer um reparo. Então eu teria que fazer depois de um ano e não tenho essa coragem. Pelo menos com essa equipe, não tenho mais”, conta.
“Hoje eu tive essa vontade de compartilhar com vocês, porque cirurgia plástica é um assunto muito sério, não pode ser demonizado, mas também não pode ser tratado como algo que é pouco invasivo e simples.”
Após o desabafo, Thaynara recebeu o apoio de diversos famosos, incluindo Tatá Werneck e Maisa.
“Querida, que bom que está bem e que desabafou tão verdadeiramente. Isso pode salvar muitas pessoas”, escreveu Tatá.
“Você é muito forte, Thay. Obrigada pelo relato”, agradeceu Maisa.
Thaynara Og no Rock in Rio
Graça Paes/G1

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São Paulo faz 467 anos com trilha sonora tão diversificada e interessante quanto a cidade


Compositores como Adoniran Barbosa, Clemente Nascimento, Criolo, Itamar Assumpção, Rita Lee e Tom Zé têm músicas que mapeiam a metrópole muito além do cruzamento da Ipiranga com a avenida São João. ♪ MEMÓRIA – Fundada em 1554, a cidade de São Paulo (SP) faz 467 anos nesta segunda-feira, 25 de janeiro de 2021, com trilha sonora diversificada que mapeia a alma da metrópole muito além do cruzamento da Ipiranga com a avenida São João.
Essa esquina foi poetizada pelo baiano Caetano Veloso em verso de canção, Sampa (1978), que se impôs no imaginário nacional como uma das mais perfeitas traduções da alma da cidade ao lado do cancioneiro de Adoniran Barbosa (1910 – 1982), compositor paulistano que retratou São Paulo em sambas como o Samba do Arnesto (1953) e, claro, Trem das onze (1964).
O afetivo recorte social de São Paulo na obra de Adoniran Barbosa também vem de imediato às mentes quando o assunto é a trilha sonora da cidade. Contudo, outros sons e ritmos compõem essa trilha, cuja variedade está afinada com as agudas diferenças comportamentais de população estimada em 12, 3 milhões de habitantes.
Cidade que parece ter a dimensão social de um país, São Paulo também é a cidade da Cohab City (Netinho de Paula, 1995) – sucesso do grupo de pagode Negritude Jr. – e d’As mina de Sampa perfiladas com acidez e admiração por Rita Lee em música feita com Roberto de Carvalho e gravada no álbum Balacobaco (2003).
Perfeita tradutora musical da alma paulistana, Rita já expusera angústias dos paulistanos nos versos de E lá vou eu (1975), música que compôs para a trilha sonora da novela O grito (TV Globo, 1975 / 1976).
Esses cidadãos angustiados que vivem em São Paulo na medida do impossível também frequentam “os bares cheios de almas vazias” denunciados por Criolo em Não existe amor em SP (2011), clássico instantâneo do álbum Nó na orelha (2011), marco na trajetória deste rapper criado no Grajaú, bairro periférico que inspirou Grajauex (2011), outra música desse disco que consagrou o artista.
Na geografia social da cidade, o Grajaú está distante da Paulista, a avenida cheia de faróis prestes a abrir que parece conter um mundo inteiro – cenário da melancolia entranhada na letra de Paulista (1990), composição de Eduardo Gudin e J.C. Costa Neto lançada na voz límpida de Vânia Bastos.
E, quando dá blackout na Paulista, é hora de ouvir o som underground de Itamar Assumpção (1949 – 2003), compositor de Sampa midnight (1983), um dos muitos destaques de obra retratou São Paulo por viés noturno e vanguardista.
Itamar Assumpção (1949 – 2003) deixou obra autoral que retrata São Paulo com traços modernistas
Vania Toledo / Divulgação
Dentro desse universo modernista, cabe mencionar o flash cinzento de Ladeira da memória (Zécarlos Ribeiro, 1983) – hit alternativo do Grupo Rumo, contemporâneo de Itamar – e São Paulo, São Paulo (Oswaldo Luís, Mário Biafra, Claus Petersen, Wandi Doratiotto e Marcelo Galbetti, 1983), música do grupo Premeditando o Breque. “O clima engana, a vida é grana em São Paulo”, avisou, sério, o Premê, grupo associado ao humor.
Baiano que se aclimatou em São Paulo, o compositor Tom Zé também sempre fez pulsar a veia crítica ao cantar a cidade. Basta ouvir São São Paulo, meu amor – música com a qual venceu festival de 1968 – e o samba Augusta, Angélica, Consolação (1973), endereço de aflições expostas pelo autor de Correio da Estação do Brás (1978).
Se o também baiano Gilberto Gil fez em Punk da periferia (1983) há 38 anos o que se poderia chamar hoje de apropriação cultural, os legítimos punks mostraram que a chapa paulistana sempre esteve quente, sobretudo nas periferias.
Clássico do cancioneiro do movimento punk que explodiu em Sampa no alvorecer dos anos 1980, Pânico em SP (Clemente Nascimento, 1982), petardo do grupo Inocentes, retrata bem a aflição provocada nas periferias pelo barulho de sirenes.
São as sirenes tão fatais que a cidade tem demais, como alertaram os compositores Carlos Takaoka, Cláudio Carina e Sérgio P. Lopes em Documentário (1992), saborosa e pouco conhecida música que mapeia grande parte de São Paulo na voz de Rosa Marya Colin em gravação feita pela cantora com o pianista André Christovam no álbum Via paulista (1992).
Clemente Nascimento é autor de ‘Pânico em SP’, clássico do punk paulistano dos anos 1980
Matheus Evandro / Divulgação
Os sentimentos despertados pelas sirenes são bem diferentes da vibração criativa exposta por Marina Lima em #SPfeelings (2014) – música de álbum, Clímax (2014), pautado pela mudança da artista para a cidade de São Paulo (SP) após anos de vivência no Rio de Janeiro (RJ) – e da confiança juvenil de Mallu Magalhães na letra de São Paulo (2014).
E por falar em juventude, Rua Augusta (Hervé Cordovil, 1964) – rock lançado há 57 anos pelo cantor Ronnie Cord (1943 – 1986) nos primórdios do universo pop brasileiro – permanece como retrato perene da adrenalina que guia os manos paulistanos de posse um carro.
A Rua Augusta de Ronnie Cord exclui as paisagens mais escuras retratadas por Criolo e Emicida no rap Rua Augusta (Emicida e Casp, 2013), com versos sobre prostitutas cheias de hematomas na alma.
Do rap ao samba, passando pelo punk e pelos traços vanguardistas da turma que deu novo rumo à música da cidade a partir de 1980, a trilha sonora de São Paulo é tão diversificada e interessante quanto a metrópole que hoje completa 467 anos de intensa vida urbana.

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