Relembre as principais novelas de Gilberto Braga


Gilberto Braga – webstories
Memória Globo
Morreu nesta terça Gilberto Braga, aos 75 anos, no Rio de Janeiro. O autor foi consagrado como um dos principais nomes da teledramaturgia brasileira e construiu uma trajetória de quase 50 anos como autor na rede Globo. Ele foi responsável por clássicos como ‘Dancin Days’, ‘Anos Dourados’, ‘Vale Tudo’ e ‘Celebridade’.
Relembre, a seguir, alguns dos clássicos do autor.
Vale tudo (1988)
Vale Tudo (1988): Abertura
Corrupção e falta de ética foram enfocadas em Vale Tudo, que denunciava a inversão de valores no Brasil no final dos anos 1980. Os autores centraram a discussão sobre honestidade e desonestidade no antagonismo entre mãe e filha: a íntegra Raquel Accioli (Regina Duarte) é o oposto da filha Maria de Fátima (Gloria Pires), jovem inescrupulosa e com horror à pobreza que, logo nos primeiros capítulos da novela, vende a única propriedade da família, no Paraná, e foge com o dinheiro para o Rio de Janeiro com o objetivo de se tornar modelo. Raquel vai atrás da filha e conhece o administrador de empresas Ivan Meirelles (Antonio Fagundes), por quem se apaixona. Para ganhar a vida, passa a vender sanduíches na praia, com a ajuda do amigo Audálio (Pedro Paulo Rangel), conhecido como Poliana. Enquanto a mãe batalha para sobreviver honestamente, Maria de Fátima se alia a César (Carlos Alberto Riccelli), um mau-caráter que a estimula a seduzir o milionário Afonso Roitman (Cássio Gabus Mendes), de olho na fortuna do rapaz. Afonso é namorado da jornalista Solange (Lídia Brondi) e filho da poderosa empresária Odete Roitman (Beatriz Segall), diretora da Companhia Aérea TCA. Odete é assassinada nos capítulos finais, gerando um grande mistério na história. O Brasil inteiro parou para saber “quem matou Odete Roitman”.
Celebridade (2003)
Celebridade (2003): Abertura
A trama tem como eixo central a rivalidade entre duas mulheres: a bem-sucedida empresária e ex-modelo Maria Clara Diniz (Malu Mader), dona da produtora Mello Diniz, e a dissimulada e invejosa Laura Prudente da Costa (Cláudia Abreu), que se aproxima de Maria Clara dizendo ser sua maior fã e consegue um emprego em sua empresa. Na verdade, Laura é uma arrivista que não quer apenas tomar tudo da outra, mas transformar-se em uma nova Maria Clara. A razão do ódio de Laura pela patroa é que ela é filha da verdadeira musa da canção que fez de Maria Clara uma mulher rica e famosa, enquanto ela e a mãe amargaram uma vida miserável. Maria Clara, porém, sempre acreditou que a música Musa de Verão fora composta por seu ex-noivo Wagner em sua homenagem. Para realizar o plano de destruir a rival, Laura conta com a ajuda de Marcos (Márcio Garcia), seu amante e cúmplice. Outro grande vilão da história é o ambicioso e inescrupuloso Renato Mendes (Fábio Assunção), editor da revista Fama e sobrinho de Lineu, que sonha um dia assumir a presidência do Grupo Vasconcelos. Renato se envolve com Laura, que vê nele um aliado a mais para destruir Maria Clara.
Dancin’ Days (1978)
Dancin’ Days (1978): Abertura
A trama gira em torno da rivalidade entre duas irmãs: a ex-presidiária Júlia Matos (Sônia Braga) e a socialite Yolanda Pratini (Joana Fomm). Acusada de atropelar e matar um guarda-noturno, Júlia é condenada a 22 anos de prisão. Depois de cumprir metade da pena, ela consegue liberdade condicional. A partir de então tenta, de todas as formas, livrar-se do estigma de ex-presidiária. Seu primeiro desafio é reconquistar o amor da filha, Marisa (Gloria Pires). A menina foi criada por Yolanda que, com medo de perder a sobrinha, dificulta a aproximação entre mãe e filha. Em sua luta para se reintegrar à sociedade, Júlia conhece o diplomata Cacá (Antonio Fagundes) e os dois vivem um romance atribulado ao longo de toda a história. Ao longo da trama, ela é novamente presa, mas volta à liberdade e se casa com Ubirajara (Ary Fontoura), um homem rico e apaixonado por ela. A grande reviravolta na história acontece quando Júlia retorna ao Brasil, após uma viagem à Europa, completamente mudada.
