‘Volta às aulas presenciais na UFRJ é inviável’, dizem pesquisadores diante da alta de casos de Covid com a variante delta


Segundo documento, divulgado nesta sexta-feira (13), cobertura vacinal ainda é muito baixa para garantir a segurança no campus universitário. Mapa das variantes no RJ mostra, em preto, que a delta já é predominante em 30 municípios
Reprodução/TV Globo
Pesquisadores da UFRJ divulgaram nesta sexta-feira (13) uma análise que leva em conta a tendência de aumento de casos de Covid por causa da variante delta, e que inviabilizaria o retorno normal às atividades presenciais na universidade.
A análise foi produzida por pesquisadores que integram o Grupo de Trabalho Multidisciplinar para Enfrentamento da Covid da UFRJ. Segundo eles, o cenário é de alerta.
“Existe a tendência de que nas próximas semanas a variante delta provoque a aceleração do número de casos de Covid na cidade e no estado do Rio de Janeiro. A volta de grande número de alunos à universidade, aumentando a mobilidade e a concentração de indivíduos neste período de disseminação dessa variante em nosso estado, seria, a nosso ver, de grande risco para a população, pois propiciaria o surgimento de novas variantes”, afirma o documento do grupo, que é coordenado pelo professor Roberto Medronho.
Cobertura vacinal ainda não garante segurança
Para os pesquisadores, a cobertura vacinal no Brasil e no estado do Rio, apesar de estar avançando, ainda é muito baixa, especialmente no grupo etário mais jovem, que constitui grande porcentagem dos alunos da universidade.
“Estima-se que a cobertura vacinal acima de 70% dos indivíduos com esquema vacinal completo seria uma faixa segura para o início das medidas de flexibilização, desde que não haja a introdução de nova variante associada a escape imunológico das vacinas em uso”, explica.
Os pesquisadores finalizam o texto chamando a atenção, “em especial dos tomadores de decisão, para a delicada situação pandêmica atual” no estado do Rio de Janeiro.
“Reiteramos que as medidas devem levar em conta esse cenário preocupante. Somente a ampliação da cobertura vacinal completa, a testagem em massa e a extrema cautela ao se adotarem possíveis medidas de flexibilização podem conter a pandemia”, concluem.