Tapete vermelho do Oscar deve ter falta de padrão e tom político, dizem especialistas da moda


Será que homens podem passar a se vestir de forma menos tradicional? E como é quando um look vira meme? G1 transmite cerimônia a partir das 20h neste domingo (9). Looks das artistas Mon Laferte, Scarlett Johansson, Billie Eilish, Jennifer Lopez, Margot Robbie e Ruth Negga nos últimos tapetes vermelhos
AP, AFP e Reuters
Qual tendência vai dominar o tapete vermelho do Oscar 2020? Essa não é uma pergunta fácil.
Se as celebridades eram mais guiadas pelas temporadas de moda, hoje a regra parece ser não ter regra. O movimento dos últimos anos tem sido seguir menos tendências das semanas de moda e se preocupar mais com a mensagem das produções.
Especialistas ouvidos pelo G1 defendem essa tese. O Oscar acontece neste domingo (9), em Los Angeles. O G1 transmite o Oscar ao vivo e na íntegra, a partir do tapete vermelho, às 20h.
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Desde o tom político de movimentos como o #MeToo a artistas deixando de usar estilistas renomados para ir com vestidos delojas comuns, até “climões” no próprio tapete vermelho quando mulheres questionaram se as mesmas perguntas sobre roupa eram feitas para homens.
O tempo é outro. “Ser confortável e de acordo com a vontade da artista são pontos básicos”, diz Anderson Rodriguez, estilista de Petra Costa.
A única brasileira indicada ao Oscar neste ano vai usar apenas marcas nacionais de roupas e joias.
O responsável pelas produções de Petra há seis meses diz que eles estão com cinco opções de look de estilistas, como Alexandre Herchcovitch e Lino Villaventura.
Lugar de protesto?
Rodriguez ainda disse ao G1 que a diretora pensa em trazer alguma coisa de protesto para o tapete vermelho. Aborto, feminismo, antifascismo e até a questão do número de mulheres indicadas são possíveis questões abordadas, mas o stylist não confirma o tema.
“Petra quer fazer alguma coisa de protesto no look, mas ainda estamos pensando”, diz o estilista.
Lorenzo Merlino, estilista e professor de moda, acha natural usar o tapete vermelho para protestos:
“A classe artística americana usa e faz bem. Eles seriam muito ingênuos de não usar esse espaço, ainda mais com a internet e as redes sociais.”
Dos protestos recentes, é possível citar o Bafta, premiação do cinema inglês, de 2018. Atrizes usaram apenas vestidos pretos em apoio às campanhas Time’s Up e Me Too contra o assédio sexual. Saoirse Ronan, indicada ao Oscar de Melhor Atriz, foi uma delas.
Tapete vermelho do Grammy Latino 2019, Bafta 2018 e Grammy 2019 foi marcada por diferentes tipos de protesto
AFP e Reuters
No Grammy, a cantora pró-Trump Joy Villa foi vestida de muro com arame farpado em referência ao projeto do presidente americano de construir um muro na fronteira com o México.
Já no Grammy latino, a cantora chilena Mon Laferte protestou contra a repressão de manifestantes no Chile.
Virar meme é ruim?
Quase sempre tem celebridade que a internet escolhe para zombar e outras que saem de casa como um meme pronto. Mas isso é um problema? O estilista Leandro Portos, responsável pelas produções da cantora Duda Beat, pensa que isso pode ser intencional.
“As pessoas não querem evitar, elas querem criar memes. Dá visibilidade, gera conteúdo”, defende o profissional que já vestiu também Ivete Sangalo para cerimônias do Prêmio Multishow e o duo Anavitória para o Grammy Latino.
“A moda é sobre você pensar não só se a pessoa está bonita ou feia, mas o que ela quis dizer com aquilo”, explica o estilista.
Look de Jennifer Lopez no Globo de Ouro 2020 foi motivo de piada nas redes sociais
Jordan Strauss/AP
Merlino também não vê problema: “O meme não é negativo. Ele significa que você chamou atenção. Não acho que tem que ser algo a se fugir”.
Já Rodriguez, responsável pelo look da única brasileira indicada, é mais ponderado: “Às vezes, pode ser que ela queira se embrulhar de presente, mas a pessoa tem que ver o que ela quer passar”.
“Há peças que tem que ser a pessoa certa, por exemplo a Lady Gaga. Ela pode usar porque é pop, mas a Petra é intelectual, não pode vir com uma roupa como a da Gaga.”
E os homens?
Quando perguntado sobre tendências do tapete vermelho, Merlino só cravou uma e de longo prazo: a incorporação de peças lidas, hoje, como “de mulher” por homens.
“O mais importante é realmente essa liberalização do guarda roupa masculino. Acho que quando os historiadores de moda forem estudar o elemento novo do século XXI daqui a 100 anos essa vai ser a marca”, explica Merlino.
Billy Porter na festa do Oscar 2019
REUTERS/Danny Moloshok
Nessa vanguarda de estilo, o ator Billy Porter e o apresentador Ru Paul já vêm marcando os tapetes vermelhos com looks elaborados e extravagantes.
Alguma chance dos galãs como Leonardo Di Capprio, Brad Pitt, Antonio Banderas entrarem nessa onda? Merlino acha que não. “Essa é uma missão para os galãs de 20 anos dessa geração”, afirma.
E eles já estão por aí. Os cantores Harry Styles e Jared Leto e os atores Michael Urie e Ezra Miller se destacaram no último baile de gala do Metropolitan Museum of Art.
Mas o evento é conhecido por looks muito mais ousados do que premiações da música e do cinema.
Mesmo assim, Portos acha que é esse o caminho mesmo: “Quando a celebridade topa acho que tem sim que quebrar esses padrões, esse estereótipo da imagem masculina. Ainda mais com roupa masculina que é tão careta.”
Harry Styles chega ao Baile de Gala do Met nesta segunda-feira (6), em Nova York (EUA)
Dimitrios Kambouris/Getty Images North America/AFP