SP tem boom de sarampo, mas doença não está descontrolada

Campanha de vacinação contra o sarampo vai até 16 de agosto

Campanha de vacinação contra o sarampo vai até 16 de agosto
Marcelo Camargo/Agência Brasil

A cidade de São Paulo teve um boom de sarampo, com aumento de 164% dos casos em 19 dias. São 363 casos confirmados, sendo que 226 foram registrados apenas neste mês. Há ainda mais de 800 em investigação, segundo a Secretaria Municipal de Saúde.

Mesmo assim, o cenário não é considerado de epidemia, de acordo com a médica Solange Maria de Saboia e Silva, coordenadora da Covisa (Coordenadoria de Vigilância em Saúde). “Há surtos, mas não uma epidemia no sentido de transmissão descontrolada. A doença não está espalhada pela cidade, mas em alguns pontos. Mas não podemos substimar o sarampo, pois pode matar”, afirma.

Há registro de casos em todas as regiões da cidade – zonas norte, sul, leste, oste e central. Ela atribui o grande avanço da doença nos últimos 19 dias ao fato de as pessoas não estarem devidamente imunizadas, com duas doses de vacina. “Como as pessoas baixaram a guarda da vacinação, não deram a segunda dose em seus filhos, agora temos mais pessoas suscetíveis”, afirma.

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“Como é uma doença que se propaga rapidamente, há esse grande número de casos. Uma única pessoa pode contaminar 18 por meio da tosse, espirro ou contato com saliva”, completa. 

Segundo ela, ambientes fechados como transporte público e shoppings são seguros. “Ninguém deve interromper suas atividades. O que as pessoas precisam é se vacinarem”.

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Em relação a quem não pode se vacinar, como bebês abaixo de 1 ano e grávidas, ela afirma que não é necessário evitar lugares fechados. “Não estamos em um momento de descontrole da doença. Se houver esse momento, faremos esse tipo de alerta”. 

A médica ressalta ainda a influência da fake news na baixa cobertura vacinal. “Isso ocorre mundialmente. São notícias falsas de que a vacina não é segura”, diz.

Ela orienta a checar mensagens sobre sarampo que chegam por Whatsapp por meio da consulta ao site da Secretaria Municipal de Saúde ou de profissionais de sáude das UBS (Unidades Básicas de Saúde). “Esses profissionais têm as informações corretas, sabem tudo direitinho”.

O vírus do sarampo foi reintroduzido no país em 2018, importado da Venezuela para Roraima e Amazonas. Em fevereiro deste ano chegou a São Paulo por meio de pessoas que haviam viajado para Malta, Noruega e Israel. Do total de casos confirmados na capital paulista, 70 já são autóctones, 8 são importados e os demais estão em investigação. 

Em Nova York, o surto de sarampo está relacionado à comunidade judaica ortodoxa, que não se vacina. “Em São Paulo não temos esse padrão”, afirma.

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O público-alvo da campanha de vacinação contra o sarampo, que começou dia 10 de junho e vai até 16 de agosto, são jovens entre 15 e 29 anos. “Essa faixa etária é a mais acometida pela doença, mas todos devem se vacinar”, frisa.

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