Referência em pesquisas, UFSCar completa 50 anos com mais de 33 mil estudantes formados


Nesta sexta-feira (13), instituição comemora o desenvolvimento e os avanços nas diversas áreas de conhecimento em que atua há cinco décadas. UFSCar em 1970 e em 2020
Arquivo pessoal/Gabrielle Chagas
Há cinco décadas, a Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) recebia seus primeiros alunos para o início das aulas de engenharia de materiais e licenciatura em ciências. Hoje, mais de 35 mil profissionais carregam o nome da instituição no currículo.
Nesta sexta-feira (13), a universidade comemora 50 anos como instituição de ensino pública que oferece 65 cursos de graduação em quatro campi espalhados pelo interior de São Paulo e se mantém como uma das principais exportadoras de pesquisa e inovação do Brasil e do mundo.
História sólida
Extensão da UFSCar na década de 1970
UFSCar/Arquivo pessoal
Alguns meses depois do início das aulas, o professor mineiro Heitor Gurgulino de Souza chegava a São Carlos após tomar posse em cerimonia no Ministério da Educação, em Brasília, com um objetivo: tornar-se o primeiro reitor em uma universidade que nascia em uma fazenda rural.
Até então, a UFSCar ainda não contava com um quadro de professores qualificados a nível internacional, não tinha a estrutura ideal para as salas de aula, nem laboratórios. Segundo Souza, a instituição se concentrava apenas na região onde hoje é a reitoria.
“O prédio da nossa reitoria ficava na antiga casa do dono da fazenda e os laboratórios foram montados nos estábulos. Mas o mais importante foi a contratação de professores de todo Brasil e exterior, além de admitir os alunos pelos vestibulares e arranjar recursos para fazer tudo isso”, conta.
Heitor Gurgulino de Souza, primeiro reitor da UFSCar, atuou na instituição de 1970 a 1974
Arquivo pessoal
De acordo com o primeiro reitor, de 1970 a 1974, eram cerca de 200 alunos nos cursos de matemática, física, química e biologia e o novo curso de engenharia de materiais.
“Hoje, a universidade tem mais de 23 mil alunos e, provavelmente, daqui 50 anos teremos o dobro de estudantes. Eu não estarei aqui, mas gostaria de poder ver o que acontecerá”, disse.
Heitor Gurgulino de Souza visitou UFSCar durante comemoração dos 50 anos da instituição
Gabrielle Chagas/G1
Durante a gestão de Souza, foram plantadas 30 mil árvores na universidade por iniciativa dele. Na tarde de quinta-feira (12), o ex-reitor e a esposa Lilian Maria Quilici de Souza estiveram novamente em São Carlos – após 10 anos sem visitar o campus – para plantar um ipê-branco em frente ao prédio da reitoria como um símbolo.
“Me sinto realizado. Olho para trás e só tenho a agradecer. Eu digo que tenho três filhos: o Carlos, o Gustavo e a UFSCar”, disse.
Cenário atual
Reitoria da UFSCar em São Carlos
Gabrielle Chagas/G1
Quarenta e seis anos depois, a professora Wanda Aparecida Machado Hoffmann assumiu como a primeira reitora eleita da UFSCar. Desde então, enfrenta os desafios de gerir uma instituição pública diante do cenário da educação no Brasil.
Segundo Wanda, o sistema educacional de ensino superior dobrou nos últimos dez anos e, por isso, as universidades ainda buscam estabilidade para atender todas as demandas com os recursos oferecidos.
“Isso é maravilhoso, nós estamos dando mais oportunidades para as pessoas, principalmente na questão de inclusão de mais pessoas de diversas formações entrando na universidade. Mas ao mesmo tempo, nós estamos sentindo que ainda não chegamos ao equilíbrio. A gente tem um recurso que não é suficiente para as demandas atuais que temos”, disse.
Wanda Aparecida Machado Hoffmann assumiu reitoria da UFSCar em São Carlos em 2016
Gabrielle Chagas/G1
Mesmo com o desafio, a reitora explica que o cenário não é uma ameaça direta à UFSCar, porque a instituição acaba se resguardando pela importância que oferece à sociedade.
“A nossa expectativa é que a gente possa ter algumas barreiras mais fortes, porque temos uma grande aliada que é a sociedade. A gente pode passar por alguns momentos difíceis, mas eu não acredito que chegue a ameaçar”, disse.
Desafios
UFSCar comemora 50 anos em São Carlos
Gabrielle Chagas/G1
Segundo Wanda, a universidade tem desafios porque acompanha todos os processos da sociedade brasileira, sejam eles socioeconômicos ou políticos. Dessa forma, para superar esses obstáculos, o papel do reitor é garantir que a missão de formar pessoas com competência seja mantida com os recursos que tem em mãos.
“De orçamento a gente consegue com muito esforço o custeio porque investimento, quando eu assumi, eram R$ 18 milhões, hoje são R$ 2 milhões. E esse investimento, parte dele R$ 1 milhão a gente passa para os RUs [restaurantes universitários] para manter a alimentação dos nossos alunos”, contou.
Manifestação em 2019 reuniu milhares de estudantes em São Carlos em defesa à educação
Gabrielle Chagas/G1
De acordo com a reitora, a expectativa é que para os próximos 50 anos, a UFSCar consiga continuar formando pessoas com competência e cidadãos para ajudar na sociedade brasileira.
