‘Vale Tudo’ chega ao Globoplay com discussão sobre corrupção e pergunta que parou o Brasil: Quem matou Odete Roitman?


Novela de Gilberto Braga, Aguinaldo Silva e Leonor Bassères abordou falta de ética, alcoolismo e sofreu censura federal por mostrar homofobia. Relembre a trama e veja curiosidades e fotos. Beatriz Segall como Odete Roitman em ‘Vale Tudo’, personagem que a consagrou
Acervo TV Globo
Escrita a três mãos, “Vale tudo” foi ao ar entre maio de 1988 e janeiro de 1989 com discussões sobre corrupção, falta de ética e uma pergunta que parou o país: “Quem matou Odete Roitman?”. Ainda atual, a trama poderá ser revista a partir desta segunda-feira (20), no Globoplay.
Para ajudar a entrar no clima, o G1 publica curiosidades sobre a novela, com dados do Memória Globo (leia mais ao fim da reportagem).
Gilberto Braga, Aguinaldo Silva e Leonor Bassères usaram a contradição de suas protagonistas para discutir o Brasil do final dos anos 1980. O embate central era entre a íntegra Raquel Accioli (Regina Duarte) e a inescrupulosa Maria de Fátima (Gloria Pires), mãe e filha.
Vale Tudo: Maria de Fátima despreza Raquel
Para se tornar modelo, Maria de Fátima vende a única propriedade da família no Paraná e foge com o dinheiro para o Rio de Janeiro. “Eu queria abordar o seguinte assunto: ‘Vale a pena você ser honesto num país onde todo mundo é desonesto?’”, relembrou Gilberto Braga ao Memória Globo.
Enquanto a mãe vai atrás da filha no Rio, Maria de Fátima se alia a César (Carlos Alberto Riccelli) para tentar dar o golpe do baú no milionário Afonso Roitman (Cássio Gabus Mendes), filho da empresária Odete Roitman (Beatriz Segall), diretora da Companhia Aérea TCA.
Vale Tudo: A chegada de Odete Roitman
A personagem de Beatriz Segall é considerada uma das maiores vilãs da teledramaturgia brasileira. Odete Roitman marcou a volta de Beatriz Segall à Globo após cinco anos longe da emissora.
“Até hoje eu sou chamada de Odete Roitman na rua! Eu interpretava a personagem com um prazer imenso. E quanto mais maldade ela fazia, mais interessante ficava. Como toda personagem má, Odete Roitman provocava todos os acontecimentos importantes da novela, então cresceu muito”, contou a atriz ao Memória Globo, em 2002.
Homossexualidade e censura
A história do casal protagonizado por Cecília (Lala Deheinzelin) e Laís (Cristina Prochaska) sofreu intervenção da Censura Federal: vários diálogos entre as personagens tiveram de ser reescritos, depois que foi vetada a cena em que as duas contavam sobre os preconceitos de que eram vítimas.
A novela também abordou o drama do alcoolismo. A artista plástica Helena Roitman (Renata Sorrah) acreditava ser a responsável pela morte do irmão e, pela culpa, se tornou alcoólatra. No fim da novela, Heleninha passou a frequentar os Alcoólicos Anônimos.
Veja curiosidades sobre ‘Vale Tudo’ em pesquisa do Memória Globo:
O mistério da identidade do assassino de Odete Roitman dominou as conversas pelo país. Houve até um concurso, patrocinado por uma indústria alimentícia, para premiar quem acertasse o nome do criminoso. Os autores escreveram cinco versões diferentes para o último capítulo, e o elenco só teve acesso a eles durante a gravação da cena.
A novela foi a estreia de Marcello Novaes, Otávio Müller e Flávia Monteiro na Globo e a volta de Pedro Paulo Rangel às novelas após dez anos. A última havia sido O Pulo do Gato (1988).
“Vale Tudo” foi exibida em mais de 30 países, entre os quais Alemanha, Angola, Bélgica, Canadá, Cuba, Espanha, Estados Unidos, Itália, Peru, Polônia, Turquia e Venezuela.
Em 2002, a Globo e a Telemundo, braço hispânico da rede americana NBC, fizeram um remake da novela. Adaptada por Yves Dumont, “Vale Todo” teve direção-geral de Wolf Maya e um elenco de língua hispânica. Foi a primeira produção da Globo voltada exclusivamente para o mercado externo.
Em 2010, foi reprisada no Canal Viva e voltou a fazer sucesso, apesar do horário em que era exibida: de segunda a sexta, às 0h45.
Regina Duarte e Gloria Pires em ‘Vale Tudo’, 1988
Bazilio Calazans/Globo
Renata Sorrah em ‘Vale Tudo’
Bazilio Calazans/Globo
Beatriz Segall e Carlos Alberto Ricelli em ‘Vale Tudo’, 1988
Bazilio Calazans/Globo
Gloria Pires e Carlos Alberto Riccelli em ‘Vale Tudo’
Bazilio Calazans/Globo
Cristina Prochaska e Lala Denheinzelin em ‘Vale Tudo’
Bazilio Calazans/Globo
Cassia Kis e Reginaldo Faria em ‘Vale Tudo’
Bazilio Calazans/Globo
‘Vale Tudo’
Memória Globo
Maria de Fátima, personagem de Glória Pires em Vale Tudo
Reprodução/Rede Globo