Rapper Rico Dalasam tenta se reinventar com fábula do segundo álbum


♪ Rapper paulistano revelado em 2015 com o EP Modo diverso e projetado nacionalmente em 2016 como voz da então ascendente cena brasileira de queer rap, Jefferson Ricardo Silva – Rico Dalasam, na certidão artística – busca se fazer ouvir novamente com o discurso do segundo álbum, editado cinco anos depois do primeiro, Ortunga (2016).
Distante do tom geralmente efusivo da cena, o álbum Dolores Dala guardião do alívio – de título simplificado para DDGA na capa do disco arremessado nos players na última sexta-feira, 12 de março – chega ao mundo com onze faixas em edição digital que precede edição em LP prevista ainda para este semestre.
Contudo, cinco já tinha sido apresentadas em maio do ano passado no EP também intitulado Dolores Dala guardião do alívio (2020). Dessas cinco, três músicas – Braille, DDGA e Vividir – eram colaborações do artista com Dinho Souza, um dos produtores musicais do álbum também gravado por Dalasam com Mahal Pita, Moisés Guimarães, Netto Galdino, Pedrowl e Rafa Dias.
Capa do álbum ‘Dolores Dala guardião do alívio’, de Rico Dalasam
Larissa Zaidan
Junto ou separado, esse time de produtores deu forma a músicas como Estrangeiro, Expresso Sudamericah, Não é comigo, Outros finais, Supstah e Última vez – as seis novidades do álbum, cujo enredo é caracterizado pelo artista como fábula afro-latina sobre a afetividade do povo negro na América do Sul.
Na trama da vida real, o álbum Dolores Dala guardião do alívio simboliza para Rico Dalasam um movimento de reinvenção e superação artística após o cantor e compositor ter se desgastado em disputa judicial com os produtores musicais Arthur Gomes e Rodrigo Gorky por conta de direitos autorais relativos à música Todo dia (2017), gravada pelo rapper como convidado de Pabllo Vittar.
Um acordo foi selado entre as partes em março de 2020, depois de Dalasam ter enfrentado nas redes sociais um cancelamento promovido por seguidores de Pabllo Vittar.