Youtuber da direita dos EUA diz que ‘psicose’ o fazia espalhar boatos

Alex Jones, criador do Infowars, disse que divulgou boatos por sofrer de 'psicose'

Alex Jones, criador do Infowars, disse que divulgou boatos por sofrer de ‘psicose’
Jim Lo Scalzo / EPA / EFE / 5.9.2018

Alex Jones, um dos principais propagadores de conteúdo da extrema-direita nos EUA, disse a um juiz que espalhou teorias da conspiração, como a de que o tiroteio na escola Sandy Hook não passou de uma encenação de grupos que buscavam o controle de armas nos EUA, porque sofria “de um tipo de psicose”.

O criador do site Infowars deu essa declaração em uma das diversas ações em que responde por difamação, movidas por pais das 20 crianças e familiares dos 6 adultos mortos pelo atirador Adam Lanza na escola Sandy Hook, em Newtown (no estado de Connecticut), no dia 14 de dezembro de 2012.

O vídeo com as declarações de Jones foi divulgado na última semana. “Eu tive quase uma forma de psicose no passado, que basicamente me fazia pensar que tudo era uma encenação, e agora sei que muitas coisas não são encenadas. Então como comentarista, alguém que dava usa opinião, sabe, minhas opiniões estavam erradas”, diz o youtuber.

O depoimento faz parte de um processo aberto por Leonard Pozner e Veronique De La Rosa, pais de um menino de 6 anos que foi morto por Adam Lanza. Segundo eles, os boatos espalhados por Jones fizeram com que a família fosse ameaçada e precisasse mudar de cidade. O youtuber afirmava que Veronique recebeu dinheiro para fingir que estava de luto pelo filho.

Culpa da mídia

Além de um suposto problema psicológico, Jones tentou culpar a mídia por seus ataques. Afirmou que tem “trauma das mentiras da mídia e das grandes corporações”.

“Você acaba não confiando mais em ninguém, como uma criança cujos pais mentem e mentem e mentem, logo ela não sabe mais o que é real e o que não é”, disse o comentarista em seu depoimento.

No entanto, nem mesmo sob juramento e sendo julgado, Jones diminuiu sua retórica. Em um programa na semana passada, ele chegou a questionar até mesmo o suicídio de Jeremy Richman, pai de uma das vítimas do massacre de Sandy Hook.

“Como vou ter um julgamento justo com algo assim? É um suicídio aparentemente. Mas vai ser investigado pela polícia? Eles vão procurar as câmeras de segurança? O que aconteceu com esse cara? Nem mesmo sabemos se ele não foi assassinado. A mídia vai mentir a respeito de novo, como sempre”, alegou.

Divulgação restrita

Depois de anos como um dos principais representantes da extrema-direita norte-americana, Jones e o Infowars estão em apuros. Além das dezenas de processos por difamação abertos por suas vítimas, ele ainda viu sua fonte de rendimentos secar desde 2018.

Todas as principais empresas que atuam na distribuição de conteúdo digital, incluindo Twitter, Facebook, Apple, YouTube e Spotify baniram o radialista e todos os seus programas, por violar suas regras contra o discurso de ódio. Há meses, suas alternativas para espalhar seu discurso — assim como novos boatos e teorias da conspiração — estão cada vez mais restritas.