Zé Manoel desnuda o coração em álbum influenciado pela escuta de discos de artistas negros


Compositor e pianista alinha nove canções em repertório autoral gravado com produção musical do baixista Luisão Pereira. ♪ Inicialmente intitulado Meu coração escuta e dita em silêncio, o terceiro álbum de estúdio do cantor, compositor e pianista Zé Manoel teve o nome trocado para Do meu coração nu e é com esse título definitivo – mais forte e mais sonoro – que o disco chega ao marcado fonográfico em 26 de outubro em edição da gravadora Joia Moderna.
Uma semana antes, em 19 de outubro, o artista – pernambucano de Petrolina (PE) que reside há anos na cidade de São Paulo (SP) – lança o single Adupé Obaluaê.
Trata-se da segunda amostra do álbum produzido por Luisão Pereira – com arranjos de Alberto Continentino, Rafael Marques e Stephane San Juan – e anunciado em junho com o single História antiga (Zé Manoel).
O álbum Do meu coração nu alinha nove músicas no inédito repertório autoral. Notre historie (Zé Manoel e Stephane San Juan) e Pra iluminar o rolê (Zé Manoel) estão entre as composições do álbum gravado por Zé Manoel com participações da poeta pernambucana Bell Puã e da cantora baiana Luedji Luna.
Em rede social, Zé Manoel esmiuçou as referências embutidas no pulso do álbum Do meu coração nu. “Lá em casa tinha um toca discos. Camila (Yasmine, amiga e conterrânea do artista) trazia vinis, quase sempre de artistas pretos e a gente passava tardes ouvindo música, conversando, sonhando. (Ela) me apresentou coisas que, na época, eu sequer imaginava que existiam. Balé folclórico da Bahia, Missa Luba, Os Cantores de Ébano. Lembro quando, anos mais tarde, ela chegou com o CD de Lauryn Hill, novidade quentinha, nos idos dos anos 2000. Pensei nesses encontros com Camila várias vezes durante a feitura do novo disco. É um disco dedicado a essas lembranças, dedicado aos irmãos e irmãs pretxs e indígenas, à música que eu ouvia, fora das aulas de piano, onde eu estudava Ernesto Nazareth, Chiquinha Gonzaga, Zequinha Abreu”, contextualiza Zé Manoel, a respeito desse primeiro álbum de estúdio e de músicas inéditas desde Canção e silêncio (2015), disco que deu projeção ao artista.