‘WandaVision’ rompe com padrão dos filmes e é começo ousado para séries da Marvel; G1 já viu


Primeira série estrelada por heróis do universo cinematográfico da editora estreia nesta sexta-feira (15) no Disney+. Depois de mais de 20 filmes nos últimos 13 anos, o universo cinematográfico da Marvel é um sucesso inegável. A primeira série estrelada pelos heróis dos filmes, “WandaVision”, mostra que o estúdio não tem medo de quebrar o padrão responsável por bilhões de dólares em bilheterias.
Estrelada pelo casal Wanda Maximoff e Visão, interpretado mais uma vez por Elizabeth Olsen e Paul Bettany, a produção estreia seus dois primeiros episódios nesta sexta-feira (15) na plataforma de vídeos Disney+. O resto da temporada de nove capítulos no total sairá semanalmente.
Sem grandes sequências de ação, pelo menos nos três episódios disponibilizados ao G1, “WandaVision” é a maior ruptura da forma de contar histórias do estúdio até o momento – e um começo promissor que pode levar as adaptações dos quadrinhos a novos públicos.
‘WandaVision’ ganha trailer; ASSISTA
Super-herói só no papel
A série até pode ser estrelada por super-heróis dos quadrinhos e cinema, mas está longe de parecer pertencer ao gênero.
Ignorando o fim trágico do sintozóide (humano sintético) em “Vingadores: Guerra Infinita” (2018), a história começa com a mudança do casal para um típico subúrbio americano, tirado direto de uma comédia da TV dos anos 1950 ou 1960. Casa grande, gramado com arbustos bem cuidados e até fotografia em preto e branco.
Tudo lembra uma produção da época. Do figurino ao humor físico com direito a risadas nas gravações, “WandaVision” seria apenas uma ótima homenagem a programas no estilo “I love Lucy” – não fosse pela constante sensação de que há algo de errado entre tanta perfeição.
Visão além do alcance
Olsen apareceu pela primeira vez como a Feiticeira Escarlate dos quadrinhos em “Capitão América 2: O Soldado Invernal” (2014).
Paul Bettany e Elizabeth Olsen em cena de ‘WandaVision’
Divulgação
Já Bettany começou a dublar Jarvis, o sistema operacional da armadura de Tony Stark que depois viraria o Visão, ainda no primeiro “Homem de Ferro” (2008).
A química entre os dois, pouco explorada nos curtos momentos do casal em “Guerra Infinita”, faz com que sua escalação para os papéis pareça quase planejada.
Juntos, eles conseguem transmitir credibilidade a um casal de ficção científica em um ambiente de sitcom em duas cores.
As Feiticeiras
Entre trapalhadas e confusões como um jantar surpresa com o chefe conservador de Visão, com direito a pratos voadores pela cozinha à lá “A Feiticeira” (série dos anos 1960 cujo título fica ainda mais cheio de referência em português), “WandaVision” dá pistas de que as coisas não são o que parecem.
Kathryn Hahn em cena de ‘WandaVision’
Divulgação
Mesmo que os indícios sejam jogados aos poucos, a história não perde o ritmo e sustenta – em grande parte graças ao talento de seus protagonistas e do ótimo elenco de apoio, que conta ainda com Kathryn Hahn (“Transparent”) e Debra Jo Rupp (“That ’70s show”).
O que no início ecoa como o clima da série “Vision” nos quadrinhos, na qual o herói tentava viver uma vida normal com uma família sintética no subúrbio, aos poucos ganha força própria, ainda mais quando a produção ganha cores e evolui para uma narrativa mais parecida com o dos anos 1970.
Estreia promissora
Com três episódios assistidos, ainda é difícil dizer que a série seja o sucesso retumbante que a Marvel precisa em sua primeira empreitada fora dos cinemas.
Paul Bettany e Elizabeth Olsen em cena de ‘WandaVision’
Divulgação
Tentativas anteriores com variados graus de êxito – “Agents of Shield”, da extinta Marvel Television, ou “Demolidor”, da Netflix, por exemplo – não foram realizadas pelo estúdio.
E a editora da Disney ainda tem o desafio de atrair novos assinantes ao serviço de vídeos sob demanda com futuros lançamentos, como “Falcão e o Soldado Invernal” e “Loki”.
Por melhor que seja, “WandaVision” ainda exige muito conhecimento prévio de seu extenso catálogo de filmes. Mas se a empresa continuar a investir em novas ideias, e sobretudo em qualidade, tem tudo para manter os fãs satisfeitos por um bom tempo.
Paul Bettany e Elizabeth Olsen em cena de ‘WandaVision’
Divulgação