Shows e desfiles de moda voltam à Venezuela, mas apenas para quem tem dinheiro


Movimentação no show business volta a acontecer pela primeira vez em mais de sete anos. Pessoas assistem a festival de música urbana no estacionamento de um shopping em Caracas, Venezuela
Reuters/Leonardo Fernandez Viloria
Fãs venezuelanos de pop e reggaeton que podem pagar o equivalente ao salário mínimo mensal do país por um ingresso estão lotando os shows pela primeira vez em mais de sete anos para ver seus artistas nacionais e internacionais favoritos.
Um abrandamento parcial dos problemas econômicos do país, que continua marcado por desigualdades extremas, tem incentivado o retorno dos eventos musicais em Caracas e outras cidades.
Desde março, cantores como a dominicana Natti Natasha, a banda colombiana Morat e o grupo Il Divo se apresentam em locais de todo o país.
“Muitos artistas decidiram não vir para a Venezuela (por anos)”, disse Felix Colmenares, produtor de eventos, observando que muitos de seus colegas deixaram o país em meio a um êxodo contínuo com seis milhões de venezuelanos migrando desde 2015.
Os eventos, em sua maioria acomodando apenas alguns milhares de espectadores, tendem a esgotar os ingressos, incluindo um festival de música urbana que aconteceu no início deste mês no estacionamento de um shopping center de Caracas.
A próspera situação de shows é um dos vários sinais recentes de uma melhora superficial na economia da Venezuela desde o relaxamento dos controles cambiais em 2019 e a adoção mais ampla do dólar norte-americano, permitindo o surgimento de mais restaurantes sofisticados, cafés e até cassinos, que foram legalizados em 2020.
Uma semana de moda local foi retomada no final de abril dentro de um hotel de luxo em Valência, capital do Estado de Carabobo, apresentando 27 criações de estilistas locais, em um esforço para reviver a indústria têxtil do país.