Tensões na Ásia levam continente a uma nova corrida espacial

Disputa reflete desenvolvimento tecnológico da região

Disputa reflete desenvolvimento tecnológico da região
Amit Dave/Reuters/07-09-19

A perda de contato da missão não tripulada Chandrayaan-2, em 6 de setembro último, foi apenas mais um capítulo da corrida espacial que deixou de ser restrita à Rússia e aos Estados Unidos.

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A Ásia, já há algum tempo, vem entrando neste cenário, refletindo e estimulando o desenvolvimento tecnológico dos países da região.

Tal corrida espacial, por outro lado, tem sido mais uma forma de refletir as tensões históricas locais, repletas de rivalidades entre a China e o Japão, a China e a Índia, em disputas que envolvem a Rússia e as duas Coreias.

Nesta demonstração de poderio, é mais saudável competir por descobertas espaciais que podem contribuir com a humanidade do que se embrenhar em conflitos territoriais.

Cada vez mais as nações asiáticas têm investido no setor espacial. Em 2008, quando essa corrida começou a se intensificar, a missão lunar, a Chandrayaan-1, conseguiu pousar na Lua e descobrir água por lá.

Já neste início de semana, após investir cerca de US$ 141 milhões (R$ 577 milhões), no lançamento da Chandrayaan-2, a ISRO (Organização Indiana de Pesquisa Espacial), que atua desde 1969, definiu uma parceria com a Agência de Exploração Aeroespacial do Japão para o que deverá ser uma exploração conjunta da Lua, a ser lançada no início de 2020.

“Estamos confiantes de que a Índia continuará a contribuir para a exploração lunar, empreitada para a qual o Japão caminha orgulhosamente”, afirmou em comunicado o governo japonês.

Avanço chinês

Enquanto isso, o governo chinês,  que já reivindica a posse de ilhas como a Paracel e a Spratly, no Mar da China Meridional, tem demonstrado o desejo de estar à frente nesta corrida espacial.

Até agora, vem conseguindo, com orçamento anual de US$ 8 bilhões (R$ 32,7 bilhões) destinado à Administração Espacial Nacional da China e ao setor em geral, segundo a Bloomberg. A cifra está atrás apenas do orçamento americano para a área.

Em janeiro de 2019, a sonda Chang’e 4 complementou o trabalho da Chang’e 3, de 2013, tendo conseguido pousar no lado escuro da Lua. Além do envio de imagens, detectou uma substância gelatinosa.

A Chang’e 3 já havia pousado na Lua em 2013, 38 anos depois da sonda soviética Luna-24.

O projeto Chang’e tem mais de uma década de existência, tendo se iniciado com a missão Chang’e 1, que entrou em órbita lunar em 5 de novembro de 2007. O projeto, bem-sucedido, foi seguido pela Chang’e 2, em outubro de 2010.

Em cada uma das missões, uma etapa foi completada. A Chang’e 1 e a Chang’e 2 serviram para conseguir colocar a missão na órbita da Lua. O pouso, para conhecimento da topografia, tem sido o objetivo da Chang’e 3 e, futuramente, da Chang’e 4.

Mais para a frente, a meta será coletar e trazer amostras, algo que deverá ser o trabalho da Chang’e 5.

O país asiático também está trabalhando na construção de uma estação espacial própria, a Tiangong, cuja previsão de lançamento é para 2022.

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