Conheça o Jac iEV 1200T, o primeiro caminhão elétrico à venda no Brasil


Modelo de 8 toneladas ‘furou’ a fila do Volkswagen e-Delivery, que só chega no fim de 2020. Ele pode rodar até 250 km, e cada recarga custa R$ 50. Conheça o Jac iEV 1200T, o primeiro caminhão elétrico à venda no Brasil
Caminhões elétricos nas grandes cidades serão realidade antes de carros elétricos. Não trata-se de achismo, mas a certeza de muita gente na indústria.
Uma dessas pessoas é Sergio Habib, responsável pela Jac Motors no Brasil.
A empresa, aliás, mudou seu foco no país algumas vezes – de carros populares importados, para a produção nacional, depois para SUVs, e, agora, finalmente para veículos elétricos.
Volkswagen anuncia plano para produção e vendas de caminhões elétricos no Brasil
G1 também dirigiu o caminhão elétrico da Volkswagen
Jac iEV 1200T, o primeiro caminhão elétrico à venda no Brasil
Fábio Tito/G1
A aposta é, na mesma medida, ousada e promissora. Além dos três automóveis elétricos, a chinesa vai completar a linha com uma picape e um caminhão, este último, o primeiro do tipo no Brasil.
O G1 conheceu, com exclusividade, o iEV 1200T, caminhão com capacidade para 8 toneladas que começa a ser entregue aos clientes em junho, mas já está à venda por R$ 305 mil.
5 fatos importantes sobre o 1º caminhão elétrico à venda no Brasil
ele pode rodar 250 km com uma recarga, que custa, em média, R$ 50
o preço, de R$ 305 mil, é, em média, R$ 120 mil mais alto do que rivais a diesel
sua proposta é de fazer entregas urbanas, rodando cerca de 100 km por dia
nesse caso, o investimento extra deve se pagar em 6 anos
a idade média da frota de caminhões leves é de 13,9 anos
Aposta ousada
Baterias do Jac iEV 1200T ficam nas laterais, abaixo do baú
Fábio Tito/G1
Suas baterias de 97 kWh garantem autonomia para rodar até 250 km com uma carga. Já o motor elétrico, posicionado abaixo da cabine, entrega 176 cavalos e 122 kgfm. A potência até fica próxima de um similar a diesel, mas o torque é praticamente o dobro.
Só que 750 kg da capacidade de carga são “roubados” pelas baterias. Por isso, o caminhão, que originalmente levaria 7 toneladas, chega ao peso bruto total (PBT) de 8 toneladas, sendo classificado como modelo leve.
‘Furando’ a fila
G1 também testou o caminhão elétrico criado no Brasil pela Volkswagen
O iEV 1200T chega como pioneiro, mas não está sozinho nesse mercado. Desde 2017, a Volkswagen desenvolve e testa seu caminhão elétrico, o e-Delivery, também já testado pelo G1. Rodando por São Paulo em parceria com uma empresa de bebidas, começa a ser produzido em Resende (RJ) no final deste ano – e, por isso, será o segundo a chegar às ruas.
No entanto, E-Delivery e iEV 1200T não são concorrentes diretos. Enquanto o Volkswagen tem peso bruto total de 14 toneladas, além de uma futura versão de 11 toneladas, o Jac tem PBT de 8 toneladas, e possibilidade de uma configuração de 3,5 toneladas, que deve chegar em 2021.
Veja as características dos dois caminhões elétricos do Brasil
Fotos: Fábio Tito e Marcelo Brandt/G1. Arte: Aparecido Gonçalves/G1
Criado para as cidades
Apesar da diferença de tamanho, os dois caminhões têm a mesma finalidade: transporte urbano em curtas distâncias. Essa deve ser a grande aplicação para caminhões elétricos – e talvez a única na qual ele seja mais vantajoso do que similares a diesel.
Antes de falar do ponto de vista financeiro, é preciso lembrar o esforço que as cidades têm feito para reduzir as emissões de poluentes.
Caminhão elétrico da Jac, o iEV 1200T tem vocação urbana
Fábio Tito/G1
Dezenas delas já implantaram as chamadas “zonas de baixa emissão”, com limites cada vez mais rígidos de poluentes. Com isso, caminhões muitos caminhões a diesel acabam sendo proibidos de rodar, obrigando as fabricantes a oferecerem mais opções limpas – como elétricos.
Alguns exemplos são Londres, Paris, Barcelona, Berlim e Tóquio. “Daqui 7 anos, tenho dúvidas de quem vai vender caminhão leve a diesel no Brasil”, diz, Habib.
E como anda?
Quem está acostumado a dirigir um caminhão a diesel não deverá ter grandes problemas para se acostumar com um elétrico. Na cabine, a maior diferença é a alavanca para seleção de marchas – a mesma usada no iEV40.
O iEV 1200T não tem marchas, como quase todos os veículos elétricos. É preciso selecionar entre drive e ré, além da posição neutra.
