Yungblud vem ao Lolla com pop punk para pessoas que se sentem ‘oprimidas’ ou ‘rejeitadas’


‘Vejo como o Queen, Oasis, Eminem, Lady Gaga, Marilyn Manson impactaram o mundo, como eles mudaram a cultura. É isso que faz meu olho brilhar’, diz cantor britânico ao G1. Yungblud é uma das atrações do sábado (4) do Lollapalooza 2020
Divulgação
“Eu nasci em um século confuso, meus doces favoritos são anfetaminas de framboesa.” Essa confissão está em “Parents”, música de um cara chamado Yungblud.
Como bom membro da geração Z, o cantor britânico de 22 anos fala sobre relacionamentos, ansiedade e depressão em suas letras.
O nome artístico de Dominic Richard Harrison surgiu de uma gíria americana, algo como “novinho”. Ele era, de fato, o artista mais novo do escritório de seu empresário.
Cheio de atitude, Yungblud é visto como um dos nomes de um pop punk ouvido pelos também novinhos com menos de 25 anos. Ele canta no sábado (4) do Lollapalooza 2020.
PROGRAMAÇÃO do Lollapalooza
O contato com a música foi natural e começou desde criança. O pai tinha uma loja de instrumentos e o avô já tocou uma vez com a banda T. Rex nos anos 70.
Mas hoje, o que ele quer mesmo é “mudar a cultura”. “Vejo como o Queen, Oasis, Eminem, Lady Gaga, Marilyn Manson impactaram o mundo, como eles mudaram a cultura. É isso que me inspira e motiva”, afirma ao G1.
Com cabelo pintado e maquiagem, Yungblud diz que sentiu, por muito tempo, que não poderia ser quem ele é. Foi na música que encontrou espaço seguro.
Na entrevista abaixo, o artista fala sobre as expectativas de tocar no Brasil e se ser artista ajuda ou atrapalha a lidar com suas crises de ansiedade.
Yungblud na capa de ’21st Century Liability’
Divulgação
G1 – Como crescer em uma família musical impactou na vontade de ser músico?
Yungblud – A música está sempre ao nosso redor e meio que você tem a possibilidade de amar ou odiar. Eu, definitivamente, me apaixonei. Eu tenho o poder de mudar a cultura com a música, e foi por isso que eu me apaixonei.
Vejo como o Queen, Oasis, Eminem, Lady Gaga, Marilyn Manson impactaram o mundo, como eles mudaram a cultura. É isso que faz meu olho brilhar, não apenas se uma música é boa ou não. Como a música pode mudar a cultura, é isso que mais me inspira.
G1 – Nas entrevistas, nos shows, você parece sempre muito animado. De onde vem tanta energia?
Yungblud – Cara, eu não sei. Provavelmente eu sou um desses bons e velhos ingleses que tentam aproveitar a experiência. Além disso, eu finalmente posso ser eu mesmo, então isso me deixa animado o tempo inteiro.
O cantor Yungblud
Divulgação/Live Nation
G1 – Você costuma falar sobre depressão, relacionamentos, relação de jovens com os pais.
Yungblud – A minha vida inteira senti que eu não deveria ser eu mesmo, porque as pessoas tentavam me colocar em uma caixa, mesmo que eu não consiga me encaixar nela.
“As pessoas tentam fazer isso, porque é mais fácil delas conseguirem nos controlar, mas caixas são para cereais, não para seres humanos.”
G1 – Que pessoas?
Yungblud – Líderes juvenis, professores e outras pessoas em posições de poder. Eu usava maquiagem, lápis de olho e as pessoas não conseguiam entender. Com a minha música, eu quero que as pessoas que pensam que não se encaixam em lugar nenhum achem o seu lugar.
Se você sente que não pertence a nenhum lugar, então você está comigo, porque me sentia assim também. Quero que as pessoas que se sentem ou sentiram oprimidas e que foram rejeitadas por ser do jeito que são se sintam bem aqui.
G1 – Você já disse que tem depressão e ansiedade. Com toda a pressão e cobrança, ser um artista te ajuda ou atrapalha?
Yungblud – Me ajuda porque me permite achar as “minhas pessoas” e ser eu mesmo. Quando eu achei os meus fãs, eu senti que poderia ser eu mesmo, não importa o quê.
O cantor Yungblud em ação durante show
Divulgação/Live Nation/Joey Tortuga
G1 – Justo. Isso quer dizer que você não liga muito para a opinião dos outros?
Yungblud – As pessoas vão falar o que elas querem e têm o direito de fazer isso. Eu decidi espalhar apenas amor, união e igualdade. Esse é o meu objetivo.
G1 – Li em uma entrevista que você é ‘viciado’ em fazer shows. Você pode descrever a sensação quando você está no palco?
Yungblud – É como se tudo desaparecesse. No palco, eu estou com as pessoas que eu deveria ter estado durante toda a minha vida, mas não sabia que as encontraria até agora.
Eu olho para eles [público], eles me olham de volta, e nem precisam falar nada. Essas pessoas salvaram a minha vida, e eu penso “vocês me fazem sentir que não há nenhum problema na Terra”.
G1 – Você fez uma parceria com Dan Reynolds, do Imagine Dragons, em ‘Original Me’. A banda fala bastante sobre depressão, tem um discurso motivacional. É uma influência para você?
Yungblud – Ele é incrível. Somos bem parecidos e cheios de energia. O Imagine Dragons é um grande exemplo para mim, porque eles criaram uma cultura de pessoas que sentem amor e isso realmente cria um elo entre elas.
G1 – Quais são as expectativas para tocar aqui no Brasil?
Yungblud – Mal posso esperar para tocar no Brasil. Vocês são um povo tão apaixonado, eu sou assim também. Quero passear, quero andar pelas multidões. Quis visitar o Brasil minha vida inteira e agora finalmente essa hora chegou. Que sorte.