UFJF anuncia corte de 307 postos de trabalho em Juiz de Fora


Medida foi tomada pelo Consu após análise do orçamento previsto para a Instituição em 2021. Bolsas de estudo também sofrerão alterações valores e número de vagas. Pism III foi realizado neste sábado (27) na UFJF
Gustavo Tempone/UFJF
A Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) anunciou nesta quarta-feira (14), durante coletiva de imprensa online, uma série de medidas tomadas pelo Conselho Superior (Consu), após análise do orçamento previsto para a Instituição em 2021. Entre as definições, estão a redução de 307 postos de trabalho, além de corte nos valores e número de bolsas oferecidas pela Universidade.
O orçamento previsto para 2021 apresenta uma redução de mais de 18%, o que poderá inviabilizar o ensino superior neste ano em todo o país. O projeto ainda aguarda sanção presidencial.
Desde 2017, as instituições de ensino sofrem com uma sistemática redução no orçamento por causa da Emenda Constitucional nº 95, do Teto de Gastos, que limita o crescimento das despesas do governo brasileiro durante 20 anos.
Segundo o reitor Marcus David, o orçamento desde ano é 20% menor do que o liberado em 2020, o que faz com que a UFJF tenha que realizar ajustes internos, que impactam diretamente a estrutura de manutenção e atividades econômicas e de pesquisa da Instituição.
“Durante todo o período em que começamos a observar cortes expressivos, a UFJF trabalhou de forma intensa para, apesar das reduções, conseguir manter suas atividades com padrão de excelência e com políticas de permanência estudantil, mas chegamos a um ponto em que nós não temos como administrar sem realizar cortes. Por isso, o Consu realizou uma série de reuniões entre os dias 9 e 12 de abril, onde vários cortes foram definidos. Ao longo de cinco anos, nossa captação de recurso própria também foi diminuindo, tanto que fechamos o ano de 2020 com um capital de R$ 8 milhões”, explicoua Marcus David.
Veja a relação dos cortes realizados desde 2016 na Instituição:
Lei Orçamentária – Comparativo 2016-2021
Segundo os dados apresentados pela UFJF, a perda total de investimentos foi de R$ 75.626.172,00 entre 2016 e 2021.
Cortes
Bolsas: No que se refere às medidas acadêmicas, como bolsas de treinamento profissional, de projetos de extensão e bolsas de iniciação artística o corte será 35% no número de bolsas ofertadas e de 25% nos valores, que foram de R$ 400 para R$300. Foram 870 bolsas retiradas do programa da UFJF, segundo Marcus David;
Pós-Graduação: Para manter os programas de Mestrado e Doutorado, a instituição informou um corte de 75% dos recursos;
Demissões: Corte de 307 contratos de trabalho terceirizados que prestavam serviços de manutenção do campi, Jardim Botânico, Museus, Teatros e Centro de Ciência, além de serviço de limpeza e higienização.
Auxílio Moradia: Redução de R$ 370 mensais para R$ 340.
Ainda segundo o reitor da UFJF, todos os cortes impactam fortemente a passagem de conhecimento para formação de novos profissionais, além de impactar diretamente a economia regional.
“O ano de 2016 foi quando começamos a nossa gestão na UFJF, sendo também o ano em que foi aprovada a emenda de tetos. Em função da emenda, o orçamento aprovado pelo congresso não comporta gastos com educação e vai na contramão de outros países, que continuam investindo na educação, na ciência e tecnologia e na saúde”, conclui.
Para o pró reitor de Planejamento, Orçamento e Finanças, Eduardo Condé, os cortes geram graves consequências, uma vez que impactam a relação da UFJF com a comunidade de Juiz de Fora e Governador Valadares.
“A UFJF é basicamente financiada pelo tesouro federal e os recursos são liberados de acordo com o capital da União. O projeto orçamentário deste ano só tem autorização para uso de 40% do total que foi liberado e isso faz com que a gente não consiga honrar nossos compromissos, gerando dificuldade na liquidação de pagamentos. É importante deixar claro que a responsabilidade é do Governo Federal”, explicou Condé.
Sobre o prazo de implantação das medidas, a instituição informou que cada contrato já está em processo de análise e cada um terá um prazo específico. Já os novos valores de bolsas passarão a valer a partir de maio, com pagamento em junho. Sobre o número de bolsas ofertadas, Marcus David informou que será reduzido conforme divulgação dos novos editais.
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