Banco Mundial piora previsão para o PIB do Brasil e para o crescimento mundial em 2019

Instituição estima avanço de 1,5% na economia brasileira em 2019. Previsão para o crescimento global foi revista para 2,6%, abaixo dos 2,9% projetados no começo do ano. O Banco Mundial revisou para baixo nesta terça-feira (4) as suas previsões para o crescimento mundial e também para o desempenho do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2019.
A instituição acredita agora que o Brasil irá crescer 1,5% neste ano, ante previsão anterior de 2,2%, divulgada em janeiro. Para 2020, a previsão é de alta de 2,5% do PIB.
As projeções do Banco Mundial são um pouco mais altas do que as do relatório Focus, elaborado pelo Banco Central com base na projeção de analistas das instituições financeiras. Para 2019, a expectativa de expansão da economia na pesquisa do BC caiu na última semana para 1,13%. Foi a 14ª queda consecutiva do indicador.
Desaceleração da economia global
Para a economia global, o Banco Mundial passou a estimar um crescimento de 2,6% em 2019, abaixo dos 2,9% projetados no começo do ano e do avanço de 3% registrado em 2018. Para 2020, a previsão é de uma leve recuperação, para um avanço de 2,7%.
Entre as economias em desenvolvimento e de mercados emergentes, o crescimento deve desacelerar para 4% em 2019, o nível mais baixo em quatro anos.
“O ímpeto atual da economia permanece fraco, enquanto a elevação dos níveis de endividamento e a moderada expansão do investimento nas economias em desenvolvimento estão impedindo os países de atingirem seus potenciais. Os países precisam urgentemente fazer reformas estruturais significativas que melhorem o clima de negócios e atraiam investimentos. Também necessitam priorizar a gestão e a transparência da dívida, para que novas dívidas aumentem o crescimento e o investimento”, afirmou o presidente do Grupo Banco Mundial, David Malpass.
Principais riscos
Entre os principais riscos para o crescimento mundial, o Banco Mundial destaca as tensões comerciais entre Estados Unidos e China, problemas estruturais que desestimulam o investimento e desacelerações mais acentuadas do que o esperado em vários países, sobretudo na zona do euro, “devido a exportações e investimentos mais fracos”.
Para os EUA, a previsão é que o crescimento recue para 2,5% neste ano e desacelere para 1,7% em 2020.
Já entre as economias em desenvolvimento e de mercados emergentes, a estimativa do Banco Mundial é que crescimento deve cair para 4% em 2019, o nível mais baixo em quatro anos, antes de se recuperar e subir 4,6% em 2020.
Para a América Latina e Caribe, a previsão é de crescimento de 1,7% em 2019, passando para 2,5% em 2020, em meio à expectativa de recuperação dos investimentos e do consumo no Brasil. Para a Argentina, o Banco Mundial projeta queda de 1,2% do PIB em 2019 e alta de 2,2% em 2020. Para o México, a estimativa é de avanços de 1,7% em 2019 e 2% em 2020.
“Embora quase todas as economias enfrentem ventos desfavoráveis, os países mais pobres têm diante de si os desafios mais difíceis devido à fragilidade, ao isolamento geográfico e à pobreza arraigada”, disse a Vice-Presidente de Crescimento Equitativo, Finanças e Instituições do Banco Mundial, Ceyla Pazarbasioglu. “A menos que possam entrar em uma trajetória de crescimento mais acelerado, a meta de reduzir a pobreza extrema em 3% até 2030 permanecerá inalcançável.”