Veja 10 dicas para melhorar a produção de mel

Associação Abelha reúne boas práticas para o manejo das abelhas. O Globo Rural deste domingo (14) mostrou como boas práticas podem melhorar o manejo das colmeias e, com isso, aumentar a renda dos apicultores.
A Associação Abelha tem muita informação sobre a atividade, e criou até um manual com 10 dicas para cuidar dos apiários. São elas:
Estabelecer uma programação anual de manejos
Nunca se esquecer da importância de preparar as colmeias antes do início das floradas
Manter apiários com um número de colmeias adequado para alta produção, mesmo que sejam poucas
Trocar as rainhas a cada ano por rainhas selecionadas
Iniciar a alimentação suplementar de estimulação 50 dias antes da florada
Durante o manejo, para estimular o crescimento das colmeias, atentar-se à importância de ampliar o espaço das caixas sempre que necessário para que as colmeias não enxameiem
Durante a florada, revisar as colmeias a cada sete dias de forma rápida e cuidadosa
No caso de apiários migratórios, com intervalos entre as floradas, instalar o apiário na próxima área pelo menos 40 dias antes do início da floração
Manter o registro de produção por apiário (e não por colmeia) é fácil e permite ao apicultor ter noção de sua produção média por colmeia
Usar fotografias e filmagens nas colmeias é uma ótima maneira de registrar o comportamento das abelhas
Os detalhes sobre cada uma das dicas estão na página da associação na internet, que conta também com uma biblioteca que reúne publicações sobre a legislação e outras informações valiosas para quem quer produzir mel.
Também é possível entrar em contato pelo telefone (11) 3433-6782 e pelo e-mail faleconosco@abelha.org.br.
Ganho 54% maior
Um dos que aproveitaram esses conhecimentos foi Maurício do Amaral, que trabalha com as chamadas colmeias itinerantes, que vão mudando de lugar seguindo o calendário das floradas.
Com a ajuda e assistência técnica da associação, montou um apiário experimental em Itatinga (SP) com 20 colmeias. “A gente trabalhou com 10 colmeias no método normal, que é capturar o enxame na natureza e explorar o que ele produz, e 10 enxames manipulados, com as boas práticas”, explica.
O resultado, apareceu na hora da colheita do mel. Amaral faturou R$ 3 mil a mais nas 10 colmeias manejadas adequadamente, uma diferença de 54% sobre as outras.
Seleção das rainhas
“Antes de a gente instalar o apiário experimental, nós fizemos a seleção das rainhas virgens para introduzir no grupo A do apiário experimental”, explica a Kátia Aleixo, bióloga da Associação Abelha.
“Essa seleção foi baseada em duas características: nós observamos quais foram as colmeias mais produtivas do apiário na safra passada e, dentro dessas mais produtivas em mel, selecionamos as menos defensivas. A gente queria colmeias produtivas, mas que nos atacassem menos”, completa.
Reforço alimentar
O passo seguinte foi garantir que as abelhas ficassem bem alimentadas nos períodos de entressafra das culturas, quando há poucas flores no campo.
Para isso, foi usada alimentação suplementar tanto proteica quanto energética, para estimular o enxame crescer antes da florada do eucalipto.
“Isso foi feito 50 dias antes da florada do eucalipto, para que elas entrassem na florada bastante populosas”, diz Kátia. “O que significaria mais abelhas coletando néctar e armazenando para produção do mel.”
“Então, assim que elas passaram pela florada do eucalipto, nós trouxemos para florada da laranja, 40 dias antes, e continuamos com alimentação suplementar.”
A ração de proteína que Amaral usa é formada por extrato de soja, levedo de cerveja desativado, aminoácidos, sais minerais e vitaminas. Custa em torno de R$ 120 o saco com 20 kg.
O cocho com a ração deve ser colocado a uns 10 metros do apiário. Além de proteína, as abelhas recebem um alimento energético, à base de açucares, como o vhp e o açúcar invertido. Ambos são comprados prontos no mercado.
Dividir enxames
Outra prática importante: como as rainhas são novas e as abelhas, bem alimentadas, a tendência é que os enxames fiquem populosos, com muitas operárias. Por isso, ao longo do ano, as colmeias mais fortes devem ser divididas.
“Agora depois que acabar a safra, você pega os enxames e começa a dividir”, ensina. “Colocar a rainha, dividir ele e colocar uma rainha nova, selecionada, para formar um novo enxame para próxima safra.”