Sobe para 43 o número de mortos na queda de ponte em Gênova, na Itália

Vítimas começaram a ser enterradas. Centro de convenções virou local de orações coletivas. Empresa responsável pela ponte anunciou um fundo para ajudar famílias das vítimas. Sobe para 43 o número de mortos na queda de ponte em Gênova, na Itália
Na Itália, subiu para 43 o número de mortes no desabamento de uma ponte na cidade de Gênova. As vítimas da tragédia começaram a ser enterradas neste sábado (18).
O centro de convenções virou um local de orações coletivas e, por algumas horas, as críticas e as acusações se calaram.
“O coração de Gênova foi arrancado, mas a cidade não vai se entregar”, disse o arcebispo.
Centenas de pessoas compareceram para se despedir de 19 vítimas da tragédia.
Andrea estava a caminho do trabalho quando a Ponte Morandi desabou. Os amigos garantiram que vão cuidar da mulher e do filho dele. Roberto, Ersilia e o jovem Samuel iam visitar parentes. Os franceses William e Nathan viajavam para a Sardenha.
O número de mortos subiu neste sábado (18). Um homem que estava hospitalizado não resistiu aos ferimentos e mais quatro corpos foram encontrados embaixo dos escombros.
Muitas famílias optaram por cerimônias particulares, longe dos holofotes. Outras fizeram questão de boicotar o evento público, em protesto contra as autoridades.
Elas foram em peso: o presidente italiano, Sergio Mattarella; o primeiro-ministro, Giuseppe Conte. No fim da tarde, o diretor da empresa responsável pela ponte, a Autoestrada para a Itália, falou à imprensa.
Giovani Castellucci anunciou um fundo para ajudar as famílias das vítimas. Ele se defendeu das críticas de omissão e confirmou que uma nova ponte, de aço, será construída ao lado da que desabou.
O objetivo é erguer de volta a principal via de acesso a Gênova em oito meses.

Em 30 anos Brasil, perdeu 71 milhões de hectares de vegetação, diz pesquisa

Desde 1985 satélites americanos fotografam todas as regiões do planeta. É como se Mato Grosso do Sul, São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo tivessem sido tirados do mapa. Mapeamento inédito mostra que o Brasil perdeu 71 milhões de hectares de vegetação nativa
Um levantamento inédito revela que em 33 anos, o Brasil perdeu 71 milhões de hectares de vegetação nativa, equivalente ao tamanho dos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo e Mato Grosso do Sul.
Lá de cima, os satélites estão de olho na gente. Há mais de 30 anos, um projeto da Nasa, a agência espacial americana, e do Serviço Geológico dos Estados Unidos fotografa cada pedaço do planeta várias vezes ao ano.
O volume gigantesco de informações foi usado por um grupo de 30 organizações não-governamentais, universidades e empresas para fazer um mapa do que aconteceu no território brasileiro desde 1985.
Há 33 anos, os tons de verde – a vegetação nativa – ainda cobriam bem mais da metade do território do Brasil. Aos poucos, o verde foi sumindo. Ainda representa uma grande porção do Brasil, mas 71 milhões de hectares de vegetação desapareceram.
Para se ter uma ideia do que isso significa, é como se os estados de Mato Grosso do Sul, São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo fossem tirados do mapa do Brasil.
Metade disso foi na Amazônia. O bioma que perdeu a maior proporção da área foi o cerrado. Ficou 18% menor. Em 33 anos, a área da agricultura aumentou três vezes e a usada pela pecuária cresceu 43%.
“O desmatamento dá para dividir em três grandes fases no Brasil. A fase que foi mais acentuada foi em 2004, no final dos anos 90 até 2005, 2006. Depois teve uma queda bastante acentuada no período seguinte. Desde 2005 até 2012, 2013 já é um ritmo bem menor no desmatamento”, explica Tasso Azevedo, coordenador do MapBiomas.
Avenida Paulista, cheia de prédios, de carros, agitada, barulhenta. Um dia tudo foi Mata Atlântica, como um parque no coração de São Paulo. Em todo o Brasil restaram 12,5% da Mata Atlântica original. Sobrou pouco, mas esse pouco resiste. Em sete estados, o desmatamento foi praticamente zero em 2017.
Nesses 33 anos, a Mata Atlântica perdeu cinco milhões de hectares, mas, nos últimos dez anos, a tendência se inverteu: em alguns estados, a regeneração superou o desmatamento.
Os dados do projeto MapBiomas podem ser usados para fiscalizar o desmatamento e ajudar o país a crescer sem destruir.
“Dá para fazer as duas coisas. É possível conciliar o desenvolvimento do Brasil aliado à conservação da natureza. Basta vontade política e a participação da sociedade”, afirmou Marcia Hirota, diretora-executiva da Fundação SOS Mata Atlântica.