Unicamp 2021: cursinhos destacam prova atual e com exigência por interpretação dos candidatos


Segunda fase terminou nesta terça-feira (9) e 14,1 mil estudantes seguem na luta por uma das 3.237 vagas ofertadas em 69 cursos de graduação. Acompanhe como foi o segundo dia de provas da 2ª fase do vestibular da Unicamp
Uma prova contextualizada, atual e que exigiu produção, interpretação em vez de reprodução de conteúdo. Na avalição de cursinhos ouvidos pelo G1, a 2ª fase do vestibular 2021 da Unicamp, encerrada nesta terça-feira (9), entregou o que prometeu diante do cenário de pandemia sem perder sua característica. Ao todo, 14.113 candidatos compareceram aos dois dias e seguem na luta por uma das 3.237 vagas ofertadas em 69 cursos de graduação.
Unicamp avalia como positivo ajustes feitos no vestibular 2021
“As provas da segunda fase da Unicamp se mostraram equilibradas, alternando questões de nível intermediário com temas mais complexos em cada disciplina. Como era esperado em uma seleção de segunda fase, o nível de exigência foi maior em comparação às avaliações da primeira etapa. Era necessário maior nível de conhecimento e comprometimento dos candidatos”, avaliou Raul Neto, coordenador e professor do Objetivo em Campinas.
Na avaliação de Daniel Cecílio, diretor do curso pré-vestibular Oficina do Estudante, algumas das provas se destacaram e passaram longe do trivial, como a de biologia, considerada trabalhosa, porém atual, com temas como vírus e vacina; além das questões de história e geografia.
“A prova de história foi mais requintada que a da segunda fase do ano passado, exigindo conhecimento e não simplesmente reprodução. A de geografia muito atual, caindo queimadas e desmatamento. E geral, o segundo dia surpreendeu, mais exigente que o primeiro dia, exigindo essa capacidade crítica, de interpretação”, disse.
Para Amanda Ribeiro Biscuola de Souza, coordenadora do Poliedro, a disciplina mais fácil do vestibular da Unicamp para os candidatos foi física.
“Olhando com um todo, foi a disciplina que estava mais interpretativa, que não iria gerar problema para o candidato, assim como na primeira fase. Foi uma prova com muitas equações nos enunciados”, disse.
A professora Marcia Rodrigues de Souza Mendonça, que integra a comissão organizadora (Comvest), destacou que a Unicamp, na concepção pedagógica do vestibular, buscou, além dos temas contemporâneos, uma valorização da ciência e da vida pública, trabalhando diferentes graus de dificuldades em questões em que os candidatos se identifiquem.
“Há uma diversidade de graus de dificuldade na prova, e esse é um princípio adotado para contemplar a heterogeneidade do nosso público, que alunos de diferentes possam ser avaliados e possam ser bem sucedidos na prova”, defende.
Esse perfil foi enaltecido por Raul Neto. “É notável que a Unicamp manteve o norte progressista típico de seus vestibulares exigindo dos alunos capacidade de crítica, reflexão e argumentação frente ao delicado momento histórico em que vivemos”.
Comvest faz avaliação positiva
A Unicamp avaliou como positivo os ajustes realizados no processo seletivo em um contexto de pandemia do novo coronavírus. Da redução de obras literárias e números de questões passando pelos protocolos de distanciamento, a avaliação da comissão organizadora (Comvest) é que a universidade estadual cumpriu seu papel ao fazer uma prova classificada como “plural, com valorização de vários conhecimentos e que ajuda a promover o respeito entre as pessoas”.
“Diante de um cenário de incertezas, isso mostra que as mudanças de conteúdo e propostas foram adequadas, assim como a seriedade da organização da Comvest foi observada pelos candidatos”, disse José Alves de Freitas Neto, diretor da Comvest.
Assim como tem feito nos últimos anos, o vestibular da Unicamp se propõe a abordar o mundo contemporâneo e a buscar estudantes que saibam ler o mundo em que vivem e a refletir sobre ele. Nesse contexto, o diretor da Comvest defende que a prova cumpre um papel social.
“A universidade tem essa obrigação de estabelecer um diálogo com a sociedade, e a primeira porta que muitas pessoas veem esse diálogo é o vestibular. São 77 mil inscritos e multiplique isso por pessoas envolvidas, familiares, amigos. É um alcance grande para propor reflexões, indagações”, defende José Alves.
Ainda de acordo com o diretor da Comvest, a universidade e as discussões propostas no vestibular ganham papel ainda mais importante no cenário de negacionismo, em especial da sociedade brasileira.
“Os últimos anos temos sido bombardeados sobre a função da universidade, o papel da ciência e, paradoxalmente, nesse último ano, vimos a pesquisa científica enaltecida com um dos caminhos para ultrapassar esse momento difícil, complexo”, diz.
A abordagem de temas como a pandemia, não diretamente mas em questões multidisciplinares, além de assuntos contemporâneos, aproximam a prova da realidade dos estudantes e a da política de acessibilidade da universidade, mas também servem como registro histórico desse momento.
“A prova é um retrato desse momento, mas ela ficará nos arquivos e será ensinada nos outros anos. Nesse sentido, a prova também tem essa função para que o debate aconteça em salas de aula do ano seguinte. Essa é uma diretriz da universidade que se destaca pela produção científica e não se cala diante do cenário político atual”, completa José Alves.
Cursos mais disputados
Neste ano, os dez cursos mais procurados pelos candidatos são: medicina, arquitetura e urbanismo; ciências biológicas; comunicação social-midialogia; ciência da computação; engenharia da computação; farmácia; história; ciências econômicas e enfermagem.
O total de vagas nesta edição inclui as 639 oportunidades que estavam previstas inicialmente no edital Enem-Unicamp, que deixou de ser oferecido para ingresso no próximo ano por causa do “calendário incompatível” com o cronograma definido pelo Ministério da Educação (MEC).
Calendário Vestibular Unicamp 2021
2ª fase: 8 e 9 de fevereiro
Provas de habilidades específicas (exceto música): 11 e 12 de fevereiro
Divulgação da primeira chamada: 10 de março
Comissão de averiguação virtual dos convocados cotas étnico-raciais da primeira chamada/Solicitação e divulgação do resultado de recurso dos convocados em primeira chamada de cotas étnico-raciais: 11 de março
Matrícula presencial da primeira chamada, nas unidades de ensino: 15 de março
Início das aulas: 15 de março
Confira calendário completo
Provas do vestibular da Unicamp 2021
Giuliano Tamura/EPTV
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