Petrobras espera vender US$ 10 bilhões em ativos no 1º semestre, diz presidente da companhia


Roberto Castello Branco disse que desinvestimentos serão realizados nos próximos quatro meses. Ele reiterou que o foco da Petrobras é se dedicar à exploração do pré-sal. O presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, disse nesta sexta-feira (15) que a companhia irá arrecadar somente no primeiro semestre deste ano cerca de 70% do que recebeu em 2018 com a venda de ativos. O programa de desinvestimentos da empresa, ele reiterou, tem como foco concentrar as operações na exploração o pré-sal.
“Já existia um programa de vendas ativos, mas agora temos um programa muito mais agressivo de desinvestimentos. Eu acredito que, nos primeiros 4 meses do ano, nós vamos ter realizado desinvestimentos de US$ 10 bilhões”, disse o CEO durante evento na Fundação Getúlio Vargas, no Rio.
O montante esperado corresponde a 71% dos US$ 14 bilhões arrecadados no ano passado.
Castello Branco lembrou que, em 2018, a Petrobras registrou seu primeiro lucro contábil após quatro anos consecutivos de prejuízos. “Isso é fantástico, mas nós estamos muito atrás. Isso é fruto da excessiva interferência estatal na empresa”, enfatizou.
Para melhorar o desempenho financeiro, ele defende a melhora na alocação de capital. “Isso significa o foco em ativos onde nós somos o dono natural, de onde podemos extrair o máximo possível”, disse, apontando a camada o pré-sal como o ativo principal da companhia hoje.
Roberto Castello Branco durante cerimônia de posse como presidente da Petrobras, no Edifício Sede da companhia, no Rio de Janeiro, em janeiro deste ano
Mauro Pimentel/AFP
Segundo Castello Branco, quatro empresas já o procuraram querendo se associar à Petrobras para a exploração de águas profundas. “Ninguém veio celebrar a Petrobras pelas nossas refinarias e campos maduros”, disse.
Refino e distribuição são os ativos que a companhia quer se livrar com prioridade. “São exatamente os ativos que outros podem explorar melhor. Esses ativos podem gerar muito mais valor para a economia brasileira nas mãos de outros e nós podemos usar esses recursos para investir mais nas áreas prioritárias”, defendeu.
Castello Branco ressaltou que a Petrobras “não quer ser monopolista de nada”. Atualmente, a estatal tem 98% da capacidade de refino no país. “Isso é um absurdo. Vamos vender refinarias para tirar qualquer tentação de exercício do poder do monopólio”.
Sonho de privatizar a Petrobras
Logo no início de sua palestra, Roberto Castello Branco endossou a opinião dos presidentes do Banco Central, Joaquim Levy, e do Banco do Brasil, Rubens Novaes, em defesa da privatização da grande maioria das empresas públicas. Todos participaram do evento promovido pela FGV voltado à discussão sobre a chamada nova economia liberal.
“Com exceção do Banco Central, o Banco do Brasil deveria ser privatizado, a Caixa Econômica privatizada e o BNDES, extinto, e a Petrobras também privatizada. Esse sempre foi meu sonho”.
Ele comparou a postura brasileira diante da americana em relação ao intervencionismo estatal. “Para os americanos a empresa privada é prioritária. Aqui no Brasil é exatamente o inverso”, disse. Segundo ele, é essa visão que criou “um problema muito sério em termos de crescimento econômico”.