Qual será a espécie dominante na Terra se os seres humanos forem extintos?


Aconteceu com os dinossauros, e pode acontecer conosco. Mas não é fácil descobrir quem dominaria o planeta se deixássemos de existir. Os dinossauros dominavam a Terra até que desapareceram há mais de 60 milhões de anos… Quem vai nos substituir?
ISTOCK via BBC
Com a ameaça das mudanças climáticas e da atual pandemia de coronavírus, mais e mais pessoas estão fazendo um alerta: nossa existência está em perigo.
Mas o que aconteceria se um dia os seres humanos deixassem de existir?
É muito provável que o fim da raça humana não signifique o fim do mundo: a Terra existia bilhões de anos antes de aparecermos e certamente continuaria a existir por muito mais tempo sem nós.
Além disso, os ambientalistas argumentam que, sem a presença dos maiores predadores (nós), a Terra provavelmente prosperará como nunca antes.
Mas como seria um mundo sem humanos? Quais outras espécies se tornariam dominantes?
Foi o que perguntou um ouvinte do programa da BBC “Os casos curiosos de Rutherford e Fry”, que se dedica a responder perguntas científicas enviadas pelo público.
Para encontrar a resposta para esse cenário hipotético, os cientistas Hannah Fry e Adam Rutherford, apresentadores do programa, consultaram o zoólogo Matthew Cobb.
Segundo Cobb, existem diferentes maneiras de definir o que constitui uma espécie “dominante”.
Pode ser que seja a espécie mais numerosa, por exemplo. Se formos levar isso em consideração, Cobb aponta para os insetos, que hoje são de longe a maior forma de vida.
Há muito mais insetos que humanos no mundo, e é provável que eles sobrevivam a nós
ISTOCK via BBC
Campeões microscópicos
No entanto, a especialista Kate Jones argumenta que, se vamos medir a dominância em termos de números, os verdadeiros vencedores são organismos muito, muito menores.
“Acho que as espécies dominantes foram, continuam sendo e provavelmente sempre serão os micróbios”, diz ela.
Segundo Jones, isso não se deve apenas a seu número e biomassa, mas também ao fato de que eles vivem em todos os tipos de habitats da Terra: da Antártica e do Ártico às saídas de ar no fundo do mar.
Eles também existem desde muito antes de nós: apareceram cerca de 3,5 bilhões de anos atrás (nós apenas há cerca de 6 milhões de anos).
E pode-se até dizer que eles já nos dominam, uma vez que em nossos corpos existem mais bactérias e outros micróbios do que células humanas.
Nós, humanos, conseguimos conquistar ou aniquilar o resto das espécies, mas a um grande custo para o planeta
ISTOCK via BBC
Os conquistadores
Mas se falamos de domínio em termos de quais espécies conquistaram ou destruíram outras, ou de seus habitats, não há dúvida de que os seres humanos até agora conquistaram o duvidoso título de “número um”.
“Basicamente, onde quer que vamos, nos livramos dos animais maiores – começando pelo mamute e pelo rinoceronte lanudo – e à medida que nos movemos pelo planeta, para onde vamos, eles desaparecem”, diz Cobb.
“Com o desaparecimento desses animais, o papel deles no ecossistema também foi perdido, então nossa chegada transformou o ecossistema de todo o planeta”, prossegue.
A espécie humana teve tanto sucesso nessa conquista destrutiva que muitos cientistas acreditam que estamos a caminho da Sexta Grande Extinção (houve cinco antes, a última eliminou os dinossauros e três quartos de toda a vida na Terra, 66 milhões de anos atrás).
Se isso acontecesse, quais espécies poderiam sobreviver?
A resposta pode ser encontrada analisando o que aconteceu nas extinções anteriores.
“Se você observar a história, a extinção segue um padrão, não é aleatória. Algumas espécies são mais propensas à extinção do que outras, e algumas características podem tornar as espécies mais precárias”, explica Rutherford, que é geneticista.
O astrônomo Phil Plait, conhecido como “O Mau Astrônomo” porque se dedica a desfazer mitos sobre o espaço, diz que uma coisa que as extinções passadas tinham em comum é que todas elas produziram uma profunda mudança no ambiente do planeta.
“Houve uma mudança climática repentina, mudanças ambientais repentinas, mudanças na química do solo, mudanças nas temperaturas da água e do ar, e provavelmente isso foi o que causou essas extinções.”
Mas, assim como a última extinção exterminou os dinossauros terrestres, dando origem ao surgimento e domínio do homem, que outro modo de vida poderia nos substituir se formos aniquilados?
“Acho que será uma espécie que possa se adaptar às novas condições”, diz Kate Jones. “Por exemplo, algo que pode comer plástico.”
No entanto, para além da especulação, Rutherford ressalta que a evolução é uma coisa muito difícil de prever.
“Sabemos que haveria coisas com olhos, coisas com asas. Haveria carnívoros, herbívoros, talvez plástico-voros. Mas para além disso, eu não gostaria de fazer previsões específicas”, diz ele.
Quem se atreveu a fazê-lo foi o geólogo escocês Dougal Dixon, que em 1981 publicou o livro Depois do homem: uma zoologia do futuro, no qual ele não apenas conta como imagina as espécies dominantes do futuro, mas também as ilustra.
Seguindo os princípios básicos da seleção natural, Dixon previu que cerca de 50 milhões de anos após o desaparecimento dos seres humanos, o mundo será dominado por morcegos de cinco pés e roedores gigantes.
Ciência ou ficção científica? Bem, a verdade é que não estaremos aqui para descobrir.