Anos Rebeldes (1992)
A minissérie tem como pano de fundo o Rio de Janeiro no conturbado período de 1964 a 1979. Avessa à militância política, Maria Lúcia (Malu Mader) se apaixona por João Alfredo (Cássio Gabus Mendes), jovem que se sensibiliza com as questões sociais e que atua no movimento estudantil. Ambos são estudantes do Colégio Pedro II, porém com perfis e objetivos distintos. Individualista, Maria Lúcia pensa em ter uma vida tranquila e estabelecida. Seu pai, Orlando Damasceno (Geraldo Del Rey), é um jornalista do renomado Correio Carioca e conhecido membro do Partido Comunista, que sempre optou pela militância política em detrimento de suas ambições pessoais. Por isso, ela teme se entregar à paixão por João Alfredo, um rapaz idealista, com características tão semelhantes às de seu pai. Apesar de ser integrante de uma família tipicamente udenista da Ipanema (bairro da Zona Sul do Rio de Janeiro) da época, filho de um comerciante com uma dona de casa, João Alfredo é profundamente atento à idéia da consciência de classe e preocupado com as questões sociais do país.
Edgar (Marcelo Serrado), também estudante do Colégio Pedro II e melhor amigo de João Alfredo, forma um triângulo amoroso com o casal. Inteligente, ambicioso e de bom caráter, Edgar jamais age com deslealdade na disputa pelo amor de Maria Lúcia. Dividido entre a questão afetiva e a militância política, João abre espaço para seu rival que, distante de projetos políticos, apaixona-se perdidamente por Maria Lúcia. A relação entre João e Maria Lúcia não suporta as divergências que existem entre os dois. E fica ainda mais desgastada quando ele entra na luta armada. O casal se separa, e Maria Lúcia se casa com Edgar. Após participar do sequestro do embaixador suíço Ralf Haguenauer (Odilon Wagner), João segue para o exílio.
Anos depois, em 1979, com a Lei de Anistia, João retorna ao Brasil e reencontra Maria Lúcia, agora divorciada. Há uma tentativa de resgate do amor de juventude, mas novamente João se vê às voltas com causas sociais, como a luta dos sem-terra no sul do país. Maria Lúcia entende então que a militância de João sempre representará um obstáculo entre os dois, e o casal se separa mais uma vez.
Anos Dourados (1986)
Anos Dourados (1986): Abertura
Lurdinha (Malu Mader) e Marcos (Felipe Camargo) se apaixonam à primeira vista. Ela estuda no Instituto de Educação; ele, no Colégio Militar – duas tradicionais instituições de ensino da Tijuca, na Zona Norte do Rio de Janeiro. Mas os pais de Lurdinha – os conservadores dr. Carneiro (Cláudio Corrêa e Castro) e Celeste (Yara Amaral) – rejeitam o rapaz por ele ser filho de pais separados e tentam, de todas as maneiras, afastá-lo da jovem.
Sem diálogo com a família, Lurdinha não consegue defender o amor que sente por Marcos, mas, mesmo assim, não deixa de encontrá-lo às escondidas. Marcos, sem saber que a jovem omite dos pais o namoro, insiste em conhecê-los. Ela sempre inventa uma desculpa até que, um dia, Marcos aparece sem avisar na casa de Lurdinha e pergunta a Celeste e Carneiro se eles vêem com simpatia a relação dos dois. Desconcertados ao descobrirem a mentira da filha, eles inventam que Lurdinha está de castigo por conta de notas baixas e, por isso, não poderá vê-lo. Os pais de Lurdinha, influenciados por uma professora da jovem, decidem, então, aceitar o namoro dos dois. Acreditavam que, concedendo permissão para o romance, ela logo se desinteressaria dele, pois, o “fruto proibido” é que estava motivando a filha.
Com o tempo, Lurdinha e Marcos enfrentam outro tabu da época: a virgindade. A jovem chega a perguntar para a mãe se é normal sentir desejo pelo namorado, e Dona Celeste, sempre repressora, responde: “Sexo é pecado. A mulher só pratica o sexo depois de casada, para satisfazer o marido”.
As dúvidas de Lurdinha sobre o assunto levam Marcos a se envolver com Rosemary (Isabela Garcia). Ao contrário da doce e tímida normalista, Rosemary é ousada e tem ideias modernas, embora também seja virgem. Lurdinha flagra os dois aos beijos e, arrasada, rompe com Marcos.
Depois de muitos conflitos, Marcos e Lurdinha terminam juntos e felizes. Dr. Carneiro se suicida quando descobrem que ele tem uma amante, Vitória (Lúcia Alves). Já Celeste não consegue superar o golpe e entra em depressão.
Paraíso Tropical (2007)
Paraíso Tropical (2007): Abertura
O antagonismo entre as gêmeas Paula e Taís, vividas por Alessandra Negrini, e a sede de poder do jovem empresário Olavo (Wagner Moura) dão o tom da novela. Paula e Taís têm personalidades opostas, e só descobrem a existência uma da outra ao longo da trama. É quando os embates começam. A mau-caráter Taís tenta destruir a relação amorosa da irmã com o íntegro Daniel (Fábio Assunção), executivo no mesmo grupo empresarial em que trabalha Olavo. Esse, por sua vez, faz de tudo para impedir que Daniel suceda o poderoso Antenor Cavalcanti (Tony Ramos), seu tio, na presidência da empresa. Ardiloso, Olavo sabe da preferência de Antenor por Daniel e tenta difamar a reputação do concorrente, mostrando-se capaz de tudo, até de matar, para alcançar seu objetivo.