Voz e imagem épica de Tarcísio Meira estão eternizadas até em discos


Single lançado pelo ator em 1975 é raridade do mercado fonográfico. ♪ MEMÓRIA – Nos anos 1970, era relativamente comum que atores de novelas gravassem discos, às vezes cantando, mas, na maioria das vezes, recitando poemas e/ou letras de músicas. Em qualquer dos casos, a imagem do galã sempre aparecia estampada na capa do disco.
É por isso que a voz e a imagem épica de Tarcísio Meira (5 de outubro de 1935 – 12 de agosto de 2021) – o grande ator que saiu de cena na manhã de ontem, enlutando o Brasil – também estão eternizadas até em discos, e não somente nas capas dos LPs editados com trilhas sonoras de novelas (como Roda de fogo, de 1986) e filmes protagonizados pelo ator.
Além da imagem, Tarcísio Meira tem a voz perpetuada em dois discos. A estreia do ator no mercado fonográfico foi há 50 anos no LP com a trilha sonora original da novela O homem que deve morrer, exibida pela TV Globo de 14 de junho de 1971 a 8 de abril de 1972.
No disco da novela, protagonizada pelo ator na pele do médico Ciro Valdez (alegoria da figura de Jesus Cristo transformada em extraterrestre por ação da censura federal), Tarcísio divide com a mulher Glória Menezes – intérprete de Esther na trama de Janete Clair (1925 – 1982) – a récita dos versos de O mesmo sol, tema do compositor Nonato Buzar (1932 – 2014).
Gravada no estilo duas vozes e um violão, a faixa com o casal fechou o LP editado pela gravadora Som Livre em 1971.
Capa do single ‘O reencontro / O rompimento’, lançado por Tarcísio Meira em 1975
Reprodução
♪ Quatro anos mais tarde, em 1975, ano em que seduziu o Brasil como o empreendedor Antônio Dias, protagonista da novela Escalada (TV Globo), Tarcísio Meira voltou ao disco. Desta vez, sem estar na pele de nenhum personagem.
Naquele ano de 1975, o artista gravou single em que recitava dois textos de autoria do escritor Lauro César Muniz, autor da novela Escalada. A récita de O reencontro tem como fundo musical a canção Moonlight serenade (Glenn Miller e Mitchell Paris, 1939), tema, aliás, incluído na trilha sonora de Escalada.
Já O rompimento é ouvido ao som de Bless the beasts and childen (Barry de Vorzon e Perry Bolkin Jr., 1971).
O single – ou compacto simples, no jargão fonográfico brasileiro da época – de Tarcísio Meira foi lançado pela mesma gravadora, Som Livre, que editava as trilhas sonoras de novelas da TV Globo nos anos 1970, década em que o ator gravou os dois discos.