Vila Isabel aprende lição de 2020 ao eleger Martinho da Vila o enredo da escola no Carnaval de 2021


Homenagem é justa porque laureia compositor que, desde os anos 1960, tem dado grandes contribuições à agremiação. ♪ ANÁLISE – A Unidos de Vila Isabel mostra que aprendeu a lição dada pelo Carnaval de 2020 ao anunciar nesta segunda-feira, 2 de março, a escolha de Martinho da Vila para enredo da escola no desfile de 2021.
Na apuração do Carnaval do Rio de Janeiro de 2020, a agremiação amargou um oitavo lugar injusto para muitos espectadores do desfile da Vila Isabel. Há quem tenha apontado o enredo Gigante pela própria natureza – Jaçanã e um índio chamado Brasil – fábula indígena desenvolvida pelo carnavalesco Edson Pereira para exaltar Brasília (DF) – como o vilão responsável pela má colocação que excluiu a Vila Isabel do desfile das campeãs.
Pois, se o resultado decepcionante foi causado em parte pela falta de empatia popular do enredo, a escola se previne e se escora em 2021 na força de bamba cuja trajetória no meio do samba tem os caminhos cruzados com a história da Vila Isabel.
Aos 82 anos, Martinho José Ferreira é, para o Brasil, Martinho da Vila desde meados dos anos 1960. Mais precisamente desde 1965, ano em que o cantor, compositor e ritmista fluminense ingressou na Vila Isabel, iniciando escalada meteórica na escola, da qual atualmente é presidente de honra.
Basta lembrar que Martinho, com parceiros e/ou sozinho, emplacou quatro sucessivos sambas-enredos nos Carnavais de 1967 (Carnaval das ilusões), 1968 (Quatro séculos de modas e costumes), 1969 (Yayá do Cais Dourado) e 1970 (Glórias gaúchas).
Logo depois, Martinho compôs sozinho outro samba antológico, Onde o Brasil aprendeu a liberdade, para o enredo criado pela escola para o Carnaval de 1972.
A Vila Isabel também desfilou com sambas-enredos de Martinho (com parceiros como Rodolpho de Souza e Graúna) nos Carnavais de 1980 (Sonho de um sonho), 1984 (Pra tudo se acabar na quarta-feira, obra-prima do gênero, da lavra solitária de Martinho) e 1987 (Raízes), entre outros.
Por todo esse histórico de (grandes) contribuições do sambista à escola, a decisão da Vila Isabel de celebrar a vida e a obra de Martinho é, mais do que justa, merecida pelo compositor.
Agora nas mãos do carnavalesco Edson Pereira, a homenagem era para ter acontecido há dez anos, no Carnaval de 2010, mas o próprio Martinho abriu mão de ser enredo na ocasião em defesa do tributo ao centenário de nascimento do compositor carioca Noel Rosa (1910 – 1937). O próprio Martinho assinou o samba do enredo Noel – A presença do poeta da Vila.
Em 2021, enfim, é a vez dele, Martinho José Ferreira, o da Vila, ser enredo que já desponta instantaneamente entre os campeões da preferência popular.