Rod Krieger, ex-Cachorro Grande, aposta no ‘psicodelismo indiano’ no primeiro álbum solo


Residente em Lisboa, artista gaúcho alinha sete músicas autorais e ‘cover’ do cantor Tony Bizarro no disco ‘A elasticidade do tempo’. ♪ Quase dois anos separam a edição do primeiro single solo de Rod Krieger – Louvado seja Deus, gravado com o eterno mutante Arnaldo Baptista e apresentado em abril de 2018 – e o lançamento do primeiro álbum individual desse cantor, compositor e músico gaúcho projetado como baixista da banda sulista Cachorro Grande (1999 – 2019).
Em sintonia com o título, o disco A elasticidade do tempo – idealizado inicialmente como EP – chega ao mercado fonográfico na próxima sexta-feira, 20 de março, com o formato de álbum e com quatro das oito faixas já previamente editadas em singles e com capa que expõe o artista em foto de Daryan Dornelles estampada em colagem de Marina Abadjieff.
Por já serem conhecidas pelos seguidores do artista, as músicas Louvado seja Deus, Todos gostamos de você, Raio e Despertar diluem o teor de novidade de disco batizado quando Krieger ouviu de Lucinha Barbosa, companheira de Arnaldo Baptista, a crença de que “O tempo é elástico”.
Confiando na relatividade do tempo, o artista – que passou a assinar Rod Krieger para diferenciar essa fase solo do período em que tocou baixo na banda Cachorro Grande com o nome de Rodolfo Krieger – investe na promoção de uma quinta música do álbum, Cores flamejantes, composição batizada com inspiração nos tons dos chacras e gravada com ecos da música psicodélica da década de 1960.
Aliás, a intenção de Krieger foi fazer um disco que reverberasse o mood sixties psicodélico que o artista já experimenta desde que iniciou a carreira como integrante da banda Os Efervescentes. À essa influência, Krieger adicionou elementos de música indiana, perceptíveis já nos toques de cítara e tabla que impulsionam a espiritualizada música inicial Louvado seja Deus.
Capa do álbum ‘A elasticidade do tempo’, de Rod Krieger
Daryan Dornelles com arte de Marina Abadjieff
Ambientado em Lisboa (Portugal) desde 2019, Krieger viveu no Guarujá (SP), no litoral paulista, entre 2017 e 2018, após morar por 13 anos na cidade de São Paulo (SP). A temporada no Guarujá inspirou Sobre as ondas, música batizada com nome de edifício da cidade litorânea. Já Disco voador é composição feita pelo artista sobre a impressão de ter visto luzes no céu da cidade de São Paulo (SP).
Única música fora do trilho autoral do álbum, Vai com Deus – parceria de Tony Bizzaro com Carlos Lemos, lançada por Bizarro há 43 anos no álbum Nesse inverno (1977) – é abordagem resultante do fato de Krieger, no início das gravações do disco, ter ouvido muito o álbum desse cultuado artista paulistano associado ao alvorecer do soul e do funk no Brasil. Quando Krieger decidiu transformar o EP no álbum A elasticidade do tempo, decidiu regravar a música de Bizarro.
Além de cantar, ser o autor de sete das oito músicas e de tocar guitarra no disco, Rod Krieger assina com Ricardo Prado a produção musical do álbum A elasticidade do tempo, gravado em estúdio do interior do estado de São Paulo com aposta em som caracterizado pelo artista como “psicodelismo indiano”.