‘Sweet Tooth’ apresenta mundo pós-apocalíptico pelos olhos otimistas de jovem herói; G1 já viu


Série baseada em quadrinhos estreia nesta sexta-feira (4) e provoca desconforto com reflexos da pandemia, mas acerta com visão cheia de esperança do pequeno protagonista. Não é fácil rever um pouco da realidade da pandemia espelhada em séries ou filmes novos. A série distópica “Sweet tooth” consegue contornar o desconforto causado por seu mundo pós-apocalíptico ao contar sua história pelos olhos cheios de esperança de seu jovem protagonista.
A primeira temporada, que estreia nesta sexta-feira (4) na Netflix, arrisca muito e perde energia ao dividir a trama em narrativas diferentes ao longo de seus oito episódios, disponibilizados à imprensa.
Mas supera essa irregularidade graças principalmente à força do otimismo de seu pequeno herói. Acompanhado de um ótimo time de coadjuvantes e uma produção que superou problemas durante as gravações, ele garante o provável sucesso da adaptação de quadrinhos com diferentes públicos.
Assista ao trailer de ‘Sweet Tooth’
A natureza está se curando
“Sweet Tooth” apresenta um mundo distópico no qual a humanidade tenta se reerguer depois de um vírus letal dizimar grande parte da população mundial.
Por coincidência ou não, mais ou menos ao mesmo tempo todos os novos bebês nascem como híbridos entre humanos e animais.
A história acompanha a aventura de um dos primeiros desses seres, o jovem Gus (Christian Convery). Aos 10 anos, o menino-cervo deixa a segurança do santuário criado em uma floresta por seu pai (Will Forte) em busca daquela que acredita ser sua mãe.
Para sobreviver aos perigos de um mundo hostil, habitado por comunidades que caçam e temem os híbridos, ele conta com a ajuda arredia do solitário Jepp (Nonso Anozie), e de outros aliados encontrados pelo caminho.
Christian Convery e Nonso Anozie em cena de ‘Sweet Tooth’
Divulgação
Força positiva
As maiores semelhanças com os quadrinhos de mesmo nome que inspiraram a série, criados por Jeff Lemire, acabam por aí.
Enquanto a obra publicada entre 2009 e 2012 era mais focada e, de certa forma, sombria, a versão para a TV altera muito da história original e até de seus personagens centrais – o que pode desagradar àqueles que esperam fidelidade.
Ao mesmo tempo, encontra no pequeno ator Convery seu grande trunfo. Aos 11 anos de idade, o canadense já tem um currículo considerável com trabalhos em filmes como “Brincando com fogo” (2019) e “Venom” (2018) e convence como um jovem herói que não perde o otimismo mesmo com todo o mundo como adversário.
Sua química com Anozie (o Xaro Xhoan Daxos, de “Game of thrones”), que oferece uma visão mais dura em uma relação delicada com seu protegido, e uma história com bem menos enrolação que a média de uma produção Netflix têm tudo para garantir um futuro para história na plataforma.
Will Forte e Christian Convery em cena de ‘Sweet Tooth’
Divulgação
Perda de compasso
Muito acontece ao longo dos oito episódios, mas nem sempre a trama avança bem. A energia cai consideravelmente quando o foco recai sobre outros pontos.
A história de um médico (Adeel Akhtar) e sua tentativa desesperada para salvar a mulher (Aliza Vellani) em uma comunidade paranóica com a doença tem boas ideias, mas sofre pela distância dos verdadeiros protagonistas.
A coisa piora em relação à linha narrativa de Aimee (Dania Ramirez), uma mulher isolada que monta um santuário para híbridos em um zoológico depois de um encontrar uma pequena bebê-porco.
As tramas eventualmente se encontram, de uma forma até pouco forçada, mas cada desvio de Gus e sua turma exige paciência do espectador.
De forma enxuta e bem produzida, “Sweet Tooth” supera os problemas de roteiro e de bastidores – a série teve gravações interrompidas por causa do começo da pandemia e conseguiu finalizar tempos depois na Nova Zelândia – e oferece mais que o suficiente ao público para merecer sua atenção.
Por mais que seja difícil ver na TV um pouco dos reflexos desconfortáveis de uma pandemia, o otimismo e a esperança de Gus justificam o tempo investido. Agora é torcer para que a história do pequeno menino-cervo ganhe continuação em novas temporadas.