Teixeirinha, popular cantor gaúcho dos anos 1960 e 1970, é reavivado em disco com 12 gravações inéditas


Álbum apresenta composições encontradas em fitas com áudios e instruções do artista, morto em 1985. ♪ Cantor e compositor gaúcho que vendeu milhões de discos ao longo dos anos 1960 e 1970 com repertório de tom sentimental, Vitor Mateus Teixeira (3 de março de 1927 – 4 de dezembro de 1985) está imortalizado na memória popular da região sul do Brasil com o nome artístico de Teixeirinha.
Lançado na sexta-feira, 7 de agosto, o álbum Inéditas atiça a memória do público de Teixeirinha ao apresentar gravações de 12 músicas inéditas de autoria do artista, ouvidas na voz do próprio cantor.
O disco é produto do empenho da Fundação Teixeirinha para preservar o legado e manter viva a lembrança desse artista que alcançou sucesso de proporções fenomenais em 1961, ano do estouro em todo o Brasil da gravação de Coração de luto (1960).
Coração de luto é toada tristonha composta por Teixeirinha sobre o falecimento da mãe, Ledurina, que, ao sofrer ataque epiléptico em 1936, morreu queimada por ter desmaiado sobre fogueira – o que levou a música a ser popular e pejorativamente conhecida como Churrasquinho de mãe.
Consta que o single de 1960 vendeu mais um milhão de cópias vendidas, a ponto de ser comercializado no câmbio negro porque a gravadora Chantecler não conseguia atender a demanda dos lojistas.
Capa do álbum ‘Inéditas’, de Teixeirinha
Divulgação
Seis décadas após o sucesso retumbante de Coração de luto, o álbum Inéditas surge com fidelidade ao estilo do artista. Ao iniciar trabalho de busca e restauração do acervo da instituição, integrantes da Fundação Teixeirinha se depararam com fitas com músicas inéditas do compositor, registradas em caráter pessoal.
São composições que Teixeirinha pretendia gravar. Tanto que, em algumas das 120 fitas do acervo da Fundação Teixeirinha, o artista fazia comentários sobre cada faixa e dava instruções de como queria que as músicas fossem arranjadas no momento da gravação oficial em disco.
A partir desse material, o álbum Inéditas foi finalizado ao longo de um ano com repertório formado por valsas, toadas, rasqueados, sambas-canção – caso de Nossos corações, entoado no estilo impostado do cantor – e até fado, Maria da Graça.
Coração ciumento, Fidelidade, Nunca me esquecerá, Pago o mal com o bem, Quarto de tristeza e Vida, amor e sangue são músicas que compõem o repertório de Inéditas, álbum lançado 35 anos após a morte de Teixeirinha.
Primeiro de uma série de lançamentos póstumos desse artista que também se aventurou na área do cinema ao longo da década de 1970, o disco Inéditas foi idealizado pela Editora e Produtora Teixeirinha e posto no mercado fonográfico com distribuição da Nikita Music Digital.