Vanguart fica bem na foto ao se enquadrar na moldura folk do disco acústico ‘Intervenção lunar’


Trio programa para 2022 a edição de ‘Oceano rubi’, sequência do álbum produzido com Fabio Pinczowski. Capa do disco ‘Intervenção lunar’, da banda Vanguart
Nina Bruno
Resenha de álbum
Título: Intervenção lunar
Artista: Vanguart
Edição: Deck
Cotação: * * * 1/2
♪ Com sete músicas que totalizam menos de 30 minutos se ouvidas em sequência, o sexto álbum da banda Vanguart, Intervenção lunar, também pode ser caracterizado como EP.
E talvez seja essa a forma mais adequada de perceber o disco apresentado na sexta-feira, 17 de setembro, com capa que expõe imagem do acervo da fotógrafa Nina Bruno.
Até porque um segundo álbum (ou EP), Oceano rubi, já está pronto e tem lançamento previsto para fevereiro de 2022 com mais músicas inéditas formatadas em estúdio entre dezembro de 2020 e fevereiro deste ano de 2021 nas mesmas sessões que juntaram Helio Flanders (voz, violão, trompete, piano e gaita), Reginaldo Lincoln (voz, violão de 12 cordas, baixo, guitarra, bandolim, órgão e percussão) e Fernanda Kostchak (voz e violino) com o produtor musical Fabio Pinczowski.
Os quatro assinam juntos a produção musical do disco Intervenção lunar em trabalho, a bem da verdade, iniciado em novembro de 2019, mês em que o Vanguart gravou duas músicas em estúdio sob a batuta de Pinczowski.
Uma delas, Sente (Reginaldo Lincoln, 2019), foi apresentada em single editado em dezembro daquele ano de 2019. As outras seis músicas do disco Intervenção lunar permaneceram inéditas até a edição desse álbum com formato de EP em que o Vanguart se apresenta e se assume oficialmente como trio, já que o guitarrista David Dafré deixou o grupo em 2019.
Reginaldo Lincoln (à esquerda), Helio Flanders, Fernanda Kostchak e Fabio Pinczowski (à direita) em estúdio
Instagram / Helio Flanders
Formatos e formações à parte, a safra autoral de Intervenção lunar resulta de bom nível. Basta ouvir Canção para o sol – balada apaixonada da lavra de Helio Flanders, gravada com cordas arranjadas por Felipe Pacheco Ventura – para atestar a inspiração.
Parceria de Flanders com Reginaldo Lincoln, Vamos viver abre o disco com pegada pop que remete aos caminhos mais solares seguidos pelo Vanguart desde o álbum Muito mais que o amor (2013), ao qual se seguiu Beijo estranho (2017), outro álbum de inéditas sem a melancolia do som inicial da banda.
Intervenção lunar é disco acústico que segue essencialmente por trilha folk, pontuada pelo toque do violino de Fernanda Kostchak, incisivo na música-título Intervenção lunar (Reginaldo Lincoln) e na já mencionada Vamos viver.
Aliás, Kostchak debuta como cantora e compositora em Intervenção lunar, solando a canção autoral Lá está com melancolia na voz e na canção que remete aos primeiros sons do Vanguart.
Suas coisas favoritas (Reginaldo Lincoln) desce bem o rio, conduzida pela bela harmonização das vozes de Helio Flanders e Reginaldo Lincoln, além da viola de João de Pierro, entre ecos distantes do som ruralista de nomes como Sá & Guarabyra.
No arremate de Intervenção lunar, disco gravado pelo Vanguart com o reforço de Kezo Nogueira na bateria e percussão, Vento do metrô (Helio Flanders) espalha, no toque da gaita de Flanders, evocações do universo country-folk e da obra de Bob Dylan, compositor norte-americano cuja obra foi revisitada com reverência pelo grupo no último álbum do Vanguart.
No geral, o Vanguart fica bem na foto, dentro da moldura acústica desse bom álbum (ou EP…) Intervenção lunar.