SUS realiza primeira cirurgia para diabetes tipo 2

O Hospital Regional da Asa Norte (Hran), no Distrito Federal, realizou, na terça-feira (25), a primeira cirurgia para reverter o diabetes tipo 2 pelo Sistema Único de Saúde (SUS). De acordo com a Secretaria de Saúde do Distrito Federal, o procedimento foi realizado por videolaparoscopia e durou pouco mais de 40 minutos.

A operação foi liderada pelo médico Renato Teixeira, coordenador do Serviço de Cirurgia do Diabetes do DF. Segundo o especialista, a paciente não respondia mais ao tratamento clínico contra a doença.

Em nota, Renato Teixeira informou que a paciente respira sem ajuda de aparelhos e já teve alta. “Depois da cirurgia, a equipe multiprofissional do Hran continuará acompanhando a paciente por, aproximadamente, um ano”, disse.

Em 2017, o Conselho Federal de Medicina (CFM) aprovou a cirurgia metabólica no Brasil. Desde então, o procedimento passou a ser realizado na rede privada. No entanto, em 2018, o Conselho Regional de Medicina (CRM) autorizou a implementação do tratamento na rede pública.

A cirurgia é considerada muito segura, podendo evitar mortes, sequelas, infarto e diminuir o custo dos medicamentos que os pacientes usam a vida toda.

Como funciona a cirurgia?

A cirurgia metabólica é parecida com uma cirurgia bariátrica e de redução do estômago, já que consiste em cortar o estômago em duas partes e o intestino em forma de Y. Depois, uma dessas parte é ligada ao estômago, por isso o alimento chega mais rápido ao final do intestino.

O procedimento contribui para o tratamento de pacientes com diabetes do tipo 2, isso porque acelera a produção da incretina, substância que atua no pâncreas e o faz produzir insulina mais rápido, auxiliando na redução dos níveis de glicose no sangue.

Quem pode fazer a cirurgia?

Os especialistas indicam que há alguns critérios obrigatórios para o paciente ser considerado apto a fazer a cirurgia do diabetes tipo 2, são eles:

Índice de Massa Corpórea (IMC) entre 30 e 34,9 (mínimo)
Ter entre 30 e 70 anos de idade
Tempo mínimo de doença de 2 anos
Tempo máximo de doença de 10 anos – devido à dificuldade de remissão do diabetes após esse período. No entanto, mesmo os pacientes que não alcançam a remissão podem se beneficiar da redução dos níveis glicêmicos proporcionada pela cirurgia, reduzindo as chances de complicações futuras
Exclusão de contraindicações, como doenças que possam afetar, de alguma forma, a recuperação pós-operatória.

Diabetes

O diabetes já afeta aproximadamente 16 milhões de brasileiros, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). O diabetes é uma síndrome metabólica de origem múltipla, decorrente da falta de insulina e/ou da incapacidade de a insulina exercer adequadamente seus efeitos, causando um aumento da glicose (açúcar) no sangue.

A doença acontece porque o pâncreas não é capaz de produzir o hormônio insulina em quantidade suficiente para suprir as necessidades do organismo, ou porque este hormônio não é capaz de agir de maneira adequada (resistência à insulina). A insulina promove a redução da glicemia ao permitir que o açúcar que está presente no sangue possa penetrar dentro das células, para ser utilizado como fonte de energia. Portanto, se houver falta desse hormônio, ou mesmo se ele não agir corretamente, haverá aumento de glicose no sangue e, consequentemente, o diabetes.

Veja os sintomas, quando procurar ajuda médica e os tratamentos para diabetes!