Unicamp vai aplicar teste Covid-19 a todos na retomada presencial e planeja gasto de R$ 90 milhões com adequações


Detalhes sobre a volta das atividades presenciais a partir de 13 de setembro foram divulgados nesta quinta-feira (19). Universidade terá aplicativo para controle epidemiológico e promete garantir qualidade a todos os estudantes. Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) retoma atividades presenciais em 13 de setembro
Rafael Smaira/G1
A retomada das atividades presenciais nos campi da Unicamp em Campinas (SP), Piracicaba (SP) e Limeira (SP) a partir de 13 de setembro vai contar com testagem de Covid-19 antecipada e obrigatória a todos os servidores, funcionários e estudantes. A volta, no entanto, ainda não abrange as aulas regulares. A universidade vai, primeiro, realizar adequações em infraestrutura e tecnologia para uma retomada total, prevista para começo de 2022, com um investimento de até R$ 90 milhões.
O anúncio foi feito nesta quinta-feira (19) pela Unicamp em coletiva de imprensa. A decisão se deve ao avanço da vacinação e à queda de internações e mortes provocadas pelo coronavírus. Por ora, a retomada será sob regras rígidas para conter o avanço da doença e sob o controle de um aplicativo epidemiológico desenvolvido pela universidade.
A data escolhida para a volta às atividades presenciais marca 1 ano e 6 meses desde a suspensão por conta da pandemia no ano passado, e terá uma cerimônia de homenagem e respeito às vítimas da Covid-19.
“A Unicamp nunca parou. A Unicamp trabalhou incessantemente em todos esses meses para manter a sua qualidade de ensino, pesquisa, assistência e extensão”, afirma a coordenadora da universidade e epidemiologista, Maria Luiza Moretti.
Quem retorna e em quais condições
Uso de máscara, higiene das mãos e distanciamento social de 1,5 metro a 2 metros são obrigatórios em todos os ambientes.
A vacinação completa, com duas doses ou dose única, acrescida de mais 14 dias é pré-requisito para trabalhadores e estudantes.
Casos pontuais de pessoas não imunizadas serão avaliados junto às equipes de saúde da Unicamp.
Todos da comunidade acadêmica vão receber o aplicativo, que vai monitorar as condições para a retomada segura.
A testagem para Covid-19 será com o RT-PCR da universidade e deve ser agendada pelo aplicativo. Será realizada ao menos três dias antes da pessoa voltar à universidade. O resultado sai no mesmo dia do exame.
Professores, pesquisadores, servidores e funcionários terceirizados estão autorizados a retornar no dia 13.
Estudantes só poderão ter acesso à biblioteca, laboratórios de pesquisa, áreas de co-working e áreas de computadores, por enquanto, desde que liberados pelo aplicativo.
Pelo aplicativo, trabalhadores e estudantes deverão informar o comprovante de vacinação com as datas, vão agendar o teste e avisar sobre sintomas e contato com sintomáticos de Covid-19.
O aplicativo está em fase de testes e será implementado como projeto piloto para a retomada em 13 de setembro.
“As medidas preventivas treinadas e estudadas no campus devem ser de forma mútua também na sociedade. A nossa comunidade que retornar ao trabalho tem que manter o distanciamento social, uso de máscaras, higienização das mãos também fora da universidade. Não aglomerar fora da universidade”, ressaltou a coordenadora.
60% de alunos de fora de SP
A Unicamp tem cerca de 30 mil estudantes, sendo 60% de fora do estado de São Paulo, informou o reitor Antonio José de Almeida Meirelles, o Tom Zé. Diante deste quantitativo e do avanço da pandemia, muitos retornaram às suas famílias e cidades de origem para acompanhamento das aulas online.
A volta imediata dos estudantes, ainda que houvesse estrutura física para tal – que terá que ser remodelada – não é viável, segundo o reitor, porque os parâmetros econômicos dos alunos precisam ser considerados.
“O nosso maior desafio será o retorno das aulas presenciais. […] Tem impacto na moradia, nas salas de aula, estrutura de informática, serviços de alimentação próprios da Unicamp, as cantinas. Esse conjunto de questões a gente tem que resolver. Isso não permite um retorno nem rápido, nem total”, explica Tom Zé.
O objetivo da retomada gradual, segundo ele, é garantir que matrículas não sejam trancadas por falta de condições de adesão às atividades, e que os direitos dos alunos e a inclusão sejam respeitados para manter a qualidade no ensino.
“O processo de reconexão vai permitir tomar cuidados, perceber o impacto na crise econômica na vida financeira dos alunos. A retomada pode levar que alguns alunos tenham que trancar o curso, e isso a gente não pode deixar acontecer”, completa.
Vacina dentro do campus de Campinas
Em parceria com a Prefeitura de Campinas, a Unicamp instalou um ponto de vacinação com capacidade para 30 mil doses. O local é destinado exclusivamente à vacinação da comunidade acadêmica, incluindo estudantes, docentes e todos os trabalhadores e prestadores de serviço, e já está em operação.
“A grande maioria, 80%, são alunos que procuraram o posto da Unicamp. Tivemos técnicos administrativos e servidores terceirizados também”, informou a epidemiologista e coordenadora da instituição.
Será mais um meio de facilitar a imunização das pessoas que frequentam o campus e que pertencem a todos os cursos.
Nos campi de Limeira e Piracicaba não haverá esse local de imunização dentro da universidade porque, segundo o reitor, essas cidades sediam cursos voltados para áreas da saúde, com todos já imunizados, e também estão avançadas na campanha vacinal da Covid-19.
Investimento milionário necessário
Segundo o reitor, os R$ 90 milhões que a universidade vai gastar serão aplicados em reformas, manutenção, melhoria do sistema de tecnologia e da infraestrutura para viabilizar tanto as aulas presenciais quanto a manutenção de atividades remotas, dependendo da necessidade de cada instituto.
“É provável que a gente tenha que ampliar as nossas atividades de assistência social aos alunos, bolsas, assistência de RH e psicológica. Essa política de apoio aos estudantes terá que ser preservada e ampliada. A gente precisa dar maior atenção à reforma e à moradia”, explicou o reitor.
Tom Zé disse, ainda, que o recurso foi possível após o aumento do repasse de verbas do governo estadual para as universidades, após as melhoras nos índices da pandemia.
“Estamos tendo uma recuperação das nossas finanças. E a ênfase vai ser na retomada e permanência de estudantes”.
Variante delta
Diante do aumento de casos da variante delta – mais transmissível da Covid-19 – em circulação no estado de SP e no Brasil, a Unicamp também considera uma nova suspensão de atividades, dependendo da evolução epidemiológica e vacinal.
“Vamos lidar de acordo com o momento epidemiológico. Temos alguns índices: número de internações Covid e o número de internações em UTI. Podemos retroceder parcialmente dependendo da dinâmica do vírus ou mais intensamente. Vai depender do comportamento da variante”, explicou a epidemiologista Maria Luiza Moretti.
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