‘Soul’ dá belo golpe na alma do público com final aberto raro entre filmes da Pixar; G1 já viu


Animação que estreia nesta sexta-feira (25) no Disney+ é um dos mais engraçados do estúdio, mas um dos menos originais ao lembrar mistura de ‘Divertida mente’ e ‘Viva – A vida é uma festa’. Que a Pixar é o melhor estúdio de animação do mundo todo mundo já sabe. Tanto que, até quando lança um de seus filmes menos originais, ainda consegue uma belíssima obra.
É o caso de “Soul”, produção que estreia nesta sexta-feira (25) de Natal na plataforma de vídeos Disney+ – longe dos cinemas por causa da pandemia de Covid-19.
A animação é uma das mais engraçadas da empresa nos últimos anos e apresenta um equilíbrio louvável entre linguagem e visual infantis com uma mensagem madura e aberta para deixar adultos pensando por dias.
Mas consegue isso com um clima que parece uma mistura de ideias presentes em outros sucessos do estúdio, como “Divertida mente” (2015) e “Viva – A vida é uma festa” (2017).
Assista ao trailer de ‘Soul’
Deixa eu ver sua alma
Em “Soul”, um professor de música de meia idade atinge finalmente seu sonho de entrar para a banda de uma renomada saxofonista.
Infelizmente, ele morre antes do primeiro show e procura uma forma de voltar à vida.
Para isso, assume o papel de tutor de uma jovem alma problemática, com a esperança de que, ao ajudá-la a encontrar seu propósito, consiga enganar o sistema do Além.
Cena de ‘Soul’
Divulgação
A morte lhe cai bem
A transição entre mundo real e espiritual se traduz em uma mudança significativa de estilo. Depois de uma boa parte com o visual cartunesco mas realista, tradicional da Pixar, “Soul” adota características bem mais simples para retratar as almas.
Nesse sentido, apesar de um conceito semelhante ao de “Viva”, passa a lembrar muito “Divertida mente”, com seus personagens graficamente caricatos e menos complexos – o que não quer dizer, no entanto, que o filme seja menos belo.
As partes no Além são as melhores e mais engraçadas do filme, e é difícil não ficar triste no momento em que a história volta para a Terra. Com o tempo, a animação reencontra seu ritmo, mas ganharia com mais dedicação ao pós-vida.
Cena de ‘Soul’
Divulgação
Criança ri, adulto chora
A proximidade com a animação de 2015 pode se explicar também por causa de Pete Docter, que assinou “Divertida mente” e que divide a direção de “Soul” com o estreante Kemp Powers.
Além do estilo de animação, no novo filme ele explora também conceitos intrínsecos à natureza humana, ao mesmo tempo em que dá características quase burocráticas ao funcionamento do universo.
Tudo isso mantém o clássico equilíbrio da Pixar em agradar crianças e adultos ao mesmo tempo, muitas vezes com as mesmas coisas, mas com detalhes claramente pensados para os diferentes públicos.
“Soul” se destaca mesmo das outras obras do estúdio ao dispensar as mensagens mais fechadas de seus antecessores e apresentar um final aberto, que ressoa como um soco direto na alma do espectador – talvez o melhor tipo de golpe no fim de um ano tão difícil.