Sobe para 183 o nº de mortos após chuvas na Europa


Imensa quantidade de água tem causado inundações gigantescas, alagado cidades e derrubado casas na em países da Europa Central. Chuvas causam inundações gigantescas na cidade de Erftstadt, na Alemanha. Foto fornecida pelo governo do distrito de Colônia em 16 de julho de 2021.
Rhein-Erft-Kreis via AP
Ao menos 183 pessoas morreram e milhares estão desaparecidas devido às chuvas dos últimos dias na Europa, que estão fazendo os rios transbordarem e levarem tudo pelo caminho principalmente na Alemanha e na Bélgica, segundo as autoridades locais.
O país mais afetado é a Alemanha, onde 143 mortes foram confirmadas até o momento e 1,3 mil pessoas estão desaparecidas apenas em um distrito ao sul de Colônia, no oeste do país.
É o maior número de mortos em um desastre natural na Alemanha desde 1962 (quando uma enchente no Mar do Norte deixou cerca de 340 mortos) e a maior quantidade de chuva no país em um século.
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As inundações no rio Elba, que em 2002 foram anunciadas como “inundações que acontecem uma vez por século”, mataram 21 pessoas no leste da Alemanha e mais de 100 em toda a Europa.
As chuvas deste ano têm afetado também a Bélgica, onde 24 pessoas morreram e 20 estão desaparecidas, e Holanda, França e Luxemburgo em menor intensidade (veja mais abaixo).
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O número de vítimas pode aumentar consideravelmente após relatos de deslizamentos de terra e casas sendo arrastadas pelos rios ou desabando devido à força da água na sexta-feira (16).
Imagens áreas divulgadas pelas autoridades do distrito de Colônia, na Alemanha, mostram uma cratera formada por um deslizamento de terra imenso, que arrastou lama e destroços.
O que se sabe até o momento:
156 mortos na Alemanha (110 no estado da Renânia-Palatinado e 46 no estado da Renânia do Norte-Vestfália)
1,3 mil pessoas desaparecidas no distrito de Ahrweiler, na Renânia do Norte-Vestfália, a cerca de 40 km ao sul da cidade de Colônia
27 mortos e ao menos 20 desaparecidos na Bélgica
114 mil casas sem energia na Alemanha, segundo a maior empresa de distribuição do país
Mulher observa pilha de carros após enchentes em Bad Neuenahr-Ahrweiler, na Alemanha, em 16 de julho de 2021
Christof Stache/AFP
Na Alemanha, as cidades e vilas mais afetadas estão no curso do rio Ahr, que nasce quase na fronteira com a Bélgica e deságua no rio Reno. O vale do rio Ahr é famoso pela produção de vinho tinto, e a cidade mais importante da região é Bad Neuenahr-Ahrweiler.
Na Bélgica, a região mais afetada é a Valônia, cuja principal cidade é Liège. Os maiores estragos estão em cidades e vilas ao longo do rio Mosa, que nasce na França, passa pelo país e adentra a Holanda, e também do rio Vesdre, perto da fronteira com a Alemanha.
A ministra do Interior belga, Annelies Verlinden, disse a uma TV local nesta sexta que continua crítico o nível das águas do rio Mosa e vários diques correm o risco de ruir (veja mais abaixo).
Clare Nullis, porta-voz da Organização Meteorológica Mundial, afirmou que algumas partes da Europa Ocidental receberam até dois meses de chuva em apenas dois dias. “O que piorou é que os solos já estavam saturados pelas chuvas anteriores”.
Brasileiros entre os afetados
Alguns brasileiros que moram nas cidades afetadas deram seus relatos ao G1.
Marcela da Silva Amandio mora com o marido, Lucas, e a filha de 7 anos em Bad Neuenahr Ahrweiler. O bairro foi devastado pela água. O temporal destruiu carros, casas e até a estrutura da cidade.
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Já a enfermeira carioca Lívia Nogueira, de 30 anos, mora em Erfstadt, na Alemanha, há 9 meses. Com a rápida subida das águas ela precisou retirar seus pacientes com urgência do centro médico que terminou interditado.
“Eu estava sem força, cansada. Tinha que levantar a cama [do paciente] para conseguir que a roda andasse [no terreno irregular de fora do hospital]”, diz.
As cidades mais afetadas pelas chuvas:
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Editoria de Arte/G1
O presidente alemão, Frank-Walter Steinmeier, pediu na sexta um firme comprometimento com a luta contra as mudanças climáticas e afirmou que esta é a única alternativa para frear fenômenos meteorológicos extremos, como as chuvas intensas que castigam o país.
“Apenas se nos comprometermos de forma resoluta com a luta contra as mudanças climáticas poderemos controlar condições meteorológicas extremas como as que vivemos atualmente”, afirmou Steinmeier em um pronunciamento, em que disse estar “profundamente arrasado” pela tragédia.
A chanceler Angela Merkel havia dito na quinta-feira (15) que os extremos climáticos estão se tornando mais frequentes, o que requer ações para conter o aquecimento global. “Pequenos rios se transformaram em torrentes inundadas e devastadoras”.
1,3 mil desaparecidos na Alemanha
Ponte sobre o rio Ahr destruída pela força da água em Schuld, na Alemanha, em 15 de julho de 2021
Michael Probst/AP
As fortes enchentes no oeste da Alemanha transformaram ruas em rios com correntezas violentas, que “varreram” carros, arrancaram árvores e derrubaram ou arrastaram algumas edificações.
Comunidades inteiras ficaram em ruínas após rios transbordarem e varreram cidades e vilas, nos estados alemães da Renânia do Norte-Vestfália e Renânia-Palatinado.
