Após nove anos, cantor Levi Lima anuncia nas redes sociais saída da Jammil e uma Noites: ‘Ciclo novo’


Segundo artista, decisão ocorreu porque busca novos projetos para carreira. Empresário do grupo disse que novo vocalista será anunciado ainda neste mês. Initial plugin text
O cantor Levi Lima anunciou nas redes sociais que não será mais vocalista da banda Jammil e uma Noites, onde atuou por nove anos. Na postagem, ele explicou que decisão ocorreu porque ele busca novos projetos para a carreira. O empresário do grupo, também pela internet, disse que o novo vocalista do grupo será anunciado ainda neste mês.
Levi fez um vídeo no domingo (5) para explicar a saída. Ele começou refletindo sobre os 20 anos de carreira e o quanto é grato pela passagem pela Jammil.
“Estou aqui para comunicar a todos vocês, que acompanham meu trabalho há 20 anos – 20 anos de carreira que eu faço este ano. Muito trabalho, muita dedicação, muitas conquistas, muitos sonhos realizados. Nove desses 20 anos fazendo parte da Banda Jammil e Uma Noites, na qual a gente pôde conquista muita coisa juntos, receber o carinho de muita gente. Impactar positivamente muitas vidas através da música. Superar as dificuldades e conquistar sonhos”, disse.
O arista pontou também que a saída ocorre porque ele tem procurado um novo estilo de vida, já que não estava mais se sentindo à vontade com o ritmo que vivia atualmente.
“Foram anos que vou levar para sempre na memória e com muito carinho e respeito. Mas não faço mais parte do grupo porque há algum tempo eu venho refletindo sobre a minha vida, sobre o modelo de vida, sobre o ritmo, o [estilo de vida] que eu não estava mais me sentido à vontade, não estava mais feliz de fato e precisava, depois desses 20 anos, de um período vivendo outras experiências, tendo uma rotina diferente. Colocar em prática que eu já tinha vontade de colocar há algum tempo.
Após nove anos como vocalista da Jammil e uma Noites, Levi Lima anuncia nas redes sociais saída da banda: ‘Ciclo novo’.
Reprodução/ Redes Sociais
Ainda na publicação, Levi comentou que a saída dele ocorreu de forma amistosa e elegante.
“Depois de muito tempo, de muita programação, de forma super amistosa e elegante, depois de cumprir com todos os meus compromissos junto com o grupo, com a equipe, chegou o momento de partir para esse ciclo novo. Mas eu estou aqui para, realmente, agradecer. Agradecer a todos vocês: fãs que apoiaram, que curtiram, que incentivaram durante todo esse período. Agradecer ao grupo, à banda: pela projeção, visibilidade, pelo carinho”, falou.
O artista comentou também que não tem previsão de seguir carreira solo, mas que pode considerar algum convite que “se sinta a vontade”.
“Sigo com meus novos projetos. Quero uma rotina diferente durante o período. Não tenho previsão de carreira solo, de fazer shows por agora. Se pintar alguma mensagem interessante, alguma composição que eu sinta vontade de compartilhar, eu posso gravar e compartilhar nas redes sociais. Mas, nos próximo períodos, anos, com certeza, vou estar me dedicando a outros projetos.
Após nove anos como vocalista da Jammil e uma Noites, Levi Lima anuncia nas redes sociais saída da banda: ‘Ciclo novo’.
Edgar de Souza/Divulgação
Também no domingo, Manno Góes, um dos empresários do grupo, comentou sobre a saída de Levi.
“Após 9 anos, a parceria da Banda Jammil e Uma Noites com o cantor Levi Lima não foi renovada. Em nome dos empresários, Paulo Borges e Manno Góes, o grupo agradece todos os momentos vividos nesse período com o cantor e deseja boa sorte”, disse em trecho da publicação.
Ainda segundo Manno, o novo vocalista será anunciado no final deste mês.
“Os empresários também anunciam que a renovação da banda já estava programada e o novo vocalista será anunciado no final deste mês. O Jammil vai contar uma nova história e será, mais uma vez, inesquecível!”, concluiu.
Confira mais informações do estado no G1 Bahia.