“Vamos continuar construindo uma universidade diferente, inovadora, com o foco em novas descobertas, novas tecnologias, buscando novos caminhos, buscar uma visão de futuro onde pensar em universidade é pensar que estamos construindo a sociedade”, disse.
Orgulho
Fatima Cristina Gonzalez é servidora da UFSCar há 26 anos e se formou na primeira turma do EJA da instituição
Fatima Cristina Gonzalez/Arquivo pessoal
História de desafios que Fatima Cristina Gonzalez conhece de perto há 26 anos. Atualmente chefe da seção de transportes, ela entrou como auxiliar administrativo no mesmo setor e teve a oportunidade de terminar o ensino médio na primeira turma de Educação de Jovens e Adultos (EJA) da UFSCar.
Desde que começou a ser servidora, Fatima trabalhou com quatro reitores diferentes e viu o campus crescer.
A servidora conta que equilibrar o aumento do número de alunos e a diminuição dos recursos foi um dos maiores desafios da carreira. Ela conta que quando chegou à seção, eram 14 servidores. Hoje, são apenas três.
“A universidade passou por grandes tempestades e estamos passando por uma situação política difícil para todo mundo, mas estamos remando e enfrentando as ondas”, disse.
Fatima Cristina Gonzalez conta a história de desafios e conquistas que viveu na UFSCar São Carlos
Gabrielle Chagas/G1
Mesmo com os desafios constantes, Fátima conta que trabalha na universidade com orgulho e satisfação e não pensa em se aposentar.
“Pretendo estar aqui enquanto eu tiver saúde e Deus me permitir, porque quero ver ainda muita coisa boa acontecer. Eu realmente sou muito grata por tudo que eu sou, por tudo que eu tenho. A UFSCar me transformou e me transforma todos os dias”, disse.
Pesquisas
Pesquisadores da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar)
Wilson Aiello/EPTV
Nas últimas décadas, o campus de São Carlos cresceu e se tornou referência na produção científica e tecnológica no Brasil e no exterior.
Atualmente, são 3.894 estudantes matriculados em cursos de mestrado e doutorado desenvolvendo pesquisas em diferentes áreas do conhecimento. No total, em todos os campi, são 4.436.
Veja abaixo algumas importantes pesquisas que foram notícias no G1 nos últimos anos:
Cientistas da UFSCar desenvolvem biovidro que cura feridas de pele
UFSCar cria sensor que detecta o mal de Alzheimer em apenas 30 minutos
Pesquisa desenvolve sensor para detectar diabetes através do hálito
Pesquisadores de SP criam implante de olho que pode regenerar tecidos
Pesquisadores da UFSCar criam purificador que pode garantir água potável em locais remotos
Pesquisadores da UFSCar identificam osso de dinossauro que viveu há mais de 110 milhões de anos no Brasil
Pesquisador da UFSCar cria material de plástico para substituir gesso ortopédico
Pesquisadores da UFSCar criam tecnologia barata para a dessalinização da água
Pesquisadores da UFSCar criam cerâmica que suporta temperatura de 1,2 mil °C
Dispositivo que alerta vazamento de monóxido de carbono é desenvolvido pela UFSCar
Pesquisadoras da UFSCar e do Cefet criam canudo biodegradável feito de mandioca
Pesquisadores da UFSCar criam substância que pode ajudar a tratar câncer sem efeito colateral
Infraestrutura

Pioneiro, o campus de São Carlos tem 6,45 milhões de metros quadrados de extensão e abriga 34 departamentos divididos para o funcionamento da universidade e os Centros de Ciências Exatas e de Tecnologia (CCET), Educação e Ciências Humanas (CECH) e Ciências Biológicas e da Saúde (CCBS).
Espalhadas pelas áreas norte e sul, o campus conta com dez edifícios de aulas teóricas, totalizando mais de 130 salas e 300 laboratórios.
Campus da UFSCar em São Carlos
Gabrielle Chagas/G1
A UFSCar conta também com o restaurante universitário, Hospital Universitário, Unidade Saúde Escola e biblioteca comunitária com mais de 280 mil exemplares disponíveis para empréstimo.
Além do cerrado que foi preservado mesmo após as expansões, o campus conta também com um parque esportivo com ginásios, campo de futebol, quadras poliesportivas cobertas, quadras de tênis e vôlei de areia, pista de atletismo e piscinas para a comunidade acadêmica.
Veja fotos do campus de São Carlos abaixo:
Campus da UFSCar em São Carlos 2020
Gabrielle Chagas/G1
Prefeitura Universitária da UFSCar em São Carlos (SP)
Gabrielle Chagas/G1
Biblioteca comunitária da UFSCar em São Carlos
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Biblioteca comunitária da UFSCar em São Carlos
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Biblioteca comunitária da UFSCar em São Carlos
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Biblioteca comunitária da UFSCar em São Carlos
Gabrielle Chagas/G1
Teatro Florestan Fernandes da UFSCar em São Carlos
Gabrielle Chagas/G1
Teatro Florestan Fernandes da UFSCar em São Carlos
Gabrielle Chagas/G1
Restaurante universitário da UFSCar em São Carlos
Gabrielle Chagas/G1
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