Review: Detetive Pikachu

É impossível gostar de Pokémon e não desejar viver no mundo apresentado em Detetive Pikachu. Por todos os lados, há criaturinhas prontas para roubar a atenção do espectador — seja por quão adoráveis são os personagens mesmo com um visual mais realista ou pela felicidade supérflua de simplesmente reconhecê-los e se lembrar do primeiro contato com a franquia.

As referências aparecem aos montes. Ryme City está repleta de cartazes com nomes dos Pokémon que não aparecem e até mesmo algumas esculturas de criaturas que sonho em ver um dia no cinema. Os produtores fizeram questão de colocar alguns monstrinhos em lugares mais escondidos para que as pessoas acabem procurando os que não tinham aparecido nos trailers — não são muitos, já adianto.

Evidentemente, o personagem-título, Detetive Pikachu, também é encantador. Sempre que o pequeno Pokémon amarelo está em cena, é quase impossível não abrir um sorrisinho de admiração, sentir vontade de apertá-lo ou simplesmente dar risada — a dublagem do Pikachu está excelente e o texto, claramente pensado para o humor de Ryan Reynolds, acerta no tom, proporcionando piadas que podem funcionar tanto com adultos quanto com crianças.

Como já deve ter ficado claro, não há um problema sequer com a realidade construída no filme. O mesmo vale para Pikachu, que, como esperado, é o verdadeiro destaque. A franquia é respeitada — ao contrário de como foi com tantas outras adaptações cinematográficas de games — e acredito que um novo filme seguindo este modelo poderia funcionar muito bem, embora esta primeira tentativa não tenha sido perfeita. Longe disso, aliás.

Tim Goodman (Justice Smith) e Lucy Stevens (Kathryn Newton), os protagonistas humanos do filme, infelizmente não são minimamente interessantes. Os jovens atores não são os culpados por isso, de forma alguma. Outros trabalhos de ambos provam que as capacidades deles estão além do que foi apresentado no longa-metragem. Fato é que os personagens em si simplesmente não possuem carisma algum — e como a trama principal gira em torno de Tim, isto acaba prejudicando muito a experiência.

O filme acaba se levando muito a sério em todos os aspectos da história relacionados ao “grande mistério” que Pikachu e Tim precisam resolver. Pelo tom do longa-metragem, não demora para que o espectador consiga prever o desfecho da jornada, e isso torna algumas dramatizações desnecessárias ou pouco convincentes.

Até algumas crianças, que são o público alvo, podem acabar sentindo que, em alguns momentos, o filme é arrastado demais, considerando o mundo fantástico que tanto fascina e estimula a imaginação de quem assiste. Levando em conta as criaturas e o mundo no qual elas existem, isso deveria ser quase impossível. Infelizmente, acaba sendo o mais comum, principalmente após os primeiros 30 minutos.