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Silvia Machete deixa extravagâncias tropicais para seguir a estética nova-iorquina de ‘Rhonda’


Cantora lança o primeiro álbum inteiramente em inglês, com repertório aquém da sonoridade sofisticada criada pelo produtor musical Alberto Continentino. Capa do álbum ‘Rhonda’, de Silvia Machete
Arte de Pedro Colombo
Resenha de álbum
Título: Rhonda
Artista: Silvia Machete
Gravadora: Biscoito Fino
Cotação: * * * 1/2
♪ Lançado neste mês de julho de 2020, o álbum Rhonda lembra que Silvia Gabriela de Lima Machado é uma das melhores cantoras surgidas no Brasil ao longo dos anos 2000. Pena que o Brasil, a rigor, ainda não saiba disso. Até porque, ao se apresentar como cantora e compositora em 2006 com o álbum Bomb of love – Música safada para corações românticos, já com o nome artístico de Silvia Machete, a artista surgiu envolvida em aura de irreverência que abafou a afinação e a emissão límpida da voz.
Artista de formação circense, Machete expandiu o conceito de “cantora eclética” ao fazer performances com o bambolê – número desde então sempre esperado nos shows da intérprete – e ao cantar em cima de um trapézio. Proezas do gênero ficaram eternizadas no álbum ao vivo e no DVD Eu não sou nenhuma santa (2008).
Por ora o melhor álbum de Machete, o posterior Extravaganza (2010) aparou excessos e mostrou que, sim, a cantora era mais interessante do que o bambolê, rendendo o CD e DVD Extravaganza ao vivo.
Ligeiramente menos inspirado, mas sedutor, o álbum Souvenir (2014) manteve Machete em tom mais “sério”, parcialmente desconstruído no posterior encontro com o cancioneiro espirituoso de Eduardo Dussek em show apresentado em 2016 em clima de cabaré circense – com bom equilíbrio entre humor e música – e eternizado no DVD Dussek veste Machete (2017).
Sétimo título da discografia de Silvia Machete, o álbum Rhonda rompe radicalmente com a estética de discos e shows anteriores de Machete – e não somente por ser álbum de repertório quase inteiramente autoral composto e cantado em inglês, mas sobretudo pela sonoridade esfumaçada que concilia ares de soul, funk e jazz, afastando Machete das extravagâncias tropicais.
É como se Rhonda fosse personagem atualmente encarnada por Machete para sintetizar a ampla vivência dessa cidadã carioca, não da gema, mas do mundo.
Como cantora e/ou artista de circo, Silvia Machete já transitou por cidades como Paris, Londres, Melbourne (onde se integrou à trupe australiana Circus Oz) e Nova York, cuja atmosfera musical parece guiar Rhonda.
Por mais que, aos ouvidos de seguidores da MPB, o título Rhonda possa remeter ao nome do samba-canção Ronda (Paulo Vanzolini, 1953), trilha sonora preferencial de São Paulo (SP), cidade onde Machete reside atualmente, o sétimo álbum da artista está impregnado da ambiência cosmopolita de Nova York (EUA).
Para ouvintes sem ciência da leitura da ficha técnica, Rhonda poderia passar perfeitamente como disco de cantora norte-americana – e não somente pelo fato de ser cantado em fluente inglês, cabe enfatizar novamente.
Silvia Machete canta músicas de Tim Maia e Rafael Torres no repertório majoritariamente autoral do álbum ‘Rhonda’
André Mantelli / Divulgação
O repertório é composto por parcerias recém-abertas por Machete com o carioca Alberto Continentino, o paulistano Emerson Villani e o norte-americano Nick Jones.
Baixista requisitado na cena contemporânea brasileira, Continentino é nome fundamental na refinada arquitetura de Rhonda por ter produzido e arranjado o álbum, além de ser parceiro da artista em seis das 11 músicas (Carrousel, Forget to forget e I love missing you, entre elas).
Fora da seara autoral, Machete atualiza o soul de balada de Tim Maia (1942 – 1998) – With no one else around, gravada pelo cantor em 1976 para disco em inglês lançado efetivamente em 1978 – e dá voz a So many stars, canção do compositor cearense Rafael Torres que encerra o álbum Rhonda em clima de new bossa.
A sonoridade do disco é sofisticada – mérito de Continentino e de músicos como Guilherme Monteiro (guitarra), Vitor Cabral (bateria), Chicão (teclados) e do tecladista norte-americano Jason Lindner, colaborador da balada Great mistake (Silvia Machete e Emerson Villani).
Já o repertório fica muitas vezes aquém do som e do cancioneiro de álbuns como Extravaganza. Cabe destacar a sensual canção Lips (Silvia Machete e Alberto Continentino) – envolvida em arranjo cheio de camadas – e Soon (Alberto Continentino e Thomas Harres), balada que exemplifica o tom interiorizado, por vezes cinzento, de parte do repertório de Rhonda, com destaque para o toque climático da guitarra de Guilherme Monteiro.
Roteirista de séries norte-americanas como Glow e Orange is the new black, Nick Jones é parceiro de Machete e Continentino em Messy eater, faixa de pegada de jazz-funk-latin.
Situado entre o tom soft soul de Cactus (Silvia Machete e Emerson Villani) e a batida funkeada de One of the kids you know (Silvia Machete e Alberto Continentino), o álbum Rhonda sinaliza que Machete poderia ter sido mais rigorosa na seleção de repertório para que o Brasil e – quem sabe? – o mundo descubram a tempo que Silvia Gabriela de Lima Machado canta muito bem.

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