Unicamp invalida autodeclarações étnico-raciais de 69 aprovados no vestibular 2020


Dados divulgados pela universidade indicam ainda que outros 270 candidatos deixaram de comparecer nas bancas de averiguação e também não ingressaram. Candidatos durante 2ª fase do vestibular 2020 da Unicamp
Antonio Scarpinetti
A Unicamp confirmou que 69 estudantes que foram aprovados no vestibular 2020 pelo sistema de cotas tiveram as autodeclarações étnico-raciais rejeitadas pela Comissão de Averiguação e, por isso, tiveram a matrícula negada.
Esta é a segunda edição em que a universidade aplica o sistema de cotas étnico-raciais e, no ano passado, nove estudantes tiveram as matrículas canceladas pela instituição de ensino.
De acordo com a universidade estadual, 1.444 candidatos aprovados se autodeclararam pretos ou pardos no vestibular 2020. O percentual de autodeclaração rejeitada foi de 6%.
Além dos candidatos com a autodeclaração rejeita, outros 270 (23,6%) não compareceram às bancas de averiguação.
A análise do grupo, segundo a Unicamp, considera dados fenotípicos (conjunto de características visíveis do estudante), conforme uma portaria do Ministério do Planejamento. O documento de validação da autodeclaração é obrigatório para quem optou por cotas conseguir realizar a matrícula.
Ao todo, 42 bancas fizeram as análises das autodeclarações, cada uma delas composta por dez integrantes – cinco deles titulares e os demais suplentes. O grupo incluiu professores, funcionários e estudantes de pós-graduação da Unicamp, além de representantes da sociedade civil. Todos foram preparados por meio de um curso em que foram tratados assuntos como racismo, ações afirmativas, miscigenação no Brasil, finalidades, estrutura e funcionamento de comissões de heteroidentificação.
Segundo a professora da Faculdade de Educação Débora Jeffrey, que preside a Comissão Assessora de Diversidade Étnico-Racial (Cader), o grupo que analisou as autodeclarações cumpriu o papel e assegurou o direito a cotas raciais por aqueles que cumprem o requisito fenótipo.
“Eu acho que a comissão cumpriu com o papel que era permitir o processo de validação das autodeclarações a partir do critério fenótipo. As pessoas fazem uma certa confusão entre o genótipo e o fenótipo. Então esse critério do fenótipo, que é como socialmente esse estudante se vê e é visto é fundamental, bem diferente do genótipo, que é essa relação hereditária”.
Análise
A comissão organizadora do vestibular (Comvest) destacou que o processo foi importante para consolidar a política pública de cotas e assegurar que ocupem as vagas as pessoas que fazem jus ao perfil definido pela universidade, ao seguir recomendações do Ministério Público e observar práticas consolidadas por outras instituições de ensino.
Os trabalhos da Comissão de Averiguação estão sob a responsabilidade da Comissão Assessora de Diversidade Étnico-Racial, informou a Unicamp.
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