Autoridades alemãs confirmam que 1,3 mil pessoas são consideradas “não reportadas” apenas no distrito de Ahrweiler, a cerca de 40 km o sul da cidade de Colônia.
Ainda não é possível saber quantas estão com problemas de comunicação e quantas podem ser vítimas ainda não localizadas.
Em Erftstadt, “as casas foram em grande parte destruídas e algumas desabaram”, disseram as autoridades locais em uma rede social. “Várias pessoas estão desaparecidas”.
As casas desabaram e equipes de resgate tentam chegar de barco ou helicóptero aos moradores, porque as estradas ao redor da cidade estão intransitáveis ​​após terem sido destruídas pela água.
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Uma barragem perto da fronteira com a Bélgica transbordou, enquanto outra foi estabilizada.
Cerca de 4,5 mil pessoas foram evacuadas das comunidades a jusante e um trecho da rodovia A61 foi fechado em meio a temores de um possível colapso das estruturas.
Outras cerca de 700 pessoas foram evacuadas de parte da cidade alemã de Wassenberg, na fronteira com a Holanda, após a quebra de um dique no rio Rur.
Cidades e regiões mais afetadas
São 90 mortes no estado alemão de Renânia-Palatinado, entre elas 12 moradores de uma casa de repouso para pessoas com deficiência na cidade de Sinzig que foram surpreendidos pelo transbordamento do rio Ahr.
Na vizinha Renânia do Norte-Vestfália, as autoridades estaduais estimam em 43 o número de mortos, mas alertam que o número pode aumentar.
Casas desabaram e foram arrastadas pelas águas na aldeia de Schuld, onde muitos estão desaparecidos e quatro mortes já foram confirmadas.
Devastação causada pela enchente do rio Ahr, na aldeia Eifel de Schuld, no oeste da Alemanha. Foto tirada com um drone em 15 de julho de 2021.
Christoph Reichwein/DPA via AP
Outras duas pessoas morreram em porões inundados nas proximidades de Solingen e Unna.
A polícia relatou outra morte no município de Rheinbach, e dois bombeiros morreram durante os trabalhos de resgate nas cidades de Altena e Werdohl.
Infraestrutura danificada
As redes de telefonia móvel entraram em colapso em algumas das regiões atingidas pelas enchentes, e pessoas não estão conseguindo falar com familiares e amigos desaparecidos.
Ao menos 114 mil casas estão sem energia nos estados da Renânia do Norte-Vestfália e Renânia-Palatinado nesta sexta, anunciou a Westnetz, maior empresa de distribuição do país.
A infraestrutura foi completamente destruída e a reconstrução custará muito tempo e dinheiro, disse a premiê da Renânia-Palatinado, Malu Dreyer, a uma televisão alemã. “O sofrimento continua aumentando”.
Casas submersas pelas águas de rio que transbordou em Erdorf, na Alemanha
Harald Tittel/DPA via AP
Carro coberto em Hagen, na Alemanha, com destroços arrastados pela enchente do rio Nahma em 15 de julho de 2021. Fortes chuvas transformaram o pequeno rio em uma torrente violenta.
Roberto Pfeil/DPA via AP
Inundações na Bélgica
Na Bélgica, 20 pessoas morreram e 20 estão desaparecidas e as chuvas constantes durante a noite pioraram as inundações no leste do país, principalmente na região da Valônia.
Em Liège, principal cidade da Valônia o rio Mosa transbordou e o prefeito pediu às pessoas que moram nas proximidades para que se refugiassem em locais mais altos. O município tem 200 mil habitantes.
Mais de 21 mil pessoas continuam sem eletricidade na região.
Linhas de trem e estradas permanecem bloqueadas em muitas áreas do leste do país. O serviço ferroviário nacional informou que o tráfego começará a voltar ao normal na segunda-feira.
VÍDEO: Drones mostram ruas alagadas na Bélgica
Carro flutua no rio Mosa durante forte enchente em Liège, na Bélgica, em 15 de julho de 2021
Valentin Bianchi/AP
Cerca de 10 casas desabaram em Pepinster, após o rio Vesdre inundar a cidade, e moradores foram evacuados de mais de mil casas.
Carros danificados em rua inundada em Mery, na província de Liège, na Bélgica, em 14 de julho de 2021
Valentin Bianchi/AP
Os destroços em um rio em Verviers, na Bélgica
Yves Herman/Reuters
Lojista observa enchente criar “rio” na principal rua do centro de Spa, na Bélgica, em 14 de julho de 2021
Valentin Bianchi/AP
E na Holanda, na França…
No sul da Holanda, perto das fronteiras com a Alemanha e a Bélgica, autoridades da cidade de Valkenburg evacuaram uma casa de repouso e um hospício durante a noite. A principal rua da cidade turística virou um rio.
Autoridades da cidade de Venlo, também no sul, evacuaram cerca de 200 pacientes do hospital devido à ameaça de inundação do rio Mosa, o mesmo que transbordou em Liège, na Bélgica.
O governo holandês enviou na noite de quarta-feira (14) cerca de 70 soldados à província de Limburg, onde ficam Valkenburg e Venlo. Não há relatos de feridos ou mortos relacionados a enchentes na Holanda até o momento.
VÍDEO: Imagens aéreas mostram enchente na Holanda
Chuvas excepcionalmente intensas também inundaram uma parte do nordeste da França nesta semana, derrubando árvores e forçando o fechamento de dezenas de estradas.
Uma rota de trem para Luxemburgo foi interrompida e os bombeiros evacuaram dezenas de pessoas de casas perto da fronteira com Luxemburgo e Alemanha e na região de Marne.
O equivalente a dois meses de chuva caiu em algumas áreas da França nos últimos dias, segundo o serviço nacional de meteorologia do país.