Salão do Automóvel de Xangai abre as portas em momento de queda nas vendas na China


Em 2018, emplacamentos caíram pela primeira vez em mais de 20 anos no maior mercado do mundo. Mas montadoras estão de olho é nos carros elétricos. Mulher fotografa o interior de sedã da Geometry, marca de elétricos da montadora chinesa Geely, no Salão de Xangai 2019
Ng Han Guan/AP
O Salão de Xangai abriu suas portas nesta terça-feira (16) preocupado com a queda das vendas de veículos na China, o maior mercado mundial.
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Organizado a cada ano alternadamente com Pequim, este salão ainda é uma reunião obrigatória para os fabricantes de todo o mundo, embora desta vez o ambiente esteja menos otimista.
Todas as marcas, ávidas por melhorar sua oferta no complexo mercado chinês, apresentam novidades, principalmente veículos urbanos 4×4, carros elétricos e de direção autônoma.
Pela primeira vez em quase três décadas, as vendas de automóveis caíram na China no ano passado (-2,8%), a 28 milhões de veículos.
Razões da queda
O número é explicado pela desaceleração econômica, pela redução dos benefícios fiscais e pela disputa comercial entre a China e os Estados Unidos que causa “dúvidas dos consumidores, levando alguns a adiar suas compras”, diz o presidente-executivo da Volkswagen na China, Stephan Wöllenstein.
A gigante alemã manteve suas vendas praticamente estáveis em 2018 graças às marcas premium Audi e Porsche. Sua grande rival General Motors, dona da Chevrolet, reduziu suas vendas em cerca de 10%.
Afetadas pela pressão das marcas chinesas, a Ford e a PSA (Peugeot Citroën) viram suas vendas caírem na região. A única exceção são os carros premium “que resistiram muito bem”, diz Nicolas Peter, administrador da BMW.
A fabricante alemã aumentou suas vendas (+7,7% em 2018), mas teve que pagar tarifas a Pequim pelos carros importados.
“Podemos esperar medidas [de estímulo] do governo [chinês], e eu sou otimista com prudência”, disse Hubertus Troska, diretor da Daimler (dona da Mercedes-Benz) na China, que acredita que uma redução do IVA seria favorável ao consumo.
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Roberta Jaworski/G1
Carros elétricos
Neste contexto, as fabricantes investem em veículos urbanos 4×4 e elétricos, as estrelas do salão. Esses dois setores são dominados por marcas chinesas, que respondem por 42% do mercado total.
Graças aos subsídios, as vendas de elétricos e híbridos aumentaram 62% no ano passado, embora representem apenas 4% do mercado.
É por isso que as fabricantes estrangeiras na China estão se fortalecendo.
As marcas chinesas – lideradas por gigantes como SAIC, BAIC ou BYD – ainda respondem por 90% do setor elétrico.
A Ford espera 30 novos modelos na China nos próximos três anos (uma dúzia deles elétricos) e a GM outros 20.
“Não importa se o mercado chinês como um todo avança ou recua, porque o setor que nos interessa é o elétrico (…), onde queremos competir com os atores locais”, diz Thierry Bolloré, gerente geral da Renault.
A Renault, que desembarca na China, apresenta seu novo veículo elétrico City K-ZE no lounge.
Várias empresas chinesas, como NIO, Lynk &Co e Gyon, também apresentam seus modelos futuristas de alta tecnologia e ultraconectados.
Futuro das joint-ventures
Em 2022, a China suspenderá as restrições aos fabricantes estrangeiros, que podem ser maioria nas coempresas com empresas chinesas, mas nem todos acreditam que as coisas vão mudar.
“É apenas um marco legal, é preciso ver se ele é útil economicamente”, diz Stephan Wollenstein.
Ele garante que a Volkswagen está fazendo “discussões para ampliar e aprofundar parcerias com gigantes públicas FAW e SAIC”.
Esses acordos, que facilitam a implementação e as relações com fornecedores e autoridades locais, podem tornar a China crucial para o setor automotivo global.
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