Roman Polanski ganha César de melhor diretor após protestos por acusação de estupro


Cineasta, que admitiu estupro de garota de 13 anos e enfrenta novas acusações, ganhou maior prêmio do cinema francês com filme ‘J’accuse’. Roman Polanski em foto de maio de 2017, no Festival de Cinema de Cannes
Valery Hache/AFP
Roman Polanski ganhou o maior prêmio do cinema francês, o César, como diretor por seu filme “J’accuse”, na noite desta sexta-feira (28). As indicações (além dele, a produção recebeu outras 11) foram recebidas com protestos pelo público, após novas acusações de abuso sexual aparecerem contra o cineasta.
Na categoria de melhor filme o vencedor foi “Os miseráveis”, de Ladj Ly, o escolhido pela França para representar o país no Oscar no último dia 9 (na ocasião, a produção perdeu para a sul-coreana “Parasita”).
Para premiar “J’accuse”, vencedor também como melhor roteiro adaptado e melhor figurino, a Academia Francesa de Filmes ignorou as críticas e os manifestantes que protestavam contra as indicações a Polanski na porta da premiação.
Além de ter admitido o estupro de uma menina de 13 anos nos Estados Unidos em 1977, o diretor franco-polonês foi alvo de uma nova acusação em 2019. A fotógrafa Valentine Monnier afirma que Polanski a estuprou em 1975 na Suíça, quando ela tinha 18 anos.
Cineasta e a equipe do filme, incluindo o ator Jean Dujardin (“O artista”), decidiram não participar da cerimônia por causa das críticas.
“J’accuse” conta a história do infame caso Dreyfus, um episódio real no qual um soldado judeu do exército francês foi condenado injustamente por um crime que não cometeu, e o esforço do exército para não admitir o engano. O filme já foi criticado ao ganhar o Leão de Prata no júri do Festival de Veneza.
15 dias antes da premiação, toda a diretoria da Academia francesa pediu demissão coletiva. O anúncio ocorreu pouco depois da publicação de uma nota no jornal “Le Monde”, na qual cerca de 400 personalidades francesas do cinema, incluindo Omar Sy, Bertrand Tavernier, Michel Hazanavicius, Jacques Audiard, Marina Foïs e Agnès Jaoui, reivindicaram uma “reforma profunda” na instituição.