‘Tive câncer de língua. Foi um choque’, diz sobrinha-neta de Tarsila

Tarsila do Amaral, sobrinha-neta da artista plástica, teve câncer de língua

Tarsila do Amaral, sobrinha-neta da artista plástica, teve câncer de língua
Arquivo pessoal

“Eu não sabia que existia câncer na língua e quando descobri foi um choque”, afirma Tarsila do Amaral, 54, sobrinha-neta de uma das maiores artistas plásticas brasileiras de mesmo nome e adminstradora de sua obra.

Ela faz parte dos 15 mil brasileiros que desenvolvem a doença todos os anos. O Brasil é o terceiro país com o maior número de casos no mundo, de acordo com o Inca (Instituto Nacional de Câncer). Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), 90% dos casos estão ligados ao fumo e álcool e a maior incidência ocorre em homens a partir dos 50 anos. 

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“Em apenas 20 anos esse tipo de câncer aumentou cerca de 225%, apesar do número de fumantes ter diminuído. O principal fator pode ser o HPV, o papiloma vírus, que é capaz de acelerar o desenvolvimento desse tumor”, afirma a oncologista Juliana, do Centro de Excelência Oncológica.

O caso de Tarsila foi atípico. “Nunca fumei e não bebo. Sempre levei uma vida saudável. Então, há pouco mais de cinco anos, uma afta apareceu na minha língua. Ela não só não desaparecia, como crescia cada vez mais. Procurei minha dentista e ela falou para eu buscar um médico”, afirma.

Juliana Ominelli ressalta que a higiene oral adequada e consultas regulares ao dentista têm importância fundamental para o diagnóstico precoce. “Ao notar machucado ou afta que não melhore por mais de duas semanas, o recomendado é procurar um médico. A visita ao dentista ajuda a detectar lesões pré-malignas e ao diagnostico precoce”, afirma.

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Segundo o oncologista Marco Aurelio Kulcsar, chefe de clínica da cirurgia de cabeça e pescoço do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo, quando diagnosticado precocemente, o câncer de língua tem 90% chance de cura. 

Além de aftas insistentes, outros sintomas são feridas na boca que não cicatrizam após um período maior do que 15 dias, manchas brancas ou vermelhas, nódulos na região, dor e dificuldade para mastigar ou engolir.

No caso da sobrinha-neta da artista plástica, ela descobriu a doença quatro meses após seu início. Ela conta que os exames mostraram que o tumor estava evoluindo, mas ainda era possível a realização de cirurgia para sua retirada.

“Após o procedimento, realizei quimioterapia e radioterapia por cerca de três meses”, diz.

Ela ainda precisou fazer sessões que fisioterapia e fonoaudiologia para recuperar os movimentos da garganta e se readaptar à fala e à deglutição devido à retirada de parte da língua.

Mesmo com o fim do tratamento, Tarsila afirma que ainda é difícil comer ou beber certos alimentos, pois queimam a garganta. “Tenho que comer devagar e como pouco. A retirada de parte da língua dificultou um pouco a fala, mas hoje, consigo conversar bem. Apenas algumas palavras que são mais difíceis”, diz.

O oncologista Andrey Soares, do Centro Paulista de Oncologia (CPO), explica que o câncer de língua é considerado de baixa agressividade, raramente produzindo metástase. “Contudo, pode se espalhar pelos tecidos vizinhos e por isso precisa ser removido. Por ser uma doença silenciosa e com sintomas que podem ser confundidos com outras doenças, é comum que o tumor seja descoberto muitas vezes em estágio avançado”, afirma.

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Como está associado, de forma geral, ao estilo de vida, entre as formas de prevenção ele orienta a evitar o tabagismo, o consumo de bebidas alcóolicas e relações sexuais desprotegidas. 

“Além da higiene oral feita de forma inadequada, uma dieta pobre em minerais e vitaminas e a exposição aos raios UVA e UVB sem proteção nos lábios também podem contribuir para o aparecimento do câncer de boca”, finaliza.

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