Tiê adiciona flores ao ‘doce jardim’ com ‘Kudra’, EP de boas vibrações


Capa do EP ‘Kudra’, de Tiê
Rodolfo Magalhães
Resenha de EP
Título: Kudra
Artista: Tiê
Gravadora: Warner Music
Cotação: * * * 1/2
♪ Em cena a partir de 2007, Tiê vem se equilibrando entre as regras do mercado fonográfico e a liberdade dos artistas independentes desde que, contratada pela gravadora Warner Music, ascendeu ao mainstream em 2015 com o estouro nacional da canção A noite (La notte, Giuseppe Anastasi, 2012, em versão em português de Adriano Cintra, André Whoong, Rita Wainer e Tiê, 2014).
Esse equilíbrio delicado ficou bem nítido em Gaya (2017), quarto álbum de estúdio dessa artista paulistana que começou a chamar atenção na cena indie de São Paulo com o primeiro álbum, Sweet jardim (2009).
Disco lançado sem aviso prévio na sexta-feira, 2 de outubro, Kudra – EP com inéditas seis músicas autorais da cantora e compositora – não a liberta totalmente do jugo mercadológico, visto que a música mais banal da safra gravada durante a pandemia, Lado bom (André Whoong, Gianni Salles e Tiê), é justamente a faixa escolhida pela gravadora para promover Kudra. Mas o disco já representa um avanço na reconquista das emoções reais.
Com 22 minutos, o EP – gravado no estúdio Rosa Flamingo com produção musical dividida entre André Whoong, Adriano Cintra, Gianni Salles e Flávio Juliano – adiciona algumas flores ao doce jardim de Tiê. Canção melodiosa que versa com sensibilidade sobre a a transformação da mulher a partir do parto, E nasce uma mãe (André Whoong, Serginho e Tiê) é um delas e exala o perfume suave da música de Tiê.
Filha da artista, Amora se junta à mãe no EP para encorpar os vocais da música-título Kudra (Flávio Juliano e Tiê), composta em inglês e imersa em sedutora atmosfera sonora criada a partir da interação de instrumentos orgânicos (sobretudo do toque do violão) com as programações de André Whoong, produtor da faixa. O arranjo ganha crescente intensidade.
Já E daí? é faixa de batida sintetizada cantada por Tiê com Filipe Catto, coautor da música também assinada por Tiê e por André Whoong. O verso-refrão-título surte efeito de mantra na gravação produzida por Whoong com Adriano Cintra.
Música que abre o EP Kudra, Crepúsculo se acende em ambiência folk em gravação produzida por Gianni Salles com Flávio Juliano, parceiro de Tiê na composição.
Completando o repertório do disco, há a canção Estranhos (Adriano Cintra, Dani Vellocet e Tiê), faixa que concilia a delicadeza confessional da obra da artista com a embalagem pop eletrônica da faixa. É nessa balança que Tiê busca estabilidade em Kudra, disco de boas músicas e vibrações.