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Netos de Luiz Gonzaga divulgam ‘nota de nojo’ por uso de música do compositor em live de Bolsonaro

Netos de cantor e compositor Luiz Gonzaga divulgaram uma “nota de nojo” na qual repudiam o uso de uma música do avô em live do presidente Jair Bolsonaro na última quinta-feira (2).
A música é “Riacho do Navio”. Assina a composição, além de Luiz Gonzaga, Zé Dantas. Na abertura da live, a música foi tocada na sanfona e cantada pelo presidente o Instituto Brasileiro de Turismo (Embratur), Gilson Dantas. Ele alterou alguns versos da letra original para fazer referência ao fato de Bolsonaro ter inaugurado um trecho da transposição do rio São Francisco, no Ceará.
Os netos de Luiz Gonzaga que redigiram a nota são filhos do também músico Luiz Gonzaga do Nascimento Jr., o Gonzaguinha.
“Diante da impotência e da impossibilidade de processo por propaganda indevida, por dupla apropriação, da canção de Luiz Gonzaga e Zé Dantas e do projeto do Rio São Francisco; nós, filhos de Luiz Gonzaga do Nascimento Jr, netos de Luiz Gonzaga, o Gonzagão, apresentamos uma NOTA DE NOJO diante deste governo mortal e suas lives”, escreveram os netos do compositor Amora Pêra Gonzaga do Nascimento, Nanan Gonzaga, Daniel Gonzaga.
Procurada, a assessoria de comunicação da Presidência da República ainda não havia se manifestado sobre a nota até a última atualização desta reportagem.
Veja a íntegra da nota:
NOTA DE NOJO
Diante da impotência e da impossibilidade de processo por propaganda indevida, por dupla apropriação, da canção de Luiz Gonzaga e Zé Dantas e do projeto do Rio São Francisco; nós, filhos de Luiz Gonzaga do Nascimento Jr, netos de Luiz Gonzaga, o Gonzagão, apresentamos uma NOTA DE NOJO diante deste governo mortal e suas lives.
Governo que faz todos os gestos ao seu alcance para confundir e colocar em risco a população do Brasil, enquanto protege a si mesmo e aos seus.
Não estamos de acordo com o uso da canção Riacho do Navio, nem sua alteração, nem sua execução (com duplo sentido) pelo Senhor Gilson Machado Neto, presidente da Embratur, em transmissão ao vivo pelo Senhor Presidente.
E, AINDA QUE SIMBOLICAMENTE, não autorizamos ao Governo Federal o uso das canções assinadas por nenhum de nossos familiares, ou, ao menos, das respectivas partes que nos cabem.
Sonhamos com o dia em que nosso país volte a ser e a ter respeito e honestidade em relação à sua história, suas injustiças e desequilibrios.
Sonhamos o dia em que se volte a reconhecer, dentro do país, a importância da Cultura, das artes Brasileiras, e seu imenso legado por gerações, assim como o é em todo o mundo.
Sonhamos com o dia em que a informação e o conhecimento sejam distribuidos democraticamente à todes, para, apenas recomeçar, sanarmos essa doença que não faz distinção, além da social, como costuma ser na nossa violenta história. E depois, para que o poder e o espaço, em toda instância, possa ser equalizado e distribuido.
Sonhamos dias sem mortos pela violência do Estado, seja ela direta ou indireta.
Finalmente; sonhamos com quando poderemos dançar e cantar abraçados, sem medo, nos bailes de forró e nas tantas festas as quais o Brasil faz e das quais é feito.
Trabalhamos todos os dias por realizar estes sonhos, que não são apenas por nós, mas por todas as gentes deste país.
Por hora, trabalhamos em casa, cumprindo as indicações internacionais da Organização Mundial de Saúde e pedimos que, todos que possam, também o façam.
03/07/2020
Amora Pêra Gonzaga do Nascimento
Nanan Gonzaga
Daniel Gonzaga

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