Universidades estrangeiras abrem as portas para brasileiros

Representantes da Deakin University farão palestras

Representantes da Deakin University farão palestras
Divulgação

Organizado pela Associação Brasileira de Educação Internacional, o FAUBAI é a principal conferência anual de internacionalização de Ensino Superior da América do Sul. O evento acontece até quarta-feira (17), em Belém do Pará, e tem como objetivo estimular a colaboração entre universidades brasileiras e as de outros países para o desenvolvimento de novos cursos, pesquisas, entre outros.

Durante o evento, participantes de universidades, associações e organizações governamentais de diversos países poderão desenvolver parcerias, promover seus programas, serviços e experiências na área educacional, obter visibilidade junto aos principais atores do Ensino Superior no Brasil e no exterior, além de aprofundar seus conhecimentos sobre os principais desafios da internacionalização do setor. O Governo da Austrália estará presente e durante o evento irá promover um workshop sobre o Modelo Australiano de Internacionalização do Currículo, uma discussão que visa colaborar com as universidades brasileiras nesse processo de internacionalização.

Austrália e Brasil já possuem colaborações impactantes

Entre 2013 e 2017, o número de colaborações em pesquisas entre Austrália e Brasil cresceu 68%, o que mostra uma trajetória ascendente, tornando o Brasil o 17º maior parceiro mundial de pesquisa da Austrália neste período. “Somos as duas maiores nações do hemisfério sul e temos muito em comum. Os brasileiros na Austrália fizeram uma contribuição valiosa para a riqueza da nossa sociedade e ajudaram a estreitar uma relação bilateral em expansão”, afirma Greg Wallis, Cônsul Geral da Austrália no Brasil e Adido Sênior comercial da Agência Comercial e de Investimentos do Governo da Austrália (Austrade).

Muitas instituições de ensino estão confirmadas para a conferência, incluindo as australianas Deakin University e Murdoch University, que tem como principais objetivos estreitar o relacionamento com universidades brasileiras, promover a internacionalização e ampliar a cooperação internacional entre os dois países, através da criação de grupos de pesquisa, projetos de doutorado conjunto, intercâmbio de estudantes e professores, entre outros. Para Gonzalo Perez, responsável por essa área na Deakin University, instituição que já possui mais de 10 colaborações com universidades brasileiras, entre elas USP e PUC, o evento é uma ótima oportunidade de fortalecer as relações já existentes e, também, desenvolver novas.

“Nossa cooperação com o Brasil tem sido principalmente nas frentes de sustentabilidade, gestão de recursos hídricos, agricultura sustentável, educação indígena. A nossa participação no evento visa expandir as possibilidades de colaboração com o Brasil que, ao nosso ver, são imensas”, diz.

Colaboração em pesquisa na luta contra a dengue
Um caso interessante de cooperação entre os dois países é o projeto “Eliminar a Dengue: Desafio Brasil”, um método seguro e natural que visa a redução da transmissão do vírus da dengue pelo Aedes aegypti de forma natural e autossustentável. O projeto propõe o uso de uma bactéria naturalmente encontrada no meio ambiente, chamada Wolbachia, que quando presente no mosquito, é capaz de impedir a transmissão da dengue pelo inseto e é propagada naturalmente para as gerações seguintes.

Na Austrália, durante cinco anos, membros da equipe do programa “Eliminar a Dengue” alimentaram uma colônia de mosquitos com Wolbachia usando voluntariamente seus próprios braços. Isso resultou em centenas de milhares de picadas de insetos sem que as reações à bactéria fossem detectadas. Um dos testes do projeto-piloto realizado no Brasil foi realizado em Jurujuba, bairro de Niterói (RJ), onde a Wolbachia foi transmitida para 90% dos Aedes aegypti.

“Nossa experiência mostra que quando trabalhamos juntos, somos muito eficazes. No ano passado, a Austrália recebeu mais de 40 mil matrículas brasileiras, tornando o Brasil a quarta maior fonte de estudantes internacionais. Pretendemos aumentar esses números desenvolvendo parcerias em educação, ciência, tecnologia e pesquisa”, afirma Greg Wallis.

Programa Institucional de Internacionalização (PRINT)
Criado pela Coordenadoria de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), atualmente o governo brasileiro conta com um novo programa de internacionalização, o Programa Institucional de Internacionalização (PrInt), que visa fomentar o desenvolvimento de planos estratégicos de internacionalização como meio de melhorar a qualidade dos cursos de pós-graduação nacionais e de conferir maior visibilidade internacional à pesquisa científica realizada no Brasil.

Nos próximos quatro anos, o programa PrInt-Capes pretende investir R$ 300 milhões, sendo que, as instituições brasileiras que tiveram seus projetos contemplados receberão recursos para o financiamento de atividades como auxílio para missões de trabalho e bolsas de estudo no exterior (doutorado sanduíche e professor visitante) e no Brasil (pós-doutorado e jovem talento com experiência no exterior) e material de consumo. Atualmente, algumas universidades australianas já estão em contato com essas instituições brasileiras para desenvolverem planos de internacionalização conjuntos.