Quem é R. Kelly e como funcionava o esquema de tráfico sexual pelo qual o cantor foi condenado?


Seu maior sucesso no Brasil foi ‘I believe I can fly’, mas ele tem diversos outros hits e vendeu mais de 70 milhões de discos. Ele foi condenado nesta segunda-feira (27) nos EUA. R. Kelly chega em audiência para responder sobre acusações de abuso sexual em Chicago, em maio de 2019
Nuccio Dinuzzo/Getty Images North America/AFP
O cantor R. Kelly foi considerado culpado pelo crime de tráfico sexual de mulheres e de menores de idade em um julgamento em um tribunal federal de Nova York, nos Estados Unidos nesta segunda-feira (27).
A condenação é uma vitória do movimento contra o assédio sexual na indústria do entretenimento e confirma o declínio da carreira e da imagem pública de um dos artistas que dominaram as paradas dos EUA nos anos 90.
O cantor, compositor e produtor era uma figura poderosa no meio musical até a década passada. Nos últimos anos, sua presença musical estava em baixa e ele vinha enfrentando várias acusações de crimes sexuais.
Quem é R. Kelly?
A música mais conhecida de R. Kelly no Brasil foi “I believe I can fly”, composta, produzida e interpretada por ele, lançada em 1996 na trilha do filme “Space Jam”. Ele ganhou três Grammys pela faixa.
Mas ele teve diversos outros hits e vendeu mais de 70 milhões de álbuns. R. Kelly é um dos músicos que renovou o R&B nos anos 90.
R. Kelly, cantor americano de R&B
Divulgação/RCA
Ele teve sucesso não só na sua carreira solo mas também como produtor e compositor de outros artistas com Janet Jackson, Toni Braxton e Britney Spears.
R. Kelly foi indicado ao Grammy em 1996 pela composição de “You are not alone”, gravada por Michael Jackson.
O cantor americano R. Kelly
Divulgação
“I believe I can fly” foi sua música de maior sucesso, mas acabou não chegando topo da “Billboard” por que saiu na mesma época de “Un-break my heart”, de Tony Braxton. Mas ele teve duas músicas no número 1: “Bump n’ Grind”, em 1994, e “I’m Your Angel” (com Celine Dion), em 1998.
Ele teve seis álbuns no topo das paradas entre 1995 e 2007. O disco mais recente dele foi “12 Nights of Christmas” de 2016. Ele já enfrentava as acusações de abuso sexual. O álbum chegou apenas ao 177º lugar da “Billboard”.
Como foi a condenação por tráfico sexual?
Procuradores federais acusavam o cantor de comandar um séquito de empresários, seguranças e outros que recrutavam mulheres e meninas para ele fazer sexo e abusar, além de produzir pornografia, inclusive infantil.
Entre as acusações pela qual foi condenado, estavam a de que Kelly subornou um funcionário do governo que deu a permissão para que ele se casasse com a cantora Aaliyah (1979-2001) em 1994, quando ela tinha apenas 15 anos.
Ao longo das cerca de seis semanas de julgamento, promotores descreveram com detalhes uma organização de tortura e abuso, com provas dos últimos anos e de casos de até 1991.
A acusação chamou quase 50 pessoas, que testemunharam que a faceta pública do cantor escondia um predador calculista e controlador. Entre as testemunhas estavam nove mulheres e dois homens que acusaram Kelly de abuso ou outro tipo de má conduta e oito funcionários do cantor.
Já a defesa se concentrou em pequenas mudanças de relatos entre as testemunhas, tentando convencer os jurados de que todas as atividades sexuais entre ele e as vítimas tinham sido consensuais.
Como foi o julgamento?
De acordo com o jornal “New York Times”, o cantor ficou sentado sem reação no tribunal após receber o veredito dado pelo júri, que o considerou culpado em de atividade criminal organizada e oito acusações de tráfico sexual.
Ele pode enfrentar décadas na prisão. Sua audiência de sentença está marcada para 4 de maio de 2022.
Kelly ainda pode receber mais décadas à sua sentença, caso seja condenado por outras acusações em Chicago.
Ele já tinha evitado uma condenação em 2008, quando foi considerado inocente de 14 crimes em julgamento sobre pornografia infantil. Ele negava todas as acusações.
Ilustração mostra R. Kelly sentado, enquanto presidente dos jurados lê o veredito de culpado em julgamento nos EUA em 2021
Jane Rosenberg/Reuters