Vestibular da Unicamp: coronavírus e queixas de estudantes fazem Comvest reduzir lista de livros


Número caiu de sete para 12 títulos este ano para evitar prejuízos pelo fechamento de escolas e bibliotecas. Vestibular de 2022 terá dez obras, em vez de 12. Lista tem romance da primeira mulher moçambicana a publicar livro do gênero no país africano. José Alves de Freitas Neto, diretor da Comvest, decide reduzir livros cobrados aos vestibulandos este ano e no vestibular de 2022.
Mirela Von Zuben/G1
A Comissão Permanente para os Vestibulares da Unicamp (Comvest) reduziu de 12 para sete o número de livros de leitura obrigatória para o Vestibular 2021, que terá a primeira fase em 22 de novembro deste ano. O objetivo é garantir o acesso aos títulos mesmo durante a pandemia do novo coronavírus. A divulgação ocorreu nesta segunda-feira (4).
Houve redução também na lista para o próximo vestibular, 2022, cujo número de livros caiu de 12 para 10. Coordenador executivo da Comvest, José Alves Freitas Neto afirma que foi feita uma análise dos resultados de processos seletivos anteriores considerando queixas de alunos e professores.
“É preferível que os candidatos tenham menor número, mas que tenham a possibilidade de fato de ler as obras, poder estudar e poder interpretá-las”, explicou Freitas Neto.
Segundo ele, essa mudança também assimila a situação do coronavírus para alunos de 1º e 2º anos do ensino médio.
“A redução tem a ver com o contexto, mas também com uma mudança que é definitiva. É uma diminuição mais drástica para 2021, mas uma mudança paulatina para 2022, de termos dez obras, considerando que devem ser lidas e funcionam por três anos”, disse.
Houve, ainda, troca de quatro títulos para 2022. Veja a lista abaixo de quais saíram e os que passam a ser cobrados no lugar.
Racionais MC’s está na lista de obras usadas no vestibular da Unicamp
Reprodução/Prova Unicamp 2020/Comvest
Vestibular 2021
As obras que permaneceram são de domínio público ou de fácil acesso pela internet. Deixaram a lista os livros que a comissão entendeu que seriam mais difíceis de serem encontrados com a suspensão do funcionamento de bibliotecas e escolas.
Além disso, houve a preocupação de manter a diversidade dos gêneros literários.
“Nós temos basicamente obras publicadas há muito tempo, portanto são de domínio público. Autores clássicos como Camões, Machado de Assis e Fernando Pessoa, e o único texto mais recente é o do álbum dos Racionais, mas que você consegue tanto pela letra quanto pela música encontrar em qualquer site”.
“Pedir 12 obras em um ano que você tem menos acesso à informação seria um motivo de preocupação extra para os estudantes e poderia acabar prejudicando”, resumiu Freitas Neto.
Lista para o Vestibular Unicamp 2021:
Sonetos escolhidos, de Camões;
Sobrevivendo no Inferno, do grupo Racionais Mc’s;
O Espelho, de Machado de Assis;
O Marinheiro, de Fernando Pessoa;
A Falência, de Júlia Lopes de Almeida;
O Ateneu, de Raul Pompeia;
Sermões, de Antonio Vieira.
*Ficam excluídas as obras: A teus pés; O seminário dos ratos; História do cerco de Lisboa; Quarto de despejo; A cabra vadia.
Vestibular 2022
Além da retirada de dois livros, outros quatro deram lugares e novas obras obrigatórias. Dentre as novidades estão Carta de Achamento do Brasil, de Pero Vaz de Caminha, e Niketche – uma História de Poligamia, de Paulina Chiziane.
Paulina é uma mulher moçambicana que concluiu a obra em 2002. Ela é a primeira escritora do país a publicar um romance. Segundo o coordenador da Comvest, o livro aborda o cotidiano e tem foco no papel da mulher na sociedade do país africano.
“Trata-se de uma escritora de Moçambique, é a primeira mulher a escrever um romance, então portanto essa obra tem um lugar, foi publicada 2002. É um assunto que expressa a realidade e o cotidiano naquele país. Escrito em primeira pessoa, onde você tem uma questão relacionada a poligamia, no caso do marido, ao amor, a condição feminina e o papel da mulher dentro dessa sociedade de Moçambique”.
Freitas Neto afirma que as substituições na lista ocorrem de forma cíclica. Livros que são cobrados há mais tempo, cerca de quatro a cinco anos, dão lugar a outros, sempre mantendo a diversidade de gêneros literários e os vários momentos da produção literária da língua portuguesa.
“Padre Vieira saiu, mas entra a Carta de Achamento do Brasil, um documento histórico muito relevante do Pero Vaz de Caminha, e que ali tem os protocolos de retórica, narrativos daquilo que faz parte da tradição letrada brasileira”.
A nova lista tem seis gêneros literários (poesia, conto, teatro, romance, crônica e carta/relato de viagem) e dez autores (Camões, Racionais, Olavo Bilac, Ligia F. Telles, F. Pessoa, Paulina Chiziane, Júlia Lopes de Almeida, Machado de Assis e Pero Vaz de Caminha).
Lista para o Vestibular Unicamp 2022:
Livros que foram substituídos:
Sermões, de Antonio Vieira
História do Cerco de Lisboa, de José Saramago
A teus pés, de Ana Cristina César
O Espelho, de Machado de Assis

Livros que entram no lugar:
Carta de Achamento do Brasil, de Pero Vaz de Caminha
Niketche – uma História de Poligamia, de Paulina Chiziane
Tarde, de Olavo Bilac
Bons dias, de Machado de Assis

Livros que já estavam e permanecem:
Sonetos escolhidos, de Camões
Sobrevivendo no Inferno, do grupo Racionais Mc’s
O Marinheiro, de Fernando Pessoa
A Falência, de Júlia Lopes de Almeida
O Ateneu, de Raul Pompeia
O Seminário dos Ratos, de Lygia Fagundes Telles

Livros excluídos:
Obras Cabra vadia, de Nelson Rodrigues
Quarto de despejo, de Carolina Marina de Jesus
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