Unicamp perde amostras da área médica estudadas há 15 anos após furto de quase 1km de cabos de energia: ‘Inestimável’


Equipamentos que mantinham amostras a -180ºC foram desligados. Estudos feitos em animais também foram perdidos. Furto de 900 metros de cabos de cobre e 60 metros de fios de alumínio aconteceu no fim de semana. Polícia Civil investiga. Local onde eram armazenados animais que precisaram ser descartados após furto de cabos de energia da Unicamp em Campinas
Carina Rocco/EPTV
Amostras de diversas doenças estudadas há cerca de 15 anos pela Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Unicamp em Campinas (SP) foram perdidas após o núcleo de pesquisas da universidade sofrer um furto de quase um quilômetro de cabos de energia elétrica no fim de semana. Em entrevista ao G1 nesta quinta-feira (8), o coordenador de pesquisa, Andrei Carvalho Spósito, afirmou que a perda para a comunidade científica é inestimável.
“Alguns materiais biológicos vinham sendo guardados há cerca de 10, 15 anos. Para serem guardados de forma íntegra, estavam a menos de 180 ºC. […] A perda foi inestimável para a pesquisa na área de ciências médicas”, afirma o professor e doutor Spósito.
O núcleo de pesquisa funciona em vários prédios e a energia de todo o complexo foi desligada. Equipamentos que processavam dados há dias perderam seus registros.
No biotério, onde ficam animais registrados e adquiridos exclusivamente para pesquisa acadêmica, alguns morreram e outros foram descartados, pois perderam as condições ideais de temperatura e qualidade do ar em que eram mantidos.
“Todas as condições que garantem um cuidado ético com os animais se perdeu”, explica o professor.
“Quem vai avaliar o efeito de um medicamento em um animal, não vai saber se a alteração foi efeito da medicação ou do tempo que ele passou sem as condições adequadas. O prejuízo foi enorme”, completa.
Prédios do núcleo de pesquisa da Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Unicamp, localizada em Campinas.
Carina Rocco/EPTV
Cerca de 40 pesquisadores docentes trabalham no núcleo, além de residentes e estudantes de pós-graduação, e dedicam tempo e o investimento de financiamentos de pesquisas. Estudos financiados pelo Capes, Fapesp e CNPq, e também os realizados em parcerias com universidades europeias e americanas, foram prejudicados.
“Na prática, o prejuízo que se tem é de cada uma das pessoas, funcionários públicos que trabalharam, investimento de pesquisa, informações que revertem em bens públicos”, diz Spósito.
Segurança na Unicamp
Em nota, a Unicamp informou que “está atenta às ocorrências registradas no campus e estuda medidas para aumentar a segurança no local”.
A universidade possui um aplicativo de celular chamado “Botão do pânico” para comunicação rápida de ocorrências aos seguranças da universidade. Também fez convênio com a Prefeitura de Campinas para a implantação e operação de 21 câmeras nas portarias do campus, que integram o sistema de monitoramento por câmeras da central da cidade (Cimcamp).
O núcleo de pesquisas afetado, no entanto, também tem monitoramento por câmeras, informou o coordenador ao G1. As imagens deverão ser analisadas pela Polícia Civil.
Vista aérea do campus da Unicamp, em Campinas (SP)
Reprodução/EPTV
Polícia Civil investiga
A ocorrência aconteceu entre domingo (4) e segunda (5), mas só foi registrada na Polícia Civil nesta quarta-feira (7) no 7º Distrito Policial de Campinas, no distrito de Barão Geraldo, onde fica a universidade.
O boletim de ocorrência foi feito por um representante da FCM e um responsável pela manutenção na Unicamp. O G1 pediu posicionamento sobre a investigação à Secretaria de Segurança Pública de SP (SSP), mas não teve retorno.
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