Wilson Simoninha segue suingue de ‘Correnteza’ para lembrar os 20 anos da morte de Simonal


Cantor lança single com regravação de música apresentada na voz do pai, morto em 25 de junho de 2000. ♪ Em agosto de 1968, o cantor Wilson Simonal (23 de fevereiro 1938 – 25 de junho 2000) alcançou pico de popularidade na carreira já ascendente com o lançamento da gravação de Sá Marina.
Música da parceria dos compositores Antonio Adolfo e Tibério Gaspar (1943 – 2017), celebrados de 1967 a 1970 pela criação de obra rotulada como “toada moderna”, Sá Marina se tornou o maior sucesso de Wilson Simonal até então. Tanto que, em dezembro daquele ano de 1968, o cantor lançou single com a gravação de outra música então inédita de Adolfo e Gaspar, Correnteza.
É essa música menos conhecida que o filho de Simonal, Wilson Simoninha, regrava em single programado estrategicamente para ser lançado nesta quinta-feira, 25 de junho de 2020, dia em que a morte do intérprete original de Sá Marina completa exatos 20 anos.
Ao seguir o lirismo cheio de suingue de Correnteza para lembrar as duas décadas em que Simonal está fora de cena, Simoninha joga luz sobre gravação pouco ouvida da fase áurea da discografia do pai.
Ofuscada pelo sucesso fenomenal de Sá Marina, o registro fonográfico de Correnteza por Simonal acabou restrito aos compactos simples e duplo editados pela gravadora Odeon em dezembro de 1968.
A música Correnteza nunca integrou o repertório de álbum de Simonal. Tanto que, em 2004, a gravação de Correnteza foi selecionada para ser uma das 41 faixas de coletânea dupla de Simonal intitulada Singles, lados B e raridades, editada pela gravadora EMI Music com fonogramas menos conhecidos da obra do cantor na Odeon.
Capa do single ‘Correnteza’, de Wilson Simoninha
Divulgação
Na regravação de Simoninha, Correnteza ressurge simbolicamente com o toque do piano de Antonio Adolfo, um dos compositores da música. Integrante do Trio 3D, Adolfo – cabe lembrar – já tinha tido o caminho profissional cruzado com o de Simonal anos antes de Sá Marina por ter atuado como músico acompanhante do artista em shows feitos pelo cantor em boates do Beco das Garrafas entre 1964 e 1965.
Curiosamente, Correnteza ressurge na voz de Simoninha sem deixar de evocar indiretamente Sá Marina através de solo da gaita de Gabriel Grossi. É que, no toque da gaita de Grossi, houve a intenção de remeter ao estilo de Stevie Wonder, cantor norte-americano que regravou Sá Marina nos 1971 com o título de Pretty world.
Na visão de Simoninha, ao gravar essa versão em inglês de Sá Marina, Stevie jogou luz sobre o canto de Wilson Simonal, primeiro popstar negro do Brasil.
Correnteza é o quinto título da série de singles de Simoninha intitulada Na minha quarentena eu canto assim, iniciada há exatamente um mês, em 25 de maio, com a edição do single com regravação de Moro no fim da rua (Luiz Wagner e Tom Gomes, 1970), outro lado B da discografia de Wilson Simonal.
Na sequência, Simoninha editou singles com reciclagens de Minha música (Wilson Simoninha, 2017), Carnaval e réveillon (Viagens) (Max de Castro, 1995) e Palco (Gilberto Gil, 1981) até desaguar em Correnteza nesta última semana de junho.