Uma a cada cinco unidades de saúde no mundo não tem saneamento básico, diz relatório da OMS

Novo relatório da Organização Mundial da Saúde em parceria com a Unicef aponta que mais de 1,5 bilhão de pessoas são impactadas pelo problema. Uma a cada cinco unidades de saúde no mundo não tem saneamento básico, um problema com potencial para afetar o tratamento de 1,5 bilhão de pessoas. O dado foi divulgado nesta quarta-feira (3) em relatório inédito feito pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em parceria com a Unicef. O documento é resultado de um primeiro estudo internacional sobre água, saneamento e higiene em unidades de saúde.
Muitos centros de saúde também não dispõem de instalações básicas para higiene das mãos e separação segura para a eliminação do lixo. De acordo com a OMS, esses serviços são essenciais para prevenir as infecções, reduzir a disseminação da resistência bacteriana e garantir que os serviços tenham qualidade, principalmente o parto seguro.
“Os serviços de água, saneamento e higiene nas unidades de saúde são requisitos básicos para a prevenção e o controle de infecções, além de garantir o atendimento de qualidade. Eles são fundamentais para respeitar a dignidade e os direitos humanos de todas as pessoas que procuram cuidados à saúde, e também aos próprios profissionais da área”, disse António Guterres, secretário-geral das Nações Unidas.
Países menos desenvolvidos
O texto faz um recorte relacionado apenas aos países menos desenvolvidos. Neles, 55% das unidades de saúde apresentavam serviços básicos de acesso à água. Estima-se que um em cada cinco nascimentos nesses lugares ocorrem em centros de saúde com as condições inadequadas, atingindo 17 milhões de mulheres.
“Quando um bebê nasce em um estabelecimento de saúde sem água, saneamento e higiene adequados, o risco de infecção e morte para a mãe e o filho é alto”, afirmou a diretora-executiva da Unicef, Henrietta Fore.
“Todo parto precisa ser apoiado por duas pessoas com mãos lavadas com água e sabão, usando equipamentos esterilizados e em um ambiente limpo.”
Os pesquisadores apontam que mais de um milhão de mortes por ano estão relacionadas com nascimentos em locais inadequados. As infecções são responsáveis por 26% das mortes neonatais e 11% da taxa de mortalidade materna.
“Imagine dar à luz ou levar o próprio filho doente a uma unidade de saúde sem água potável, banheiro, ou instalações para lavar as mãos”, pergunta Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da OMS.
“Essa é a realidade de milhões de pessoas todos os dias. Ninguém deveria passar por isso, e nenhum profissional de saúde deveria precisar prestar os cuidados nessas condições. Garantir que todos os estabelecimentos tenham serviços básicos de água, saneamento e higiene é essencial para alcançar um mundo mais saudável, seguro e justo.”
Na próxima Assembleia Mundial da Saúde, em maio deste ano, os governos irão debater uma nova resolução sobre o acesso à água, ao saneamento básico e à higiene em unidades de saúde. O relatório da OMS e Unicef aponta, também, oito ações que os países podem tomar como meta para garantir a melhoria desses serviços.
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