‘Três verões’: Regina Casé une ‘Esquenta’ e operação Lava Jato em novo filme de Sandra Kogut


Atriz vive terceira empregada doméstica da carreira e diz que ‘bolha’ da cultura ‘estourou’. Longa estreia em cines drive-in nesta semana. Veja trailer do filme ‘Três Verões’
O filme “Três verões” estreia em cinemas drive-in nesta semana com uma abordagem diferente da operação Lava Jato. Famílias ricas têm vida e casas devassadas pelas investigações, mas a diretora Sandra Kogut estava mais interessada nos impactos desse redemoinho na vida dos empregados dessas famílias.
A cineasta queria responder a uma pergunta que surgiu enquanto assistia aos jornais: “O que acontece com as pessoas que gravitam em torno desses ricos e poderosos quando a vida deles desmorona?”
A história se passa entre Natal e Ano Novo de três anos diferentes: 2015, 2016 e 2017.
“Em várias situações, alguém falava alguma coisa que estava no roteiro ou coisas aconteciam e eram parecidas com alguma cena do filme. É enriquecedor montar uma história que se desenvolve junto com a realidade”, diz Kogut ao G1.
Regina Casé vive a protagonista, a doméstica Madá. Kogut e Casé são amigas e já trabalharam juntas, mas nunca em um longa. Quando o dinheiro para fazer o filme saiu, Regina abriu espaço na agenda para passar um mês gravando.
“A gente até brinca sobre como conseguimos ser amigas e ter uma colaboração tão boa sendo tão diferentes, ela morou tanto tempo fora do Brasil. E eu, tanto tempo dentro.”
Regina Casé é Madá, protagonista de ‘Três verões’
Divulgação/Vitrine Filmes
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Para a atriz, um filme que discute um dos maiores escândalos políticos dos últimos anos de uma forma “tão sensível” é importante para entender o valor da arte neste momento. E mais potente que qualquer discurso.
“Sou muito feliz por ser artista mesmo com todas as adversidades desse nosso momento. A ficção, pelo menos para mim, é o melhor jeito de chegar às pessoas. As pessoas não estão conseguindo se ouvir e se entender. Através da emoção, a pessoa entende uma coisa que não entenderia se eu falasse por horas com ela.”
“O papel que eu tenho atualmente é ser ponte entre pessoas que pensem diferente, de classes sociais diferentes, entre patroas e empregadas”, diz Casé.
Para Kogut, a história da personagem principal carrega as dificuldades do próprio setor audiovisual, que já eram significativas antes da pandemia.
“Está muito mais difícil para todo mundo porque todos os mecanismos de apoio e fomento estão paralisados ou colocados em questão. De uma certa maneira, todos nós estamos virando Madás. Em situações adversas, temos que inventar soluções.”
A bolha estourou
Elenco de ‘Três verões’
Divulgação/Vitrine Filmes
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Em seus três últimos trabalhos, Casé viveu três empregadas e comemora o fato. “No Brasil, tem mais patroas ou empregadas? É incomparável o número de empregadas. Então, o que estava errado é que elas não tivessem esse protagonismo”, diz.
“Todo mundo me pergunta ‘de novo uma empregada?’ Desde o século XIX, vocês só estão vendo patroas. Fico muito feliz de que, seja o meu tipo físico ou a minha experiência de vida nesses anos todos conhecendo o Brasil, eu possa fazer esses personagens”.
A Madá é muito diferente da Val, de “Que horas ela volta” e da Lurdes, de “Amor de mãe”. Regina diz que se inspira em seus programas de TV para criar cada uma delas.
“A Madá é uma personagem pop, enquanto a Lurdes é raiz. A Lurdes é o ‘Brasil legal’ e a Madá é o ‘Esquenta’, é feita de outra massa”, compara a atriz.
Para ela, o protagonismo de “mulheres do povo” é resultado da bolha estourada da cultura, que trouxe também o funk e o brega para o topo das paradas.
“Muita gente reclama ‘porque a música era assim ou assado’. Era porque era uma bolha pequena. Agora estourou, está todo mundo aqui e a gente tem lidar com isso da melhor maneira possível.”
“Há dez anos, eu comecei a dizer que o que tinha de mais potente não acontecia no meinho, mas em volta. Quando trouxemos outros gêneros para a TV, pagamos a duras penas. Agora, as pessoas adoram, quebram tudo e vão até o chão. Toca funk na festa da menina mais patricinha do mundo. Não tem como ignorar.”
“Três verões” também estreia nas plataformas digitais em 16 de setembro.
Veja lista de cines drive-in que exibem o filme:
Drive-In Curitiba (Planeta Brasil) – Curitiba (PA)
Drive-In Imprensa – Fortaleza (CE)
Cine 14 Bis Drive-In – Guaxupé (MG)
Cine Arte Pajuçara Drive-In – Maceió (AL)
Drive-in Pinhais Planeta Brasil – Pinhais (PR)
Cinesystem Américas Drive-in – Rio de Janeiro (RJ)
Open Air – Rio de Janeiro (RJ)
Petra Belas Artes – São Paulo (SP)
Sesc Pq Dom Pedro Drive-In – São Paulo (SP)
Cinesystem Morumbi Drive-In – São Paulo (SP)