PUC-Rio tem projeto para incluir idosos em seu programa de extensão universitária


A professora Vera Damazio diz que não se pode desperdiçar o capital intelectual e o potencial do empreendedorismo sênior

Criado em 2014, o programa de educação continuada PUC Mais de 50 vem ampliando sua área de atuação. O que era apenas um movimento de designers da universidade carioca para entender o que é envelhecer ganhou musculatura para voos maiores. À frente da iniciativa está a professora Vera Damazio, que costuma dizer que a sociedade “tem uma visão turva das pessoas com mais de 50 anos”. Apaixonada pelo tema e disposta a mudar isso, tem um projeto desafiador: integrar os idosos no programa de extensão universitária da PUC-Rio. Lembra que, por volta de 2030, haverá mais brasileiros com mais de 60 anos do que com menos de 14. Produtos e serviços não estão acompanhando essa revolução demográfica. “Estamos falando de um design social para construir uma nova sociedade”, completa.
Vera Damazio, coordenadora do programa de educação continuada PUC Mais de 50
Mariza Tavares
Fernanda Pina, que também participa do projeto, acabou de defender sua tese de doutorado no Programa de Pós-Graduação em Design, centrada exatamente nesse tema: “Design, extensão universitária e empreendedorismo sênior: propostas de novos caminhos para os maiores de 50 na universidade”. Ela explica: “trata-se de um grupo com grande repertório e capital intelectual e o conceito da extensão universitária é fazer uma ponte com a comunidade, com o mundo lá fora. Se é para atender o público externo, não se pode ignorar a mudança no perfil demográfico. O que se constata é que há inclusive um desperdício enorme da vocação para o empreendedorismo sênior”.
Fernanda Pina, autora da tese de doutorado “Design, extensão universitária e empreendedorismo sênior: propostas de novos caminhos para os maiores de 50 na universidade”
Mariza Tavares
O primeiro passo foram as oficinas e palestras que reúnem pessoas acima dos 50 para debater e ampliar seus conhecimentos em diferentes campos, da espiritualidade à revitalização profissional. Para Vera, “o que as pessoas mais detestam é serem tratadas de uma forma infantilizada, elas querem que sua inteligência seja respeitada. Esta é uma nova geração de idosos que, mesmo que apresente alguma dependência, quer viver a longevidade com qualidade, mantendo sua autonomia”.
Em 2017, a PUC-Rio passou a oferecer bolsas para o Programa de Iniciação Científica e Tecnológica Sênior (já em sua segunda fase) para os 50 mais: “foram 560 inscritos para seis vagas!”, comemora. Os aprovados foram incorporados em projetos nas áreas de design, química, psicologia, memória e meio ambiente. “Trabalhamos para levar esse movimento para toda a universidade, ele tem que se expandir e estar presente em todos os cursos, todos os departamentos”, afirma Vera.