Professores de Nova York enfrentam salas de aula digitais enquanto coronavírus fecha escolas


Educadores da maior cidade dos EUA mostram como lidar com ensino à distância para conter a evolução da pandemia de Covid-19. Diretora de escola novaiorquina envia instruções diariamente para alunos que estão em casa em isolamento por conta da pandemia de Covid-19
Michael loccisano/GETTY IMAGES NORTH AMERICA/AFP
Como limitar o tempo de tela? Deve-se permitir conversas entre alunos? Uma professora de Nova York que começou a dar aulas pela internet há 10 dias afirma que a experiência “não tem nada a ver com o ensino presencial”.
A professora de espanhol e francês Constance Du Bois, 37, dá 16 horas de aula por semana na escola internacional das Nações Unidas em Nova York, privada, com recursos bastante superiores ao das escolas públicas. No entanto, mesmo para um estabelecimento que já contava com numerosas ferramentas de comunicação on-line, o começo foi difícil, diz a professora, franco-americana.
Embora os professores tenham começado a se preparar para dar os primeiros cursos on-line depois das férias da primavera, que terminam em 6 de abril, a programação se antecipou quando um professor foi infectado pelo novo coronavírus. A escola fechou imediatamente, sem estar totalmente preparada.
“O que foi difícil é que tínhamos testado o programa com alguns alunos, mas, na verdade, não tínhamos conhecimento suficiente da plataforma (técnica, chamada Schoology) e tivemos que começar a usá-la em casa, sozinhos”, conta. “Os alunos relatavam bastante problemas técnicos, o sistema caía”, lembra, após dar uma aula para alunos de 14 e 15 anos da sala do seu apartamento, no Brooklyn.
Graças a uma equipe técnica reativa, os problemas foram resolvidos, mas surgiram outros, mais estruturais. Primeiramente, com a turma completa, a plataforma não permite que os alunos se vejam. “Eles só conseguem ver a mim”, explica Constance. “Não há um ambiente de sala de aula. Eles sentem falta realmente é do lado social. Querem voltar para a escola, estão cansados de não se verem. Sentem-se muitos isolados”, comenta a professora.
Desta forma também é mais difícil detectar os alunos com dificuldades. Para enfrentar esta situação, a professora de idiomas divide a turma em grupos pequenos, já que o programa possibilita criar “pequenas salas virtuais” de dois ou três alunos, o que permite que se vejam e possam conversar, conta.
Outro problema foi que a escola reproduziu, inicialmente, o calendário habitual. Mas rapidamente os professores se deram conta de que “os alunos passavam o dia inteiro em frente ao computador, e nós também”. As aulas foram reduzidas, então, de 60 minutos para 40. “Isso nos alivia muito e os alunos estão mais concentrados”, comenta a professora.
Como todos, Constance não sabe por quanto tempo a escola ficará fechada, mas já é certo que o ensino à distância irá durar, pelo menos, até 20 de abril em Nova York.
Algumas cidades americanas, no entanto, já anunciaram que as escolas permanecerão fechadas até o começo do novo ano escolar, em setembro.
“Muitos professores estão bastante preocupados, porque não poderão concluir o programa”, comenta Constance. “Vamos ter que ser mais flexíveis, quando os alunos voltarem, sobre o que deveriam ter aprendido no ano anterior.”
Mas nem tudo é negativo. Em sua escola, “os alunos são muito responsáveis, conectam-se na hora, fazem as tarefas, participam”, elogia a professora. E os professores perceberam rapidamente o que funcionava ou não on-line, o que os levou “a mudar certas práticas”, conclui.
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