Tributo a Jorge Salomão acerta no single inicial com ‘Pseudoblues’ na voz de Mônica Salmaso


Agendado para 13 de agosto, álbum ‘Poéticas’ reúne nomes como Frejat e Zélia Duncan em gravações inéditas da obra musical do letrista morto no ano passado. Capa do single ‘Pseudoblues’, de Mônica Salmaso
Divulgação / Selo Sesc
Resenha de single
Título: Pseudoblues
Artista: Mônica Salmaso
Composição: Nico Rezende e Jorge Salomão
Edição: Selo Sesc
Cotação: * * * * *
♪ Chega a soar paradoxal ouvir uma cantora sempre precisa como Mônica Salmaso dar voz a versos como “O certo é incerto / O incerto é uma estrada reta / De vez em quando acerto / Depois tropeço no meio da linha”, da letra de Pseudoblues (Nico Rezende e Jorge Salomão, 1987).
Até porque é certeira a escolha da gravação de Pseudoblues com Salmaso para apresentar o álbum Poéticas, tributo à obra musical do poeta e letrista Jorge Salomão (3 de novembro de 1946 – 7 de março de 2020) que se tornou póstumo com a morte do artista baiano no ano passado. O single Pseudoblues chega ao mundo digital na sexta-feira, 9 de julho.
Embalada pelo harmonioso arranjo do guitarrista Webster Santos, Salmaso canta Pseudoblues com tal classe que parece que a composição é de galáxia distante do universo pop. Mas, sim, é a mesma música que abriu um dos álbuns mais bem-sucedidos de Marina Lima, Virgem (1987), no mesmo ano em que também ganhou registro em disco de Nico Rezende, autor da melodia letrada por Jorge Salomão com poéticas divagações existencialistas.
Sem desmerecer a ótima gravação de Marina, Salmaso eleva Pseudoblues a outro patamar na gravação feita com os toques dos músicos Edu Ribeiro (bateria) e Marcelo Mariano (baixo elétrico), além do arranjador Webster Santos na guitarra. É como se a música ganhasse o alto padrão estético da MPB.
Mônica Salmaso grava ‘Pseudoblues’ para ‘Poéticas’, disco com gravações inéditas da obra musical de Jorge Salomão
Tomada Produções / Divulgação Selo Sesc
Programado pelo Selo Sesc para 13 de agosto, o álbum Poéticas reúne 14 gravações inéditas do cancioneiro de Jorge Salomão.
Além de Salmaso, o time de intérpretes do disco é formado por Almério, Áurea Martins (escalada para interpretar a obscura Só quero cantar, outra parceria de Jorge Salomão com Nico Rezende, de 1991) Chico Chico (a quem foi confiada uma das quatro músicas inéditas do repertório selecionado pelo próprio Salomão em 2019), Dani Black, Frejat (intérprete de música inédita feita a partir do poema Todas as manhãs), Khrystal, Jussara Silveira, Patrícia Mellodi, Renato Braz (intérprete de Noite, parceria de Salomão com Nico Rezende lançada por Zizi Possi em 1987), Wanderléa, Zeca Baleiro (cantor que deglute Comendo vidro, parceria de Salomão e Guto Goffi apresentada em 1992 em álbum do Barão Vermelho) e Zélia Duncan (intérprete da inédita Aquela estrada).
O álbum Poéticas foi gravado com produção de Luiz Nogueira, sob direção musical de Mário Gil. Pode até ser que haja alguns equívocos no tributo, porque discos do gênero costumam ser incertos, mas o single inicial de Mônica Salmaso caminha sem tropeços ao longo de certeiros três minutos e meio.