Apesar de quadro de instrumentos ter conta-giros, ele não é funcional – tela mostra autonomia e nível da bateria do Jac iEV 1200T
Fábio Tito/G1
Um item que faz falta é o assistente de partida em rampas. Ele impede que o veículo vá para trás no intervalo entre o motorista tirar o pé do freio e acelerar. Isso, aliado ao fato de que é preciso pisar no pedal com vigor para que o caminhão (principalmente carregado) se mova, acaba tornando arrancadas em subidas menos confortáveis.
Em movimento, o caminhão mostra desenvoltura, e se move com agilidade pela cidade. Para ter eficácia nas frenagens, também é preciso pisar com vontade no pedal da esquerda.
Mesmo com seus 6 metros de comprimento e 2,16 m de largura, as manobras são facilitadas por câmeras espalhadas pela carroceria: uma na dianteira, uma em cada retrovisor, e uma na traseira.
Câmera no retrovisor ajuda na hora de manobrar os 6 metros do iEV 1200T
Fábio Tito/G1
Diferença no bolso
Pode parecer exagero, principalmente porque, no Brasil, não há iniciativa do tipo. Até por isso, a Jac usa outro argumento para convencer clientes. Custo de operação mais baixo, apesar de o preço de compra ser cerca de R$ 120 mil mais alto.
A conta é simples. Devem ser considerados os custos de manutenção e combustíveis, aqui fornecidos pelas fabricantes e pela Agência Nacional do Petróleo, a ANP, respectivamente.
Seguindo esse raciocínio, para um caminhão leve a diesel, cada quilômetro rodado custa entre R$ 1 e R$ 1,05.
Em um modelo elétrico, que não tem um motor cheio de partes móveis sujeitas à quebras e necessidade de trocas, o custo dos reparos é bem mais baixo. Além disso, é possível recarregar o veículo durante a noite, quando o preço da energia elétrica é mais baixo.
Caminhão elétrico da Jac promete custo com abastecimento até 4 vezes mais baixo do que similares a diesel
Fábio Tito/G1
Ainda existe a possibilidade de usar uma estação gratuita – o número de postos vem crescendo rapidamente em São Paulo. Outra vantagem é que o iEV 1200T usa o mesmo plugue que praticamente todos os carros elétricos à venda no Brasil, do Tipo 2.
Caso só consiga fazer a recarga paga, o valor total do km rodado varia de R$ 0,23 a R$ 0,33, cerca de 5 vezes menos do que em um similar a diesel, de acordo com as contas da Jac.
Considerando que um caminhão desse porte rode 100 km por dia, durante os 250 dias úteis de um ano, os R$ 120 mil do investimento podem ser pagos em 6 anos. Isso é menos da metade da idade média dos caminhões leves que rodam no país, 13,9 anos, segundo a ANTT, a Agência Nacional dos Transportes Terrestres.
Veja as diferenças de custos entre um caminhão elétrico e um a diesel
Arte: Aparecido Gonçalves/G1
Imagem também conta
Além de ser mais econômico a longo prazo e infinitamente mais ecológico, os caminhões elétricos ainda passam uma imagem melhor para o público.
Basta rodar alguns quilômetros em um veículo com adesivos de “100% elétrico” ou “Zero emissões” para atrair olhares. “O consumidor quer comprar coisas de quem respeita o meio ambiente”, disse Habib.
Até por isso, os caminhões cedidos para testes de empresas como a Pepsico, gigante multinacional do setor de alimentos, terão grandes adesivos exaltando as características do iEV 1200T.
“Essa iniciativa faz parte da meta global da companhia, que é a redução de 20% nas emissões de gases poluentes em todas as operações até 2030”, disse Ítalo Portes, gerente da cadeia de suprimentos da Pepsico Brasil.
A empresa, aliás, é uma das 8 primeiras clientes da Jac. Além dela, a EDP, empresa portuguesa fornecedora de energia também adquiriu unidades do modelo. As outras, entre elas, uma rede de farmácias, e uma fabricante de bebidas, têm o nome mantido em sigilo.
Caminhão elétrico da Jac está sendo testado empresa de alimentos
Arte: Aparecido Gonçalves/G1
No caso da Pepsico, uma unidade roda pelas ruas de São Paulo desde o final de fevereiro, para a distribuição de salgadinhos em pequenos mercados e padarias. O objetivo é finalizar o programa-piloto em até 60 dias.
Desde janeiro, a Jac diz já ter vendido 40 unidades. Até o fim do ano, a previsão é emplacar pelo menos 200 exemplares do iEV 1200T.
Se tudo der certo, a empresa pretende adquirir, inicialmente, 10 unidades do iEV 1200T. E, a partir daí, renovar a frota de cerca de 2 mil caminhões, substituindo de 40 a 80 veículos a diesel por elétricos, por ano.
Cabine do Jac iEV 1200T leva até três ocupantes
Fábio Tito/G1
Vai pegar?
Mais rápido do que se imagina, caminhões elétricos serão realidade, principalmente em cidades com restrições de circulação por emissão de poluentes.
As contas mostram que, em alguns anos, a diferença no valor de compra se paga, considerando custos mais baixos de manutenção e recarga com energia. E, o mais importante, isso acontece antes da idade média para troca da frota.
Caminhão elétrico da Jac, o iEV 1200T tem vocação urbana
Fábio Tito/G1