Talibã mata cantor de músicas folclóricas em região do Afeganistão onde ainda há conflitos


Familiares do cantor Fawad Andarabi contaram que membros do Talibã deram um tiro na cabeça do músico. Combatentes do Talibã patrulham o bairro de Wazir Akbar Khan na cidade de Cabul, nesta quarta-feira (18)
Rahmat Gul/AP
Um membro do Talibã matou o cantor folclórico Fawad Andarabi no Afeganistão em circunstâncias que ainda não são claras, disse a família do músico neste domingo (29).
VÍDEO: Veja apresentação de Fawad Andarabi, músico morto pelo Talibã
O assassinato aconteceu na sexta-feira, no vale do Andarabi, uma região montanhosa na província de Baghlan, a cerca de 100 quilômetros ao norte de Cabul.
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O Talibã afirma que controlou a região do vale, mas lá há alguns distritos onde milícias que ainda entram em confronto com o grupo extremista. Essa área é vizinha de Panjshir, a única província que o Talibã não conseguiu dominar.
Afegãos armados resistem ao Talibã em área de Parakh, em Bazarak, na província de Panjshir, em 19 de agosto de 2021
Ahmad Sahel Arman/AFP
Membros do Talibã já haviam ido à casa de Andarabi —eles até mesmo beberam chá com o músico, disse o filho de Fawad, Jawad Andrabi. No entanto, na sexta-feira os talibãs mataram o cantor.
“Ele era um cantor inocente, que só entretinha as pessoas. Eles deram um tiro em sua cabeça”, disse Jawad.
O filho afirmou que vai procurar justiça, e que um conselho local do Talibã prometeu punir os autores do assassinato.
O porta-voz do Talibã, Zabihullah Mujahid, afirmou que o grupo vai investigar o incidente, mas não tinha informações sobre a morte.
Andarabi tocava um instrumento chamado ghichak, uma espécie de alaúde. Ele cantava músicas sobre o lugar onde ele nasceu, sobre seu povo e sobre o Afeganistão.
Um vídeo publicado em redes sociais mostra Andarabi cantando, sentado em um tapete, no meio das montanhas. A letra diz que “Não há um país no mundo como a minha terra, uma nação orgulhosa, nosso lindo vale, a casa dos nossos antepassados”.
Karima Bennoune, relatora da Organização das Nações Unidas (ONU) para o direito à cultura, afirmou que tem grande preocupação pela morte de Andarabi. “Pedimos aos governos que exijam do Talibã o respeito aos direitos de artistas”, ela afirmou em uma rede social.
Agnes Callamard, secretária-geral da Anistia Internacional, disse que há evidências que o Talibã de 2021 é tão intolerante, violento e repressor como o de 2001.
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