‘The last of us part 2’ é um ótimo game, mas não é para todo mundo; G1 jogou


Jogo de PlayStation 4 é lançado nesta sexta-feira (19) com desenvolvimento de personagens queridos e temas complexos, mas limites da longa narrativa podem frustrar. Ao ser lançado nesta sexta-feira (19), “The last of us part 2” vai finalmente atingir as expectativas de milhões de fãs de todo o mundo.
O game exclusivo de PlayStation 4 é tenso, violento e emocionante, e não tem medo de desafiar seus jogadores — mas também dificilmente vai agradar quem já não gostou de seu antecessor.
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A sequência do jogo de 2013, considerado o melhor daquele ano, sabe aproveitar com maestria os personagens e o mundo apresentados no original. Ao mesmo tempo, expande seus temas complexos sobre natureza humana e a dualidade do herói.
Essas propostas, no entanto, exigem uma narrativa que muitas vezes limita o jogador, tirando a importância de suas decisões ou até o seu controle sobre a ação.
Essas restrições não são necessariamente um problema. Afinal, funcionaram muito bem no primeiro, que tinha potencial para agradar até aqueles que preferem maior liberdade.
Mas a história de “Part 2” se perde diversas vezes, com idas e vindas no tempo e entre personagens diferentes, com propósitos distintos, e momentos em que os objetivos não se justificam.
Assista ao trailer de ‘The last of us part 2’
A força de Ellie
O novo “The last of us” começa cinco anos após o fim do primeiro jogo. Nele, os protagonistas Joel e Ellie vivem uma vida pacífica (até onde isso é possível) em uma comunidade que se une para sobreviver.
Apesar da tranquilidade, este ainda é um mundo pós-pandêmico, destruído por uma doença que transformou a maior parte das pessoas em criaturas parecidas com zumbis.
Dessa vez, os jogadores assumem o controle da jovem, agora com 19 anos. Após mais um episódio violento que acaba com a paz da região, ela parte em sua própria jornada.
A passagem de bastão é a melhor decisão que o estúdio Naughty Dog, responsável também pela franquia “Uncharted”, poderia tomar. Ellie tem um espaço muito maior para evoluir, e desde o antecessor já se mostrava um personagem mais complexo.
Um pouco mais madura, ela perde as limitações que tornavam seus momentos tão frustrantes no jogo de 2013, e prova que é uma força a ser reconhecida.
Mais que isso, ela é mais humana e acessível que o experiente Joel, o que torna seu controle ainda mais intenso e prazeroso nos combates.
Ellie em ‘The last of us part 2’
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Time ganhando
A escassez de recursos esperada em um mundo pós-apocalíptico, fator que marcava o antecessor, continua a tornar os confrontos com zumbis e facções inimigas extremamente satisfatórios.
Frustrantes no começo, os combates aos poucos evoluem e recompensam estratégia e paciência. Nesse sentido, o sistema permanece em grande parte inalterado. Afinal, para que mexer em algo que deu tão certo.
Visualmente, o jogo corresponde às expectativas de um lançamento à véspera de uma troca de geração de consoles, com uma evolução gritante, em especial nos detalhes.
A técnica de captura de movimentos usada na construção dos personagens também reflete a melhora, e suas expressões estão ainda mais humanas.
Ellie em ‘The last of us part 2’
Divulgação
A dualidade na história
A dualidade das ações de quem pensa ser o herói já era um tema gritante no momento em que Joel tira Ellie da sala de operação ao final de “The last of us”.
Na continuação, ela se aprofunda, principalmente através da adição do ponto de vista de novos personagens que batem de frente com a jovem.
Infelizmente, por mais que jogar com Ellie seja um ponto alto, é difícil encontrar a motivação nesses momentos que vão além do desejo de voltar à protagonista o mais rápido possível.
Além disso, uma história tão estabelecida cobra seu preço, pago através de limitações nas escolhas do jogador.
Ele pode traçar a melhor estratégia para o combate, é verdade, mas fica totalmente refém da narrativa, que por diversas vezes deixa de lado a coerência para forçar momentos desnecessários.
É possível relevar a falta de liberdade diante de um texto impecável. Isso fica mais difícil quando, depois de matar dez inimigos fortemente armados sem dar um único um único tiro, Ellie se esquece de que está em ambiente hostil e é pega de surpresa em uma sequência de animação.
Além disso, há diversos momentos em que a trama se arrasta, presa em convenções e clichês típicos de games, que envolvem ir e voltar de lugares para encontrar pessoas que nunca estão exatamente lá, como se existissem apenas para aumentar a já longa duração da campanha.
Ellie em ‘The last of us part 2’
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Representatividade sem pregar
Em entrevista, o diretor do jogo, Neil Druckmann, afirmou que era muito importante não forçar a barra, não “pregar” as mensagens.
Nesse sentido, é possível dizer que a sequência é bem-sucedida. Apesar das enrolações e dos deslizes, a história constrói uma boa reflexão sobre busca de justiça e maniqueísmo sem gritar os conceitos o tempo inteiro.
Além disso, dá gosto de ver a naturalidade com que trata a sexualidade da protagonista, que já tinha sido revelada na expansão “Left Behind”, de 2014.
Entre violência e selvageria, “The last of us part 2” atende à maior parte dos anseios dos fãs da série, por mais que se leve a sério demais em alguns momentos.
Pode não agradar aqueles que desejam mais controle, e se beneficiaria ao cortar um pouco de sua longa duração — mas quem gostar ficará marcado pela aventura de Ellie por muito tempo.
Em ‘The last of us 2’, Ellie ganha a companhia de Dina
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